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‘Precisamos mudar o DNA da educação’; assista palestra de Luciano Meira sobre uso da tecnologia na educação

A escola precisará mudar seu DNA. Em vez de insistir em paradigmas como transmissão, absorção, retenção, reprovação e controle, ela deverá se preocupar com um novo tipo de DNA, o D3NA, que se baseia em diversão, diálogo, desafio, narrativa e aventura. O panorama sobre a escola que se quer para o século 22 – 22 sim, porque o século 21 já começou há mais de uma década e é preciso olhar para frente – foi apresentado por Luciano Meira, professor de psicologia da UFPE e especialista em games educacionais, durante evento sobre educação e tecnologia promovido pelo Instituto Inspirare, Porvir e pela Fundação Telefônica na terceira edição da Série de Diálogos O Futuro se Aprende.

“A missão da escola, o seu DNA constitutivo parece estar o ensino. Isso não produz a reciprocidade da aprendizagem. Nós estamos usando as metáforas erradas”, afirma Meira, que vem desenvolvendo a OJE, em Pernambuco, uma olimpíada de conhecimento gamificada que deverá chegar a 2 milhões de estudantes de escolas públicas até 2015. O seu contato com jovens e com tecnologias educacionais o fez perceber que existe um descompasso importante entre o que os alunos esperam da escola e o que ela lhes oferece. Para o pesquisador, os livros em duas dimensões não são mais capazes de dar conta das necessidades dos alunos, que vivem em um mundo em que já é possível manipular realidades de seis dimensões, como em jogos como o Kinect.

crédito Benjaminet / Fotolia.com
 

Diálogo

O professor cita recente pesquisa feita com jovens de Recife. Ela mostrou que, ao serem perguntados sobre o que haviam estudado na semana, os alunos até se lembravam de assuntos abordados nas aulas de matemática e biologia. Mas, ao serem perguntados sobre o que gostariam de aprender, as respostas em nada coincidiam com as da pergunta anterior: se pudessem escolher, os alunos prefeririam aprender informática e computação (15%), música (8%), dança (6%), design de games (6%) e robótica (6%). O mais grave, ressalta o especialista, é que 47% dos entrevistados responderam “outras coisas”. “Tem uma frequência enorme de outras coisas que a gente nem sabe o que é”, lamenta ele.

O que causa isso, de acordo com Meira, são “os arranjos” travados da escola, que se verificam tanto em aspectos infraestruturais quanto nas relações entre as pessoas que compõem o ambiente educacional. “Os arranjos têm sido os mesmos, apesar das tecnologias. Eu me refiro principalmente aos arranjos discursivos que desautorizam o diálogo.”

Diversão

No lugar desse modelo que tem se mostrado ineficaz, Meira sugere que a escola se abra à diversão, mas não uma diversão que passe apenas pelo engraçado, mas que incentive os alunos a serem autores do seu aprendizado. “Nós queremos encantamento, surpresa, curiosidade”, diz ele.

Desafio, narrativa e aventura

A escola tem preferido os testes tradicionais aos desafios que realmente engajam os alunos no aprendizado, na avaliação do professor. Segundo Meira, as narrativas não tradicionais e as aventuras não são consideradas experiências válidas de aprendizagem. E isso, defende ele, precisa mudar. Um dos caminhos que ele tem visto dar certo que leva em conta não apenas desafio, narrativa e aventura, mas também diálogo e diversão é o aprendizado via games.

Ficou curioso? Assista ao vídeo da palestra.

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    3. Eu acredito que a Escola(Educação Brasileira) está completamente ultrapassada! Muitos Profissionais em e da Educação já têm conciência sobre isso. Porém, alguns por comodidade (interesse próprio, insistem em não mantem o que há de bom no Ensino Tradicional e modernizar), ficam apenas na Tradicional (Educando=Tábula Rasa) e extremo rigor (porém sem senso crítico). Recursos para Educação….poucos ainda…parece que 10% do PIB…Remuneração do Profissionais de ruim à péssima! Têm que se desdobrar em 2 ou 3 jornadas diárias, com férias diminuídas pela LDB, sendo que é uma Profissão desgastante, tendo em vista que é dentro e entorno do Espaço das Escolas que tudo que acontece na Sociedade como um todo, desemboca….é como se a Escola fosse um local de descarregar tudo…que se passa com o ser humano…é um pólo…é um micro-cosmus…assim há que haver uma verdadeira revolução na e pela Educação, pois conforme já defendia Cristóvão Buarque, ex Ministro de Educação no Governo Lula….A EDUCAÇÃO DEVE ESTAR EM PRIMEIRO LUGAR….É a Educação que trabalha com a prevenção (Saúde, Segurança, Meio Ambiente…dentre outros) …Somos nós que formamos e informamos todas as demais Profissões….deveríamos ser o que melhor REMUNERAÇÃO possuem, pois não se tem um “bom” Médico, caso ele não tiver tido pelo menos ótimos Professores e demais Profissionais em Educação responsáveis por sua Educação. Há que mudar todo o “Sistema” de baixo para cima e de cima para baixo….a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) acertou em algumas coisas, porém ERROU FEIO , quando passou os 180 dias letivos para mais de 204 dias letivos, fora os sábados escolares e letivos, que temos plena consciência que é uma falácia, pois 50% + 1 dos alunos não vão às Escolas nas aulas que acontecem aos sábados…e outra os Profissionais adoecem, pois a Profissão é Pezada, temos que trabalhar na Escola, em casa e ainda temos que suprir as faltas de nossos colegas, então também adoecemos e isso vira uma bola de neve….quase ninguém mais quer ser Professor….é por tudo isso…e o pior a categoria está envelhecendo….como poucos estão escolhendo a carreira….vai haver um buraco enorme e vão tentar aumentar o tempo de trabalho para muito + de 25 anos, que é no Brasil e que já está pesado de mais…..

      • me desculpem, mas devido ao cansaço físico e mental há erros em meu texto de sintaxe, de concordância verbal e talvez nominal, e também erros de ortografia…mas o mais importante, não deu para eu fazer revisão e o RECADO ESTÁ DADO! Um grande abraço e o PRINCIPAL CAMINHO QUE APONTO: CAPACITAÇÃO, REQUALIFICAÇÃO NO TEMPO DA JORNADA E PRINCIPALMENTE NOSSA ORGANIZAÇÃO….NÃO TEMOS NENHUMA ORGANIZAÇÃO DE NOSSAS CATEGORIAS DE EDUCAÇÃO, POR ISSO AINDA NÃO SOMOS FORTES O SUFICIENTE, pois o PODER DE FORMAÇÃO DE OPINIÃO, a esse sim temos de sobra!!!!

        • Pois, interessante saímos do foco, o foco seria, pelo o que eu entendi a renovação do sistema e das propostas de ensino, para um sistema e novas propostas para a aprendizagem. Se para corrigir colegas, deveríamos, pensar nas ações percebidas no espaço escolar, além de deselegante, sua correção Marister, colocou em evidencia, algo desnecessário. O lado bom disto, é que “mesmo com esgotamento físico e mental”, o educador faz o melhor que pode naquele momento. É fato que temos uma escola desatualizada e extremamente tradicional. E resistências como está que apresentou Marister tira o foco da mudança.
          Abraço

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    5. MEU MODO DE VER A EDUCAÇÃO AQUI NO BRASIL É QUE ELA ESTÁ FRAGILIZADA. PROFESSORES ÓTIMOS ´ NÓS TEMOS, ALUNOS EXCELENTES TAMBÉM, PORÉM OS MEIOS USADOS SÃO ANTIGOS. NÃO SÃO MOTIVADORES. A FIM DE PODER LEVAR O ENSINO AO ALUNO DE MANEIRA QUE OS DESPERTEM PARA O PRESENTE E DIRIA PARA O FUTURO. SOU DO RIO GRANDE DO SUL, CIDADE :P ELOTAS.

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    9. Perfeito!
      Eu chamo de Aprendência.
      Tinha que ser, projetos ousados que reexistem precisa ser divulgado, para começarmos a instituir novos conceitos novas práticas nesse século. E parece que chegou a hora da educação se transformar, uma urgência mais que atrasada, então parabenizo a Ponte de estar sendo uma ponte nessa rede de conexão, qui çá uma sinapse, uma possibilidade de se fazer enxergar como a educação foi conduzida de forma errada. Gracias, gracias guerreiros da evolução, a efetividade de vocês nos confirma que é possível plasmar uma Educação com fins evolucionários para uma humanização planetária qualitativa: trabalhar o Ser desde dentro, revelando sua essência de humanidade. Muito obrigada mesmo! Minha esperança se revigora! Engrandeço-me por participar desse movimento. Parabéns!

    10. Perfeito!
      Eu chamo de Aprendência,
      Tinha que ser, projetos ousados que reexistem precisa ser divulgado, para começarmos a instituir novos conceitos novas práticas nesse século. E parece que chegou a hora da educação se transformar, uma urgência mais que atrasada, então parabenizo de estar sendo uma ponte nessa rede de conexão, qui çá uma sinapse, uma possibilidade de se fazer enxergar como a educação foi conduzida de forma errada. Gracias, gracias guerreiros da evolução, a efetividade de vocês nos confirma que é possível plasmar uma Educação com fins evolucionários para uma humanização planetária qualitativa: trabalhar o Ser desde dentro, revelando sua essência de humanidade. Muito obrigada mesmo! Minha esperança se revigora! Engrandeço-me por participar desse movimento. Parabéns!

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