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Crédito: Franco Rodrigues/Glow Press

Inovações em Educação

Festival de robótica reúne escolas em desafios de turismo sustentável

Equipes de 39 escolas privadas e públicas trocaram experiências e participaram de desafios para solucionar problemas locais

por Marina Lopes 25 de setembro de 2017

Foram quase dez horas de viagem para chegar ao tão esperado desafio de robôs. A equipe Sputnik, formada por cinco alunos do Colégio Marista Sant’Ana, saiu da cidade gaúcha de Uruguaiana, na fronteira com a Argentina, e percorreu mais de 600 km em um ônibus até Porto Alegre (RS). A distância só não superou os 2.129 mil km aéreos percorridos por um grupo de Brasília (DF), que também marcou presença no Festival Marista de Robótica.

Realizado no campus da PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), nos dias 21 e 22 de setembro, o festival reuniu equipes de 39 escolas privadas e públicas. Nesta edição, com o intuito de estimular a investigação de soluções para problemas locais, o tema das competições foi inspirado na ação da ONU, que declarou 2017 como o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento.

Aliado ao tema da competição, o Desafio de Robôs propôs uma reflexão sobre viação férrea do Rio Grande do Sul. Para cumprir as sete missões apresentadas pela comissão organizadora do festival, cada equipe teve que construir e programar um robô. Durante rounds de 2 minutos e 30 segundos, as montagens de LEGO eram colocadas à prova em uma arena, considerada pela estudante Carolina Delo Spatt, 15, do Marista Sant’Ana, o ponto alto do evento. “Tem muita adrenalina dentro da arena. Eu acho que é a parte mais legal do festival”, opina.

Apesar do pouco tempo de preparo técnico, ela e os colegas de Uruguaiana conquistaram o terceiro lugar na categoria Lego Avançado, atrás apenas dos grupos Tecnoway, da Escola Caminho do Saber (1o), e Inesbot, do Colégio Santa Inês (2o). “Mesmo sem saber muito bem o que eles iram encontrar aqui, os alunos tentaram cumprir todas as missões dadas. O foco não era a competição, mas o resultado também traz um incentivo para eles”, avalia o orientador de tecnologia educacional, responsável pelo treinamento da equipe.

Se por um lado a disputa de robôs era a estratégia para engajar os adolescentes, por outro, o que contou na hora de vencer o desafio foi trabalho coletivo. “Na robótica sempre pode surgir algum imprevisto. Nessa hora, precisamos trabalhar em equipe para o corrigir qualquer erro o mais rápido possível”, diz o estudante Gabriel Fallavena, 14, que está no oitavo ano, do Colégio Santa Inês, em Porto Alegre. “Não adianta só montar um robô, tem que saber trabalhar em equipe”, completa a sua professora Angela Engler.

Para Silvio Langer, coordenador do Festival Marista de Robótica, o trabalho coletivo e a troca entre equipes é justamente uma das principais ideias do encontro. “Muitas vezes, uma determinada equipe percebe que sua maior dificuldade é solucionada com facilidade por colegas que sentaram na mesa ao lado. Essa troca de conhecimento eleva o nível de todos os participantes, exemplifica. “O nosso objetivo também é potencializar e inspirar a inclusão dessas atividades no currículo das escolas.”

No Colégio Marista Pio XII, de Novo Hamburgo, que levou equipes para participar do festival, o trabalho integrado de robótica já completa 15 anos. No ensino fundamental, as atividades acontecem dentro do currículo do ensino fundamental. Já no ensino médio, elas se transformam em atividades extraclasse, onde os alunos interessados se preparam para competições. “Com a robótica, conseguimos ensinar para os estudantes algumas habilidades que seriam mais complicadas de serem desenvolvidas em sala de aula”, menciona o professor e coordenador de robótica educacional Filipe Ghesla, ao citar habilidades como a comunicação, o trabalho em equipe e o raciocínio lógico.

Desafio empreendedor
Do trabalho desenvolvido pelo Marista Pio XII já surgiram até grupos premiados, como a Under Control, que disputa campeonatos nacionais e internacionais. Integrante da equipe, o aluno João Artur Barasuol, 15, já estava acostumado com as competições de robôs, mas durante o festival deixou a arena de lado para encarar o desafio de participar da jornada empreendedora Incubando Ideias. “Nosso objetivo era criar um aplicativo sobre turismo sustentável. Colocamos pontos turísticos, eventos e outras informações da nossa cidade”, conta ele, que conquistou o segundo lugar da categoria programação com o projeto do site Kompass, idealizado junto com outros colegas.

Na categoria impacto social, o destaque ficou com o projeto Z3R01, do Polo Marista de Formação Tecnológica, em Porto Alegre. Com o uso de um sistema de localização, o grupo criou um aplicativo que oferece pontos para turistas que visitam locais pouco explorados das cidades. Como uma espécie de sistema de milhas, a pontuação é trocada por descontos em restaurantes e lojas. “Nós discutimos várias propostas em equipes até surgir essa ideia ”, lembra Thiago Costa, 16, que diz ter participado do festival pela primeira vez.

Cidade Sustentável
Quem também desenvolveu um projeto de impacto social foi a equipe Citycraft, do Marista Santa Marta, que ficou em terceiro lugar no prêmio Cidade-Laboratório. Com o intuito de revitalizar um espaço abandonado na comunidade onde vivem, os alunos criaram uma maquete no Minecraft que simula a construção de um local de lazer. “Percebemos que esse local não estava sendo usado para nada. Então fizemos um planejamento para apresentar aqui”, explica Kalita Bermonte, 15, do oitavo ano. “Agora queremos também quer pedir apoio da prefeitura para criar uma fonte de turismo interno. O único ponto de lazer mais próximo fica a 17 km do nosso bairro”, completa Letícia Quevedo, 13, que também está no oitavo ano.

Desafio de drones
Durante o festival, até a competição de drones seguiu o tema do turismo sustentável. Com cinco missões, os estudantes tiveram que construir drones para completar um circuito que sobrevoava alguns dos principais pontos turísticos do estado. Quem levou a melhor neste desafio foram as equipes Volvo Globetrotters, do Marista Medianeira, e Roquetronics, do Marista Roque.

* A repórter viajou a Porto Alegre a convite da Rede Marista

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mão na massa, programação, robótica