'Professores devem reaprender a aprender' - PORVIR
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Inovações em Educação

‘Professores devem reaprender a aprender’

Consultor americano Will Richardson, autor do livro Why School?, defende que mestres se reúnam em redes virtuais

por Patrícia Gomes ilustração relógio 9 de outubro de 2012

O professor americano Will Richardson percebeu, em sua rotina de sala de aula, que havia alguma coisa mudando naquele espaço de aprendizagem. O ano era 2001 e ele dava aula de inglês para o ensino médio em escolas norte-americanas. Nessa década que se passou, as tecnologias foram entrando no universo educacional, ele começou a escrever sobre o assunto e, entre idas e vindas de conversas com professores pelo país, sua suspeita só se confirmou: essa aflição não era só sua. Foi aí que percebeu que o primeiro passo para os professores se adequarem aos novos formatos de educação era fazer com que eles tivessem que reaprender a aprender e, para isso, era fundamental que eles se organizassem em redes.

“Esse é um dos desafios mais interessantes que temos hoje: como é que ajudamos os professores a entender o que está acontecendo fora das escolas e os deixamos aptos para preparar as crianças para essa realidade?”, pergunta o especialista, que já tem uma dica de qual seja a resposta. “Os professores têm que construir suas próprias redes e se tornar responsáveis pelo seu aprendizado, assim como se espera que os alunos façam”, afirma Richardson, que há seis anos vêm capacitando professores por meio do programa Powerful Learning Practice.

Na capacitação que dá para os professores, Richardson reúne professores em comunidades virtuais e em algumas atividades presenciais ao longo do ano letivo. Ele procura fazer desse ambiente virtual um espaço compreensivo em que os professores possam compartilhar experiências, ansiedades e expectativas e, de quebra, se apropriar das funcionalidades da internet. “Tentamos fazer com que os professores se sintam confortáveis com o ambiente on-line, dividam seus medos, sejam transparentes, conversem. Mas leva tempo”, afirma o especialista, que procura usar o canal que criou para mostrar exemplos do que é possível fazer e falar sobre a educação do século 21. O programa, diz ele, tem sido procurado por escolas públicas e particulares, que inscrevem parte do seu corpo docente para participar da capacitação. As atividades são compartilhadas em um blog e parte das discussões que esses educadores promovem podem ser acessadas pelo site.

Preparar os professores para uma nova realidade de educação, em que há muito mais conhecimento disponível na palma da mão em um smartphone do que nas bibliotecas de muitas escolas, é apenas parte da solução. Richardson diz que a própria escola precisa mudar radicalmente. Tanto defende que lançou, no mês passado, o livro Why School?, (Por que Escola?, em livre tradução), cuja versão digital em inglês está disponível na Amazon por US$ 2,99. “Não é que não queiramos a escola. Não queremos essa escola. Tudo precisa ser repensado: currículo, design, infraestrutura”, diz ele.

“Não acho que possamos fazer como fazemos hoje, quando os alunos ficam trancados 45 minutos em uma sala, depois têm outra aula de 45 minutos. Temos que dar uma bagunçada nisso.”

O argumento de Richardson é que entregar o conhecimento pronto, encaixotado, hoje não faz mais sentido. O que se espera é que o currículo seja reflexivo, baseado muito mais em perguntas que não necessariamente se sabe a resposta – “porque é isso que elas vão encontrar na vida”. “As crianças demandam diferentes tipos de aprendizado, diferentes tipo de alfabetizações”, diz o educador, que ressalta a importância de que os alunos recebam uma espécie de alfabetização em rede (livre tradução para network literacy), em que aprendam segurança na web, como e onde pesquisar, o que se pode ou não fazer em ambiente virtual.

Quanto à estrutura das escolas, Richardson diz que o ideal é que os espaços fossem redesenhados porque sala de aula, quadro negro e carteira já não fazem mais sentido. “É preciso ter muito mais espaços colaborativos de trabalho, acesso a materiais multimídia. Não acho que possamos fazer como fazemos hoje, quando os alunos ficam trancados 45 minutos em uma sala, depois têm outra aula de 45 minutos. Temos que dar uma bagunçada nisso.”

Richardson vai estar em São Paulo entre 19 e 21 janeiro, compartilhando suas ideias no evento Innovate 2013 – Reimaginating School, promovido pela Graded, escola americana de São Paulo. Segundo a organização, a intenção do encontro, que vai reunir profissionais do Brasil e dos EUA, é debater sobre a escola que mais bem serve e inspira os estudantes de hoje. As inscrições estão abertas e os valores já podem ser consultados.


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formação continuada, tecnologia

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Ana Lopes

Excelente reportagem! Alguém já disse que os melhores professores são também excelentes aprendizes. Ou seria o contrário? Bem, acho que dá no mesmo.
Uma coisa que eu percebo é que alguns professores se esquecem das durezas do caminho que percorreram para saber o que sabem. Como já sabem, acham tudo óbvio e perdem a sensibilidade para entender o ponto de vista de quem ainda não sabe.
É por aí que eu vejo importância enorme do professor estar sempre aprendendo alguma coisa nova. Ele precisa ser sempre lembrado de como é complicado enfrentar um conhecimento novo pela primeira vez.

zabelle crisna

professoras[es] totalmente fora da realidade virtual, escolas que proibem celular, na escola, está fora do contexto mundial.

Maria Silka Rocha Agostini

Eu concordo em parte de que não se deva prorizar a sala de aula em termos de espaço fisico para a aprendizagem. Mas acho que esse espaço fisíco também ´funciona como uma mola de aprendizagem voltada para o contato um com o outro, gerando um processo de socialização. Acho que tem muita coisa, que ainda tem que ser pensado…

vanilda machado de carvalho

Estou vivendo este momento .Trabalho na rede estadual de ensino,modalidade EJA.
Faço parte da equipe SEJA onde está sendo instalado um novo método.As TICs estão
fazendo parte do nosso cotidiano,a cada dia é um novo desafio. O material acima foi um enorme incentivo para esta etapa da minha vida profissional.

Maria de Lourdes Steinmetz

Está mais do que na hora de alguém gritar pela mudança na educação. Excelente reportagem, precisamos avançar urgentemente. Só vejo realmente mudanças na educação, quando incluirmos nas grades curriculares uma disciplina chamada educação emcional, a espiritualidade o cuidado do ser pela experiência de trabalho que realizo com alunos me mostra isso. Hoje temos uma clientela muito diferente sim, que vem exigindo muito dos professores, mas o que mais me preocupa é o estado emocional das crianças muitos problemas famiiares, crianças sofrendo muito por separações mal resolvidos, crianças em depressão, outras sofrendo por abuso sexual muito mais do que imaginamos, trabalho num projeto diferenciado em duas escolas com meditação e relaxamento e atendimento individualizado onde os alunos podem contar seus problemas, suas frustrações, e também aplico reiki gostaria de poder contar a minha experiência de trabalho algum dia. Precisamos mudar e mudar muito.

Adrienne Machado Costa

Se eu falar a ideia que tenho em mente de um “modelo” de escola, muitos diriam que estou louca…Mas seria diferente até em relação à super-dotação e em relação a alunos que tem facilidade de aprendizagem…

Evângelo José Malinowski

Tudo o que se fala sobre ambientes virtuais ainda está longe da realidade das nossas escolas estaduais onde o número de crianças a serem atendidas são enormes.É um absurdo alguém falar que o atual sistema de ensino que foi igual ao que havia quando fui alfabetizado a 40 anos atrás esteja errado, é bom mesmo que os alunos estejam defronte a um quadro quanto mais 45 minutos puderem, pois somente dessa forma os estudantes que temos irão aprender . Se não acreditam venham conhecer a escola em que trabalho, para mim vocês estão ainda pensando nas classes abastadas desse País somente. A maioria das nossas escolas não tem nem uma torneira direito para as crianças escovarem os dentes e vcs querem instalar sistemas multimídia para assistirem TV e lidarem com computador o dia todo. Que Brasil é esse? Evângelo J. M. ( Pedagogo)

JOSÉ CARLOS LIMA

Ótima reportagem, diariamente temos que entender que seremos sempre felizes aprendizes, a troca da TIC, como parametro de entendimento é fundamental para mantermos atentos que o trabalho do professor é de gestor de salas de aula.

Marister Carvalho

Gostaria de poder compartilhar em meu site e nos grupos que faço parte e em que adminstro no facebook . Eu concordo plenamente com o autor. Tenho Projeto e Idéias, mas não nos deixam implementá-los. Minam nossos conhecimentos adquiridos e competências, não nos dando tempo para planejar, projetar e implementar. A estruttura da Educação está completamente ultrapassada, mas muitos ainda se valem dela para beneficiarem a seus próprios interesses ou de amigos(a) e a burocracia ajuda muito nisso também. É um jogo de poder e de interesses diversos! é um @:/ nem símbolos utilizados pelos jovens na Internet nos ensinam exemplo =) ;/ :/ :
O

Wilton valente

Hj durmo em paz, vi q n sou o único ” louco” q pensa assim.

Rosimar Andrade da Silva

Muito bem. Da forma que está não dá pra continuar,vou ser radical, escola já era,ninguém quer ir lá,está virando um verdadeiro inferno, se não houver uma intervenção urgente,pode se dizer,vai morrer muita gente.

Letícia Maria de Andrade Pires

Concordo plenamente com o que está exposto no texto. e com as ideias de Will Richardson. Os problemas de lá são os mesmos daqui. Porém é triste constatar que mentes que pensam assim são imediatamente caladas, antes mesmo de se falar qualquer coisa. O sistema acha tudo isso muito bonito no papel. Mas somos avaliados por colegas que não comungam da mesma ideia, por chefias que dentro da escola não concordam com projetos inovadores. O bagunçar então, nem pensar…até arrepiam

Ana Maria Amaral

Infelizmente o” custo” dessas mudanças não nos deixa opção… E choramos em fila neste lamento demorado aguardando atenção daqueles que podem mudar o curso desta história. Aposento-me em 2013, sinto o cansaço dos colegas que estão saindo e a descrença dos que chegam. Rogo aos ceus que estes gritos se façam ouvir, e, que a ele se juntem os educadores de boa fé. Mundanças urgentes “ainda que tarde…”

Eucrísia Pereira dos santos crabi

Eu acredito na força das mudanças. Quando eu era adolescente, boa era a escola pública, em minha cidade ia para particular em Vg quem fugia da “bomba”,pp(pagou passou). Com o tempo a escola pública foi se deteriorando, disseram que era para todos, puseram todos dentro da escola porém não ofereceram qualidade, agora é pqj(passa de qualquer jeito).Boas e cada vez mais caras ficaram as particulares.Eu penso que as Universidades estão indo para o mesmo caminho, sempre as federais é que eram qualitativas, hj difícil é entrar nelas, depois, balela.Não sou contra a iniciativa do governo em relação ao Sisu, mas não acredito na forma que está sendo empregada.50% das vagas federais para alunos de escola pública, onde a maioria (salvo raríssimas exceções)nunca adquiriu o hábito de estudar.Então das duas uma, ou ficam pelo caminho, ou a Universidade põe o pé no freio.Acho que o correto seria seguir o modelo americano, sem vestibular, mas levasse em conta a nota dos alunos desde a pré-escola, assim os alunos se manteriam motivados sempre.

Débora Pinheiro Donato

Primeiramente, gostaria de dizer que lamento que professores brasileiros recorram as ideias de um colega de uma outra pátria. No Brasil há sim inúmeros intelectuais com igual e maior competência na área da educação. Mais uma vez, coloca-se em prática o velho ditado de que “a grama do vizinho é mais verde”…

O segundo ponto é que a grande parte dos professores neste país conhece plenamente quais são os problemas cotidianos do ensino, porém, mesmo tendo vontade de mudar a situação, não sabem como lutar. E para lutar, existem os sindicatos, os movimentos sociais. Não adianta nada só postar um comentário em um site. É preciso sair da inércia!

Jailton Correia da Silvs

É muito bom quando as esolas dão suporte para que seus professores possam usar das tecnologias atuais para dinamizar suas aulas, e , consequentemente estimular assim a vontade de apresnder dos alunos.

Letícia Maria de Andrade Pires

Concordo plenamente com o que está exposto no texto. e com as ideias de Will Richardson. Os problemas de lá são os mesmos daqui. Porém é triste constatar que mentes que pensam assim são imediatamente caladas, antes mesmo de se falar qualquer coisa. O sistema acha tudo isso muito bonito no papel. Mas somos avaliados por colegas que não comungam da mesma ideia, por chefias que dentro da escola não concordam com projetos inovadores. O bagunçar então, nem pensar…até arrepiam

Ana Maria Amaral

Infelizmente o” custo” dessas mudanças não nos deixa opção… E choramos em fila neste lamento demorado aguardando atenção daqueles que podem mudar o curso desta história. Aposento-me em 2013, sinto o cansaço dos colegas que estão saindo e a descrença dos que chegam. Rogo aos ceus que estes gritos se façam ouvir, e, que a ele se juntem os educadores de boa fé. Mundanças urgentes “ainda que tarde…”

Marister Carvalho

Gostaria de poder compartilhar em meu site e nos grupos que faço parte e em que adminstro no facebook . Eu concordo plenamente com o autor. Tenho Projeto e Idéias, mas não nos deixam implementá-los. Minam nossos conhecimentos adquiridos e competências, não nos dando tempo para planejar, projetar e implementar. A estruttura da Educação está completamente ultrapassada, mas muitos ainda se valem dela para beneficiarem a seus próprios interesses ou de amigos(a) e a burocracia ajuda muito nisso também. É um jogo de poder e de interesses diversos! é um @:/ nem símbolos utilizados pelos jovens na Internet nos ensinam exemplo =) ;/ :/ :
O

Adrienne Machado Costa

Se eu falar a ideia que tenho em mente de um “modelo” de escola, muitos diriam que estou louca…Mas seria diferente até em relação à super-dotação e em relação a alunos que tem facilidade de aprendizagem…

Eucrísia Pereira dos santos cr

Eu acredito na força das mudanças. Quando eu era adolescente, boa era a escola pública, em minha cidade ia para particular em Vg quem fugia da “bomba”,pp(pagou passou). Com o tempo a escola pública foi se deteriorando, disseram que era para todos, puseram todos dentro da escola porém não ofereceram qualidade, agora é pqj(passa de qualquer jeito).Boas e cada vez mais caras ficaram as particulares.Eu penso que as Universidades estão indo para o mesmo caminho, sempre as federais é que eram qualitativas, hj difícil é entrar nelas, depois, balela.Não sou contra a iniciativa do governo em relação ao Sisu, mas não acredito na forma que está sendo empregada.50% das vagas federais para alunos de escola pública, onde a maioria (salvo raríssimas exceções)nunca adquiriu o hábito de estudar.Então das duas uma, ou ficam pelo caminho, ou a Universidade põe o pé no freio.Acho que o correto seria seguir o modelo americano, sem vestibular, mas levasse em conta a nota dos alunos desde a pré-escola, assim os alunos se manteriam motivados sempre.

vanilda machado de carvalho

Estou vivendo este momento .Trabalho na rede estadual de ensino,modalidade EJA.
Faço parte da equipe SEJA onde está sendo instalado um novo método.As TICs estão
fazendo parte do nosso cotidiano,a cada dia é um novo desafio. O material acima foi um enorme incentivo para esta etapa da minha vida profissional.

JOSÉ CARLOS LIMA

Ótima reportagem, diariamente temos que entender que seremos sempre felizes aprendizes, a troca da TIC, como parametro de entendimento é fundamental para mantermos atentos que o trabalho do professor é de gestor de salas de aula.

Ana Lopes

Excelente reportagem! Alguém já disse que os melhores professores são também excelentes aprendizes. Ou seria o contrário? Bem, acho que dá no mesmo.
Uma coisa que eu percebo é que alguns professores se esquecem das durezas do caminho que percorreram para saber o que sabem. Como já sabem, acham tudo óbvio e perdem a sensibilidade para entender o ponto de vista de quem ainda não sabe.
É por aí que eu vejo importância enorme do professor estar sempre aprendendo alguma coisa nova. Ele precisa ser sempre lembrado de como é complicado enfrentar um conhecimento novo pela primeira vez.

Maria Silka Rocha Agostini

Eu concordo em parte de que não se deva prorizar a sala de aula em termos de espaço fisico para a aprendizagem. Mas acho que esse espaço fisíco também ´funciona como uma mola de aprendizagem voltada para o contato um com o outro, gerando um processo de socialização. Acho que tem muita coisa, que ainda tem que ser pensado…

Maria de Lourdes Steinmetz

Está mais do que na hora de alguém gritar pela mudança na educação. Excelente reportagem, precisamos avançar urgentemente. Só vejo realmente mudanças na educação, quando incluirmos nas grades curriculares uma disciplina chamada educação emcional, a espiritualidade o cuidado do ser pela experiência de trabalho que realizo com alunos me mostra isso. Hoje temos uma clientela muito diferente sim, que vem exigindo muito dos professores, mas o que mais me preocupa é o estado emocional das crianças muitos problemas famiiares, crianças sofrendo muito por separações mal resolvidos, crianças em depressão, outras sofrendo por abuso sexual muito mais do que imaginamos, trabalho num projeto diferenciado em duas escolas com meditação e relaxamento e atendimento individualizado onde os alunos podem contar seus problemas, suas frustrações, e também aplico reiki gostaria de poder contar a minha experiência de trabalho algum dia. Precisamos mudar e mudar muito.

zabelle crisna

professoras[es] totalmente fora da realidade virtual, escolas que proibem celular, na escola, está fora do contexto mundial.

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