Crédito: Cena da animação Òrun Àiyé – A criação do mundo

O cinema, quando integrado ao ambiente escolar, é um grande aliado para promover o debate sobre temas importantes para a sociedade sob diferentes perspectivas, além de apresentar teorias e conceitos dentro de situações do mundo real.

Dedicada a produções nacionais, a plataforma Itaú Cultural Play é gratuita e oferece um catálogo diversificado de produções nacionais, incluindo curtas-metragens, programas de televisão, festivais e obras audiovisuais de instituições parceiras.

Neste mês da Consciência Negra, o Porvir selecionou alguns títulos que mostram a riqueza da cultura negra em diferentes regiões do país. As obras abordam temas como música, afro-religiosidade e biografias de personalidades marcantes, como os cantores Gilberto Gil e Itamar Assumpção. A seleção também reúne produções sobre a arte nas grandes cidades, o racismo e a falta de representatividade negra na televisão. Confira os filmes e documentários selecionados.

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O fio da memória (1991)

Classificação indicativa: Livre | Direção: Eduardo Coutinho | Duração: 120 minutos

Segundo documentário de longa-metragem de Eduardo Coutinho (1933-2014), O fio da memória trata da experiência negra no Brasil a partir de dois eixos: as criações do imaginário na cultura e a realidade do racismo e da marginalização. O filme parte da história de Gabriel Joaquim dos Santos (1892-1985), homem negro e ex-escravizado que se tornou artista popular ao criar objetos de decoração com materiais como pedaços de azulejos, lâmpadas e cacos de vidro. Com esses elementos, construiu a Casa da Flor, conjunto cultural tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

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Gilberto Gil – Tempo rei (1996)

Classificação indicativa: Livre | Direção: Andrucha Waddington, Breno Silveira e Lula Buarque de Hollanda | Duração: 105 minutos

Em sua cidade natal, Ituaçu, no interior da Bahia, à qual não voltava desde 1951, Gilberto Gil revisita sua infância, reconhece a casa em que morava e reencontra antigos vizinhos. Lançado em 1999, em comemoração aos 30 anos de carreira, Tempo rei mescla música e histórias contadas por Gil sobre sua trajetória. Stevie Wonder, Caetano Veloso e Carlinhos Brown estão entre os entrevistados.

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A negação do Brasil (2000)

Classificação indicativa: Livre | Direção: Joel Zito Araújo | Duração: 90 minutos

Com a participação de grandes atrizes e atores negros, como Milton Gonçalves, Léa Garcia, Zezé Motta e Ruth de Souza, o diretor Joel Zito Araújo aborda estereótipos e preconceito racial na teledramaturgia a partir dos anos 1960. O documentário é também um manifesto pela representatividade negra na televisão brasileira.

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Do que aprendi com minhas mais velhas (2017)

Classificação indicativa: Livre | Direção: Fernanda Júlia Onisajé e Susan Kalik | Duração: 26 minutos

Os saberes ancestrais, o resgate dos laços familiares e a tradição oral são o destaque deste curta-metragem, que reúne narrativas e ritos do candomblé. Vencedor do Prêmio Aquisição SescTV no CineBaru – Mostra Sagarana de Cinema 2018, o filme aborda memórias que acompanham mulheres em diferentes terreiros.

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Aqui favela, o rap representa (2003)

Classificação indicativa: 12 anos | Direção: Junia Torres e Rodrigo Siqueira | Duração: 83 minutos

O documentário revela os caminhos do rap, uma das expressões musicais mais importantes do país, em São Paulo e Belo Horizonte. Entre as entrevistas com cantores e compositores renomados, como Mano Brown e Thaide, o filme ouve jovens artistas e moradores das duas cidades, que debatem essa manifestação cultural e a influência da música em suas comunidades.

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Café com canela (2017)

Classificação indicativa: 14 anos | Direção: Ary Rosa e Glenda Nicácio | Duração: 100 minutos

Filmado no Recôncavo Baiano com atores e equipe local, o longa-metragem aborda o luto e a superação. Dirigido por uma mulher negra, o filme tem duas atrizes negras como protagonistas. Após perder o filho, Margarida passa a viver isolada da sociedade, separa-se do marido, Paulo, e perde o contato com amigos e pessoas próximas, até que uma ex-aluna bate à sua porta. Em sala de aula, a obra pode render debates sobre educação antirracista e diversidade, como destaca a formadora de professores em audiovisual Claudia Mogadouro nesta lista publicada pelo Porvir.

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Daquele instante em diante (2010)

Classificação indicativa: 12 anos | Direção: Rogério Velloso | Duração: 109 minutos

“Ninguém sai incólume de um show de Itamar.” A frase é dita por uma das parceiras musicais de Itamar Assumpção (1949-2003) neste documentário sobre a vida e a obra do instrumentista, arranjador e produtor musical brasileiro. Também conhecido como Nego Dito, ele colocou sua arte acima das exigências do mercado. O Museu Itamar Assumpção é o primeiro museu virtual brasileiro dedicado a homenagear um artista negro.

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Onde aprendo a falar com o vento (2022)

Classificação indicativa: Livre | Direção: André Anastácio e Victor Dias | Duração: 26 minutos

Inspirados pelo Reinado, manifestação religiosa afro-brasileira, crianças e adolescentes de Oliveira, em Minas Gerais, criam o “Reinadinho”. Orientados por Capitã Pedrina, eles conhecem mais sobre seus antepassados e refletem sobre identidade, o papel da escola e as tradições afro-diaspóricas na educação. Onde aprendo a falar com o vento foi um dos seis vencedores do Edital Conexão Juventudes, realizado pelo Instituto Unibanco. Os filmes selecionados retratam o cotidiano de jovens estudantes e abordam temas como imigração, acesso à internet, violência e educação indígena e afrocentrada.

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Òrun Àiyé – A criação do mundo

Classificação indicativa: Livre | Direção: Jamile Coelho e Cintia Maria | Duração: 12 minutos

Utilizando diferentes técnicas de animação e um olhar feminino, as jovens diretoras celebram a importância da cultura afro-brasileira como espaço de preservação da memória. Um avô narra à neta a história da criação do mundo e dos seres humanos segundo a mitologia iorubá. Como um antigo contador de histórias, ele apresenta a jornada dos orixás e os conflitos desse episódio de nascimento, no qual homens e mulheres são moldados a partir do barro.

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Chico Rei entre nós (2020)

Classificação indicativa: 12 anos | Direção: Joyce Prado | Duração: 94 minutos

Vencedor do prêmio de Melhor Documentário Brasileiro na 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o filme narra a história de um lendário rei congolês que teria sido trazido à força de sua terra e escravizado no Brasil em meados do século 18. Segundo a tradição, ele comprou a própria liberdade e se tornou rei em Ouro Preto (MG). Em reconhecimento, outros escravizados cuja liberdade teria ajudado a conquistar o coroaram em uma cerimônia que ficou conhecida como “Reinado”. Pouco documentada, a jornada de Chico Rei, ou Galanga, permaneceu na memória oral e foi transmitida de geração em geração. Com trilha sonora de Emicida, o filme debate a formação e as desigualdades do Brasil.

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Jornalista especializada em educomunicação, com estudos em mídia e cultura na América Latina. Trabalhou no Instituto Paulo Freire, onde aprofundou seu compromisso com a EJA e a educação em direitos humanos. No Porvir, escreve para todas as editorias....

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