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Crédito: Divulgação Opal School

Como Inovar

Como incorporar conceitos da Reggio Emilia em sua escola

Equipe de escola que adota princípios da experiência italiana na educação infantil dá dicas para valorizar o pensamento crítico, a curiosidade e a autoexpressão

por Centro de Referências em Educação Integral 28 de agosto de 2017

Adentrar uma das salas de aula da Escola Opal, uma pequena escola charter localizada em Portland, nos Estados Unidos, é um convite para brincar, ser maravilhado e provocado.

Materiais para criar, improvisar e explorar ficam ao alcance das crianças para que elas possam tornar seus pensamentos visíveis e discutíveis. Os professores, por sua vez, documentam a aprendizagem enquanto esta vai se desenvolvendo, por meio de áudios, fotos, anotações e mais.

Embora a Escola Opal comporte apenas 88 crianças, o alcance da instituição é muito maior. Todo os anos, cerca de mil adultos de todo o mundo entram em contato com a Opal para eventos especiais, estudo e desenvolvimento profissional.

“Desde o começo, nosso objetivo tem sido fortalecer a educação pública provocando novas ideias em ambientes onde a criatividade, curiosidade e as delícias de aprender prosperam”, explica Susan MacKay.

Ela é diretora de ensino e aprendizagem no Museu das Crianças de Portland, que coordena a Escola Opal, devido uma parceria da instituição com escolas públicas do município.

Da Itália para os Estados Unidos

A Escola Opal foi inspirada, em parte, pela reconhecida experiência de Educação Infantil de Reggio Emilia, na Itália. Essa rede municipal foi fundada após a Segunda Guerra Mundial para educar novos cidadãos capazes de resistir ao fascismo. A filosofia de Reggio Emilia valoriza, portanto, o pensamento crítico, a curiosidade e a autoexpressão ante o conformismo.

Sete décadas depois, as escolas do município continuam a atrair visitantes de todo o mundo e a inspirar uma crescente rede internacional de escolas e pré-escolas.

MacKay relembra com clareza sua primeira visita a Reggio Emilia nos anos 2000. “Ficamos impactados com o nível de sofisticação e capacidade expressiva de crianças muito novas. Sua criatividade, uso de materiais, diálogos — era tudo um trabalho de alto nível”.

A Escola Opal abriu no ano seguinte e continua a ser até hoje um lugar onde os professores questionam junto aos estudantes e onde o objetivo diário é educar para a democracia, provocando nos visitantes reação semelhante à que MacKay teve ao conhecer a Reggio.
6 princípios da Reggio Emilia para praticar na sua escola

Para trazer questionamentos mais divertidos para a sala de aula e tornar o ambiente escolar mais democrático, a equipe da Escola Opal traz algumas sugestões que dialogam com o desenvolvimento integral dos alunos. São elas:

Acolha
Para criar uma cultura de acolhimento em que os relacionamentos possam florescer, comece por descobrir quem são seus alunos antes mesmo de conhecê-los. MacKay diz “de onde estão vindo seus estudantes? Quem são suas famílias? Com que eles se importam mais? Que recursos essas crianças trazem com elas? Prepare-se para ouvir quem são estes indivíduos quando conhecê-los”.

Crie conexões
Se a sua escola tem um currículo estabelecido, pense em quanto seus alunos vão se relacionar e se conectar com esse conteúdo. “O que está acontecendo no mundo, na vizinhança, no noticiário? O que está lá fora que pode criar conexões entre esse conjunto de informações que os adultos classificam como importante e suas próprias vidas?”, questiona MacKay.

Diminua distâncias
A sala de aula é um lugar extremamente local, não é amplo, nos lembra MacKay. Nesse sentido, é importante pensar “nos assuntos do mundo que podem se conectar e interessar esse grupo de crianças”. Tensões sobre raça e injustiças podem estar afetando o mundo — e também a sua sala de aula e o pátio do recreio. “Se você abrir a porta, as crianças estarão prontas para falar sobre seus desconfortos. Ajude as crianças a reconhecer padrões e aprender com eles. Quando conseguir fazer isso, você trouxe o mundo para perto deles”.

Construa um banco de questões
Crianças pequenas podem precisar de sua ajuda para encontrar questões interessantes. “Você precisa realmente ouvir para descobrir sobre o que as crianças estão curiosas e para que perguntas interessantes surjam”, diz MacKay. Uma sugestão é criar um banco de perguntas abertas para o educador refletir junto às crianças. “Se a primeira de suas perguntas não surtir efeito, você ainda terá mais 80 para tentar”.

Documente tudo
Embora isso soe desafiador, MacKay julga essencial documentar toda a rotina escolar diariamente com fotos, anotações, diários e gravações em áudio. “Quando documentar se torna um hábito, isso serve como material para reflexão”. O hábito é igualmente útil para professores e alunos: professores curiosos fazem aparecer crianças curiosas. Aqui está um sequência de perguntas que podem ser feitas diariamente:
– O que eu acho que vai acontecer?
– O que aconteceu na realidade?
– O que podemos fazer diferente da próxima vez?
– O que faremos amanhã?
– Isso desperta a sua curiosidade? Como?

Ofereça materiais abertos
Faça materiais convidativos para as crianças usarem como ferramentas para pensar, criar e debater. Isso não requer muitos recursos financeiros, mas envolve uma apresentação cuidadosa. “Não são coisas em uma caixa”, diz MacKay. Sementes, folhas e pedras recolhidas durante um passeio na natureza e apresentadas de maneira atrativa vão fazer as crianças quererem brincar. A chave é observar e ouvir como as crianças interagem com os materiais, o que elas dizem, fazem e criam.

* Publicado originalmente no Centro de Referências em Educação Integral e reproduzido mediante autorização. 

TAGS

brincadeiras, competências para o século 21, educação infantil