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Projeto une tecnologia e empreendedorismo na África

Ele é americano, mas seu grande objetivo é abrir as portas do mundo para um outro continente: a África. Não é um fotógrafo de animais selvagens, um repórter de guerra, tampouco um maratonista. Jonathan Gosier tem 31 anos e não quer retratar a filantropia, a pobreza; seu objetivo é emoldurar os novos negócios, novas tendências sociais e tecnológicas do continente africano. Designer e desenvolvedor de software, ele vem criando projetos, como o Appfrica e o QuestionBox, e a competição Apps4Africa para promover o empreendedorismo em países africanos.

“Nosso objetivo é democratizar a informação em mercados emergentes utilizando a tecnologia. Até agora, os programas-piloto foram enormes sucessos regionais”, disse em entrevista ao site White African. Ele tem razão ao dizer isso.  O Appfrica, por exemplo, desde 2008 já conseguiu arrecadar investimentos de US$ 100 mil, apoiando 15 empresários africanos de nove países do continente. O programa, além de buscar possíveis investidores para novos empreendimentos, auxilia na criação dos planos de negócio, oferece tutoria de consultores experientes e promove o acesso a uma rede internacional de profissionais do ramo.

crédito olly / Fotolia.com
 

Gosier viu que a ideia era tão promissora que, em 2009, criou o Apps4Africa, uma competição regional patrocinada pelo Departamento de Estado dos EUA, que busca novos empreendedores tecnológicos para desenvolver ferramentas para atender às necessidades de ONGs locais e de suas próprias comunidades. “Com Apps4Africa, estamos formando relações com corporações e empresas que veem o mercado africano, não apenas como um lugar para a filantropia, mas de investimento e crescimento econômico”, disse ele ao blog do TED. Agora que o Apps4Africa está na terceira edição, ele diz que foi constatada a necessidade de arrumar meios de impulsionar essas novas iniciativas, e não apenas oferecer o primeiro lugar na competição.

Outro projeto a que Gosier vem se dedicando é o QuestionBox, que permite aos moradores de zonas rurais, sem acesso à internet, receberem respostas sobre dúvidas cotidianas – como saúde, agricultura e educação. Mas como isso funciona? O nome se autoexplica. Uma caixa é instalada num determinado ponto da comunidade e, depois de apertar um botão, o usuário pode fazer a pergunta em seu próprio idioma. Do outro lado da linha, a operadora irá buscar a resposta on-line. O serviço, que também pode ser usado através de mensagens de celular, já está em funcionamento na Índia, e tem um projeto-piloto em andamento em Uganda.

Escritor e cineasta

O que os projetos e a competição têm em comum é o que Gosier espera deles: abrir os olhos do mundo para o continente africano. Para isso, mais do que criar e incentivar novos projetos, Jon quer contar as histórias por trás deles. Ele tem o objetivo de reunir seus vários anos de pesquisa como técnico, investidor e ativista em um livro e um filme que terão o seguinte nome: Cheetah Code (O código chita, em livre tradução). Gosier conta que esse nome veio por conta de uma referência feita pelo economista George Ayittey, que diz que os jovens dessa geração correm atrás do sucesso e por isso são comparados ao animal mais veloz do mundo: “A África precisa de mais chitas e não de hipopótamos”, diz o economista.

Entre os casos que estariam narrados nas obras estão os ugandenses que ensinam engenharia robótica para jovens em aldeias distantes, e o William Kamkwamba, do Maláui, que, aos 14 anos, aprendeu sozinho a construir moinhos de vento para beneficiar toda a comunidade. Em agosto desse ano, através do Kickstarter – site de crowdfunding onde as pessoas buscam patrocínios para seus projetos ­–, ele tentou arrecadar fundos para a realização das obras e, infelizmente, não conseguiu. Mas ainda faltam muitos capítulos dessa história.

“A África representa mais de 14% da população mundial. Por que, muitas vezes olham para outros lados quando se tratam de negócios e tecnologias no continente? Os empresários estão com medo ou eles não compreendem suficientemente o mercado africano para se importar?”, questiona Gosier na entrevista ao White African. Para ele, expandir os negócios africanos é uma questão de tempo desde que o mundo esteja com os olhos abertos, afinal “a inteligência foi distribuída uniformemente por todo mundo, mas a oportunidade não”.

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