Bem-vindo (a) ao site do Porvir

Aqui, mapeamos, difundimos e promovemos a troca de práticas educacionais inovadoras

Boas inspirações!

Crédito: Myst / Fotolia.com

Inovações em Educação

Como incorporar o ensino de programação nas escolas

Proposta da Base Nacional Comum Curricular define tecnologia digital como um tema integrador, mas ainda concentra-se mais no uso do que na sua produção

por Bruna Nunes 29 de fevereiro de 2016

A tecnologia tem revolucionado não só a forma como vivemos, mas também como a que aprendemos. A quantidade de recursos digitais desenvolvidos especialmente para apoiar o processo de ensino-aprendizagem é ampla. Jogos eletrônicos, plataformas digitais, aplicativos e softwares educacionais, entre outros, conformam um cardápio de opções variado para aqueles educadores que desejam tornar as suas aulas mais interessantes, atrativas e interativas. Mas, será que isso é suficiente para formar indivíduos preparados para os desafios do século 21?

A relação entre educação e tecnologia é antiga e foi-se construindo a partir de momentos distintos. O surgimento do computador, por exemplo, significou uma mudança importante em termos de recursos didáticos. O que antes era feito no papel, como a redação de um texto, uma apresentação ou mesmo um gráfico, passou a ser feito a partir de programas especializados na realização dessas tarefas. Era necessário, portanto, incorporar os computadores na escola e difundir o seu uso em sala de aula.

A chegada da Internet também supôs uma “segunda” revolução nos processos de ensino-aprendizagem. O ambiente virtual não só trouxe consigo um intenso fluxo de comunicação e informação, como também facilitou, e facilita, uma série de atividades do nosso cotidiano através de aplicativos interativos.

Nesse contexto cibernético, alfabetizar digitalmente os indivíduos, para que aprendam a transitar pelo mundo digital e a usar a tecnologia de maneira qualificada, é também função da escola. E, no que depender da atual proposta da Base Nacional Comum Curricular, ela será bem cumprida.

No entanto, é preciso reconhecer que estamos diante de uma “terceira” revolução nos processos de ensino-aprendizagem, provocada pelo frequente avanço tecnológico. Se observarmos ao nosso redor, o mundo em que vivemos é cada vez mais mediado pela tecnologia. A cada minuto um novo aplicativo ou plataforma digital é criada para facilitar o nosso dia a dia, ou mesmo propor uma solução para algum problema social. Tudo a partir de uma abordagem colaborativa e com uma velocidade nunca antes vista. Hoje, para que um indivíduo seja autônomo, capaz de transformar ativamente a sua realidade, não basta saber usar determinado aplicativo ou ferramenta digital: é preciso entender e “falar” essa nova linguagem que dá corpo e permite o desenvolvimento tecnológico constante e veloz que estamos vivenciando. E, essa nova linguagem, é a programação.

Como a escola pode então atuar para facilitar a compreensão dessa nova linguagem, apoiando o desenvolvimento da capacidade criadora do jovem como produtor de tecnologia? Não se trata de uma questão fácil de responder, mas tentaremos aqui apontar alguns caminhos.

Primeiramente é preciso introduzir progressivamente a aprendizagem da lógica e da linguagem de programação no currículo das escolas. A proposta de Base Nacional Comum Curricular, atualmente em consulta pública, ao definir a tecnologia digital como um tema integrador, avança nesse sentido. No entanto, a forma como está orientado o uso das tecnologias em cada uma das áreas de conhecimento ainda aponta para um paradigma educativo focado mais no uso do que na produção de tecnologia.

Nesse sentido, embora algumas disciplinas, como língua portuguesa, estimulem a capacidade do jovem como criador de conteúdo, em outras, como é o caso de matemática, a tecnologia aparece como um facilitador do processo de aprendizagem e não como seu fim. Hoje, um professor pode tanto trabalhar um conteúdo de geometria, pedindo que seus alunos construam gráficos e desenhos geométricos através das ferramentas digitais disponíveis, como também propondo que os jovens criem um aplicativo ou plataforma digital que possibilite a criação desses gráficos e desenhos. Esta última seria, por exemplo, uma forma de incorporar o ensino da lógica de programação associada ao currículo escolar.

Uma outra maneira de potencializar o ensino de programação nas escolas é incentivar professores e estudantes a criar aplicativos para a resolução de problemas sociais que envolvam a comunidade ondem vivem. Uma aula sobre sustentabilidade pode ser muito mais interessante se o objetivo dos conteúdos aprendidos em sala de aula for o de criar insumos para a criação de um aplicativo que ajude a mapear os locais de coleta seletiva do bairro, ou mesmo um jogo que ensine as pessoas a separarem corretamente o seu lixo.

São ideias simples e inovadoras de como abordar o uso da tecnologia no processo de ensino-aprendizagem de uma forma mais dinâmica e interativa, que poderiam ser incorporados na atual proposta de Base Nacional Comum Curricular. É claro que para isso é preciso investir na formação dos professores e também dotar as escolas de infraestrutura adequada.

Contudo, isso não pode nem deve ser visto como uma barreira para que a educação brasileira transforme a atual perspectiva sobre o uso das novas tecnologias no processo de ensino-aprendizagem. A escola que fomentará a construção do Brasil do futuro não é apenas aquela que consome tecnologia, e sim aquela que será capaz de formar jovens criadores de tecnologia.

TAGS

base nacional comum, experimentação, programação, resolução de problemas sociais