O Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) referente a 2025 alcançou os melhores resultados da série histórica, iniciada em 2005. Segundo dados divulgados pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), o indicador avançou nas três etapas avaliadas nas redes públicas brasileiras. Nos anos iniciais do ensino fundamental, passou de 5,7, em 2023, para 6,1, em 2025. Nos anos finais, subiu de 4,7 para 5,0 e, no ensino médio, de 4,1 para 4,3.
Para além dos indicadores nacionais, a qualidade da educação pública também depende de decisões tomadas diariamente nas redes de ensino: como formar e acompanhar os professores, monitorar a aprendizagem ao longo do ano, envolver famílias e comunidades na vida escolar e utilizar a tecnologia para apoiar o trabalho pedagógico.
É para reconhecer e dar visibilidade a práticas de gestão que contribuem para melhorar a educação pública que o Prêmio Gestão Inovadora na Educação foi criado. A iniciativa é da Mind Lab, com apoio técnico do Porvir na curadoria, e chega à segunda edição destacando redes públicas de ensino que desenvolvem práticas de gestão consistentes e com potencial de inspirar outras redes.
Nesta edição, a premiação amplia seu alcance e passa a contemplar também redes estaduais. Ao todo, dez redes de diferentes portes e regiões do país foram selecionadas entre as parceiras do programa Mente Inovadora. O reconhecimento busca valorizar o trabalho de gestores, professores e outros profissionais envolvidos em iniciativas que contribuem para melhorar a educação pública.
“Mais do que uma homenagem, a nossa ideia é apresentar à sociedade brasileira boas gestões em educação. Quando uma rede acerta, esse acerto não pode ficar restrito a ela: tem que virar exemplo, caminho, repertório para as outras”, afirma Ivan Pereira, fundador e presidente da Mind Lab.
Reportagens vão apresentar as experiências premiadas
Entre outubro e novembro, o Porvir publicará reportagens sobre os municípios e estados que se destacaram nas diferentes dimensões da gestão educacional. A cobertura incluirá entrevistas conduzidas pela redação com gestores, coordenadores e professores envolvidos nas iniciativas. A intenção é apresentar cada experiência com detalhes suficientes para que possa ser estudada e servir de referência a outras redes, e não apenas receber reconhecimento.
Cada rede selecionada receberá um certificado, um troféu e o selo de “Gestão Inovadora na Educação”. As entregas estão previstas para ocorrer nos próprios municípios, diante das equipes envolvidas nas iniciativas. Em alguns casos, serão organizados eventos que reunirão diferentes redes, para que o reconhecimento também proporcione encontros entre profissionais da educação.
“Os caminhos que identificamos nessas redes não dependem de condições excepcionais. Dependem de escolha e de continuidade. Que sejam modelos para os mais de 5 mil municípios brasileiros”, avalia Ivan.
O que a curadoria avalia
A seleção parte das redes parceiras do programa Mente Inovadora e considera, com apoio técnico do Porvir, cinco dimensões da gestão educacional:
- Participação da comunidade escolar na vida e nas decisões da escola;
- Formação e qualificação de professores, incluindo o acompanhamento contínuo das equipes;
- Suporte ao desenvolvimento socioemocional de estudantes e profissionais;
- Avaliação e monitoramento da aprendizagem ao longo do ano;
- Uso da tecnologia a serviço da aprendizagem.
A seleção não se restringe a redes de grande porte ou com orçamentos elevados. Entre as escolhidas, há capitais e municípios com poucos milhares de habitantes.
Para Thiago Zola, diretor de educação e inovação da Mind Lab, uma boa iniciativa ganha escala quando deixa de ser um projeto individual e passa a contar com normas, orçamento e equipes qualificadas que garantam sua continuidade, mesmo diante de mudanças de governo.
“O que torna um caso útil para outra rede é conhecer o caminho percorrido: quem participou, quanto custou, que normas foram criadas, quanto tempo levou e o que precisou ser corrigido. Os casos mostram que soluções parecidas funcionam em redes de tamanhos e realidades bem diferentes. Isso desmonta a ideia de que inovar é coisa de rede grande e com dinheiro sobrando”, conclui Thiago.
Conheça o programa Mente Inovadora:


