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Inovações em Educação

TIC Educação mostra aumento no uso da internet pelo celular para fim pedagógico

Pesquisa aponta que mais de um terço dos docentes diz utilizar o dispositivo em atividades com alunos. Apesar disso, metade das escolas públicas continua com banda larga insuficiente

por Anna Luiza Guimarães 30 de setembro de 2016

O uso da internet pelo celular é uma realidade da cultura digital e já é tendência também nas escolas brasileiras. A sexta edição da pesquisa TIC Educação (clique para baixar apresentação), realizada pelo Cetic.br (Comitê Gestor da Internet no Brasil), mostrou que mais de um terço dos docentes, 39%, afirma utilizar o dispositivo para realizar alguma atividade com os alunos, sendo 36% de escolas públicas e 46% das privadas.

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Nas áreas urbanas do Brasil, o acesso à internet está em todas as escolas privadas e em 93% das públicas. Apesar da alta conectividade, o uso da rede em sala de aula está disponível em 43% das escolas públicas e em 72% das escolas privadas.

“O uso da internet nas escolas ainda está muito concentrado em espaços onde os alunos não estão presentes. Sala de diretores e professores, por exemplo”, afirma Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br.

Ainda segundo Barbosa, um fator limitador também é a capacidade da banda larga nas escolas, que não avançou no último ano: 45% das escolas públicas declararam ter velocidade de até 2 Mbps (Megabits por segundo).

“A infraestrutura também limita esta prática. Com essa banda larga não tem como realizar uma atividade com dispositivos móveis envolvendo muitos alunos”.

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Apesar da conexão Wi-Fi, que tem ligação direta com uso de dispositivos móveis, ter aumentado em escolas públicas e particulares, um dado da pesquisa chama a atenção: na maioria das instituições, o uso da internet móvel é bloqueado para os alunos.

“A grande questão é: como estamos usando a internet para fins pedagógicos? A direção quer evitar que o aluno tenha acesso a internet durante a aula, alegando que isso tira a atenção do professor, mas isso acaba inibindo o uso de práticas inovadoras desses dispositivos”, ressalta Barbosa.

O dado aponta para outro obstáculo apresentado pela pesquisa: a formação de professores. O estudo mostra que 73% dos professores utilizaram computador e internet em ao menos uma das atividades com os alunos (70% entre professores das escolas públicas e 84% das escolas privadas). As atividades mais citadas pelos professores foram: pedir aos alunos a realização de trabalhos sobre temas específicos (59%), solicitar trabalhos em grupo (54%), dar aulas expositivas (52%) e solicitar a realização de exercícios (50%).

Ainda temos uma proporção muito baixa de atividades com o uso da internet. Uma das hipóteses é a falta de habilidade e formação adequada dos professores

“O dado não diz a frequência com que essas atividades são feitas. De qualquer modo, uma reflexão para as políticas públicas: ainda temos uma proporção muito baixa de atividades com o uso da internet. Uma das hipóteses é a falta de habilidade e formação adequada dos professores. É preciso usar tecnologias que incentivem a participação dos alunos”.

Apenas 39% dos professores afirmaram ter cursado uma disciplina específica na graduação sobre o uso de tecnologia em atividades pedagógicas, sendo que, entre os entrevistados com idade inferior a 30 anos, esse número sobe para 54%.

A pesquisa aponta uma direção para o tema: é preciso investir nas redes de colaboração entre os educadores. No estudo, 70% dos professores afirmaram aprender a utilizar computador e internet por meio de contatos informais com outros professores e 44% com algum grupo de professores da própria escola.

“O professor busca informação sobre o uso pedagógico da internet com outros professores e até mesmo com seus alunos. Percebemos que, mesmo tendo uma infraestrutura melhor nas escolas privadas, todos os professores têm a mesma atitude e interesse sobre o uso de tecnologias”.

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Segurança na internet

O uso responsável da rede é um dos principais assuntos da cultura digital atualmente. Apesar disso, a pesquisa do Cetic.br mostra que apenas 20% das escolas particulares e 51% das privadas tiveram algum tipo de curso ou palestra sobre o tema em 2015.

O estudo também mostrou que o Marco Civil da Internet, lei que regula o uso da internet no Brasil, é pouco conhecido pelos gestores. Apenas 14% nas escolas públicas e 19% nas particulares tinham conhecimento sobre o assunto.

“Nos últimos 15 anos, as políticas públicas avançaram na infraestrutura tecnológica das escolas. Agora, precisamos investir na dimensão e qualidade do uso. A escola precisa ser também um espaço formador da cidadania digital”, avalia Alexandre Barbosa.

O objetivo da pesquisa é monitorar anualmente o uso e a apropriação das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) pelos atores do sistema de ensino, em escolas públicas e privadas do Ensino fundamental e médio, de áreas urbanas, com ênfase para as atividades de ensino, aprendizagem e gestão escolar. A coleta de dados foi realizada entre os meses de setembro e dezembro de 2015, a partir de entrevistas com 898 diretores, 861 coordenadores pedagógicos, 1.631 professores e 9.213 alunos.

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conectividade, dispositivos móveis, ensino fundamental, ensino médio, infraestrutura, tecnologia