‘O educador é quase um neurocirurgião’
Leonor Guerra, professora da UFMG e coordenadora do projeto NeuroEduca, fala sobre a importância das emoções na aprendizagem
por Marina Lopes 29 de setembro de 2015
A aquisição de novas habilidades, conhecimentos e competências é resultado de processos que acontecem no cérebro. A memória, atenção, percepção e até mesmo emoção são funções que estão em jogo na hora de aprender um novo conteúdo. Se o cérebro é o órgão responsável pela aprendizagem, compreender melhor o seu funcionamento pode ser útil para o dia a dia do professor.
“O educador é quase um neurocirurgião que, sem abrir o cérebro, consegue mudar conexões por meio dos órgãos do sentido”, compara a professora Leonor Guerra, do departamento de morfologia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).
Na última segunda-feira (28), em São Paulo, durante o lançamento da quarta edição da Revista Neuroeducação, publicação da Editora Segmento em parceria com o Instituto Ayrton Senna, a médica e especialista em neuropsicologia mencionou importância de o professor compreender como acontece aprendizagem no cérebro e a influência que as emoções exercem nesse processo.
A base da aprendizagem está na reorganização dos neurônios. A professora da UFMG afirma que nosso cérebro se desenvolveu ao longo da evolução para garantir a sobrevivência, e não necessariamente para ter sucesso na escola. “Eu só vou aprender novas coisas se aquilo fizer diferença para minha possibilidade de adaptação”, explica.
Quando um aluno compreende que o seu mecanismo de sobrevivência na escola é conseguir nota, a especialista afirma que ele começa a criar uma série de estratégias para atingir o seu objetivo, ainda que isso não resulte em aprendizagem, como a famosa tática de estudar às vésperas da prova. “Se a avaliação permite que ele seja bem-sucedido com essa estratégia, ele vai permanecer nela.”
Para uma criança ou adolescente adquirir novas competências, Leonor defende que o conteúdo deve ser significativo e relevante. ‘‘A emoção é o carro-chefe da aprendizagem”, afirma. Em entrevista ao Porvir após o evento, a professora defendeu que uma das maiores tarefas do educador é encantar o aluno com o conteúdo.
“O professor tem que saber que a emoção que ele desencadeia no aluno, positiva ou negativa, vai ter um efeito”, aponta a professora da UFMG, que também é coordenadora do projeto NeuroEduca, iniciativa de extensão da universidade voltada para divulgação de informações para orientar profissionais da área de educação sobre conceitos básicos de neurociência.
Durante as formações com educadores, que acontecem em de cursos de atualização ou palestras de sensibilização, a médica e especialista em neuropsicologia conta que muitos professores ainda apresentam dificuldades ao estabelecer relações entre pesquisas da neurociência e a prática de sala de aula. Segundo ela, isso pode ser um resultado da falta de contato com esse conteúdo no período da formação inicial.
De acordo com Leonor, a interação com essa área de conhecimento confere maior autonomia e criatividade para o professor. “Ele fica menos atrelado à receitas e consegue flexibilizar melhor a sua estratégia pedagógica, atendendo especificidades do aluno em sala de aula”, aponta.
Embora seja útil conhecer como o sistema nervoso processa informações e estímulos, a professora ainda adverte: “não quer dizer que ele [o educador] vai conseguir resolver todos os problemas da aprendizagem, mas ele vai entender porque uma aula tem um resultado melhor do que outra, ou porque alguns alunos são melhor sucedidos do que outros.”
“O professor tem que saber que a emoção que ele desencadeia no aluno, positiva ou negativa, vai ter uma efeito”.Vejamos os vídeos de alunos batendo em professores,entre outras possibilidades…
Cada pessoa com a sua opinião. Eu mesmo, sempre no meu primeiro dia de aula, coloco todos os “acentos, no seu lugar, e vírgulas..” explico bem direitinho como vou trabalhar no primeiro dia de aula ao último dia de aula. Fica a dica!!!
De maneira quase imperceptível, a população e os educadores estão sendo convencidos de que boas condições de trabalho escolar, alunado com condições sociais de possibilidade para uma boa aprendizagem e ideais educacionais democráticos e republicanos por parte do professorado podem ser tranquilamente deslocados por técnicas de ensino-aprendizagem com base na “nova neurociência”. E isso tudo com a chancela do Instituto Ayrton Senna. Claro que não é isso que a professora Eleonor Guerra disse, e eu nada tenho contra os neurocientistas, mas…
Concordo que há interesses mercadológicos nesse debate. A medicina, infelizmente ainda é muito fechada para dialogar com a área da educação. O cognitivismo está tomando conta do debate educacional. Conteudismo e metodologias ativas são a nova tônica. Infelizmente esse debate carece de qualificação.
O professor tem o poder de mudar as percepções dos estudantes e consequentemente, provocar mudanças na sua forma de pensar e até mesmo de agir.
“Ele fica menos atrelado à receitas e consegue flexibilizar melhor a sua estratégia pedagógica, atendendo especificidades do aluno em sala de aula”… autonomia em sala de aula, usar não somente uma metodologia, mas a (as) que melhor se aplica ao perfil daquela turma. E vamos caminhando para que o alunado obtenha uma aprendizagem significativa, faz-se necessário conhecê-lo (sua história, seu contexto, seus interesses);
O professor tem a capacidade e o privilégio de proporcionar e levar a emoção ao seu aluno desde que ele também tenha! Juntos serão capazes de fazer, transmitir, promover e estabelecer relações extraordinárias.
O professor é quem motiva o estudante a aprender. Normalmente o uso de artigo em grupo e debates empolgam os estudantes.
muito bom!
Sabemos que inovar é necessário, criar estratégias práticas para o aprendizado dos alunos é essencial .Eu particularmente amei as ricas e criativas idéias para desenvolver um trabalho, eficiente para alcançar excelentes resultados.
O professor deixa marcas no corpo do aluno
Boas ou ruins
É preciso compreender o lado emocional do aluno, as etapas e ritmos de aprendizagem e suas potencialidades diferenciadas
a calibragem e modulação da emoção, pode resultar em excelentes resultados de aprendizagem
Para que a aprendizagem aconteça de modo efetivo, é preciso que ela desperte no aluno alguma emoção ou significado, pois quanto maior for o interesse e a motivação por determinado assunto, melhor ele será aprendido. Se as emoções forem trabalhadas de forma positiva, a aprendizagem se dará favoravelmente, de modo agradável.
Na realidade, a emoção deve ser o carro-chefe de “tudo” na vida, sob pena de o pulso não pulsar.
O aluno só aprende se tiver significado pra ele e se ele se sentir acolhido no ambiente escolar. Sabemos que a afetividade e um fator de grande importância para criar laços de confiança, parceria e cumplicidade.
Seria bom ter liberdade de poder aplicar isso em algumas escolas públicas. Pena que alguns diretores não fornecem o material e as vezes não permitem que o professor seja professor renovador na sala. Trabalhei numa escola pública que o diretor não permitia que eu colocasse as mesas de forma circular.
A Prática da sala de aula deve ser bem planejada para que o aluno seja tocado, de forma significativa, propiciando um aprendizado com sentido e prazeroso.
Já que a emoção é o carro-chefe da aprendizagem, então, os processos que lidam com a autonomia e criatividade do aluno devem ser estimulados na escola, para que os conteúdos ensinados tenham algum significado e sirvam de estímulo para novos aprendizados.
Tanto a emoção do aluno como a do professor é o carro chefe da aprendizagem. Se o professor estiver motivado e bem, ele com certeza levará estratégias diferenciadas e diversificadas para o aluno e assim marcará a vida do mesmo. É preciso encantamento e protagonismo.
Precisamos ter a convicção de que somos os responsáveis por todo o caminho a ser trilhado pelos nossos alunos de maneira satisfatória e encantadora. O professor precisa ter paixão pelo que deseja fazer, ensinar.
Apreciei imensamente as reflexões da Drª Leonor, com relação à “emoção” como fator primordial para a aprendizagem, sobremaneira, sob o olhar da Neuroeducação. Terminei recentemente uma pós-graduação em Neuropsicopedagogia e muito me apaixonei pelo campo. Médicos e professores como a Drª Leonor muito têm a contribuir para o campo das Neurociências na Educação. Parabéns!
Saber lidar com as emoções pode ter um papel fundamental na aprendizagem e desenvolvimento da criança.O professor pode marcar positivamente ou negativamente um aluno.
Penso que quando um indivíduo se encontra transmitindo conhecimento, ele pode alcançar ou não seu objetivo, pois é necessário ficar atento às diversidades da plenária. E como cita nossa Professora Leonor Guerra, O Educador é quase um Neurocirurgião que sem abrir o cérebro consegue mudar conexões por meio dos órgãos do sentido, verdadeiro malabarismo para de forma enfática penetrar em vários cérebros ao mesmo tempo.
Aprendemos quando nos sentimos bem consigo mesmo, somos seres dotados de sentimentos, emoções, pensamentos,…
As emoções, enquanto uma característica peculiar humana, está intimamente ligada a cognição, desse modo, são indissociáveis no processo de ensino e aprendizagem.
Uma aula motivadora levará o aluno a alcançar resultados positivos em sua aprendizagem.
Penso que ao ser respeitado, orientado e considerado parte do aprendizado, o aluno fica emocionalmente seguro e aprende com mais facilidade.
Quando há significado o aluno e o estudante trocam conhecimento, mas quando o assunto é não se faz interessante o aprendizado se torna desinteressante, o que traz dificuldade para a relação entre os sujeitos.
A aprendizagem é um mistério maravilhoso, assim como o cérebro. Entender melhor o funcionamento do cérebro e das emoções que ele gera, nos aproxima muito da compreensão sobre a aprendizagem. E sobre como ela pode ser tão singular em cada indivíduo. Paulo Freire já falava das emoções, do vínculo, da compreensão na promoção da aprendizagem, e as reflexões da doutora Leonor enriqueceram ainda mais este debate. Maravilhoso!
Bem interessante esses assuntos com direcionamento na qualificação e preparação do mediado com os educandos, ainda mais utilizando essas ferramentas tecnológicas educacionais. E assim, proporcionando ao orientadores educacionais, novas formas de ensino aprendizagem. Estou encantado com tanta novidade na preparação ao corpo Docente profissional tecnológico, EPT.
É importante o equilíbrio emocional docente para lidarmos com a diversidade cotidiana no espaço escolar. Acredito que melhores condições de trabalho viabilizariam tal condição.
Bom dia, também creio nesta necessidade de motivação em sala de aula. Mas como a própria autora salienta a formação de professores não é conteplada com essa disciplina e vamos aos poucos construindo essa capacidade em nossas aulas no dia a dia.
Mas como criar motivação sem termos para nós mesmos? Quando o currículo se preocupará com a formação e oportunidade de treinamentos para os educadores?
Esse texto nos abre a visão de que cada educador realmente é um neurocirurgiã, pois e perceptível que uma única aula pode introduzir um novo pensar, fechar ou abrir uma caixa dos saberes.
O professor é alguem q abre caminhos e abre a mente a novos pensamentos, direciona a vida em busca novos caminhos e mentalidades o professor tem um grande poder de formar mentes e mudar a rota de muitas vidas q estao em nossas maos.
Achei muito valiro esse conhecimento,nos professores precisamos avançar junto o um novo mundo que se abre com varios legues de aprendizagem não só para o aluno como para a gente mesmo..
Os gestores escolares têm que saber que um professor destruído emocionalmente, esgotado, sem perspectiva de vida, explorado por um salário de merda, só vai ensinar ao aluno o seu fracasso existencial…