Entender a sala de aula como um local flexível é um dos primeiros passos para se pensar a diversificação das práticas pedagógicas. A mudança, no entanto, não deve acontecer de forma isolada e precisa estar inserida dentro de uma proposta política e pedagógica. “É fundamental que antes de pensar os espaços se discuta a concepção de educação colocada, bem como o que se pretende com os sujeitos ali presentes”, considera a professora Sandra Caldeira, mestre e doutora em História da Educação.

Isso porque a disposição da sala de aula e dos demais espaços educativos pode chancelar ou refutar uma proposta pedagógica. A disposição das carteiras, por exemplo, é um dos aspectos mais visíveis. “O modelo das cadeiras enfileiradas aponta para uma educação centralizada no professor, que o coloca na posição de detentor do conhecimento e direciona todos olhos e corpos a ele”, comenta Andrea Zica.

Em sua leitura, essa estrutura não atende às propostas educativas dialógicas, em que o professor se apresenta como mediador do conhecimento. “Nesse caso, espera-se que o professor saia desse lugar central e busque integrar-se ao grupo dos estudantes”, observa.

Outro ponto a se considerar é o tipo de relação que se espera que os estudantes construam com os objetos de conhecimento. Aqui, podem valer propostas em contextos individuais ou coletivos. “Tem momento que é necessário que eles estejam sozinhos frente ao conhecimento, caso de atividades que pedem uma concentração maior ou que demandam que os alunos identifiquem seu próprio grau de aprendizagem; mas também há situações em que trabalhar com o outro é fundamental para que essa relação se estabeleça; ou ainda que o professor seja fundamental na dinâmica”, considera Andrea.

A educadora reforça que nenhum arranjo deve ser validado como o mais importante sem que haja uma experimentação por parte da escola, que também tem o papel de descartá-lo, quando necessário. “Cada grupo é um encontro de pessoas, o que imprime características diferentes. Estar com o outro é uma aprendizagem constante, que muda o tempo todo”, reconhece.

Nas aulas de Língua Portuguesa e Literatura da professora Andrea Zica, docente do Instituto Casa Viva, em Belo Horizonte, por exemplo, a regra é não ter regra em relação à organização da sala de aula. Um dia, os estudantes estão organizados em formato de U. No outro, com as carteiras agrupadas. Também não são raras as vezes em que eles fazem suas leituras deitados sobre o jardim do Museu Histórico Abílio Barreto, vizinho à escola.

“A dinâmica da aula se dá em função da minha intencionalidade pedagógica”, explica a educadora que chega a trabalhar com cinco arranjos diferentes de sala de aula por semana, todos previamente pactuados com os estudantes.

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A importância dos arranjos integrais

Para a educadora Sandra Caldeira, repensar as dinâmicas da sala de aula e dos espaços educativos é uma forma de romper com um importante paradigma educacional. “A vida é movimento e o que fazemos é colocar esses estudantes sentados desde muito cedo, “segregando” a cabeça do corpo, privado de movimento. Precisamos produzir referências mais integrais, que trabalhem a razão em sintonia com a emoção desses alunos”, coloca, mencionando um dos principais desafios das escolas.

Andrea concorda e opina que a educação tradicional exige das infâncias e das juventudes uma presença “artificial” do corpo. “Quando você tira a cadeira, esse corpo vai se mostrar de uma maneira diferente”, observa a educadora.

Nesse sentido, a arquiteta, urbanista, pesquisadora e diretora do ateliê Cenários Pedagógicos, Beatriz Goulart, aposta no uso de mobiliários modulares e mais flexíveis. “Quanto mais essas peças forem leves, desmontáveis, mais fácil fica propor essas mudanças”.

Ela também reconhece que esses processos de mudança nem sempre são fáceis, “afinal, estamos propondo mexer numa estrutura que foi feita para ficar para sempre”, coloca se referindo ao modelo da sala de aula. No entanto, acredita que a customização pode ser uma boa saída a esses ambientes.

Para além dos espaços

Repensar a disposição e utilização dos espaços não precisa se encerrar nas dependências escolares. As especialistas acreditam que o território no qual a escola está inserida também precisa ser levado em conta. Para elas, tão importante quanto a disponibilidade para repensar arranjos internos é a disposição da escola de entender a circulação e acesso pela cidade como um direito fundamental dos estudantes.  Cabe à escola, então, propor utilizações de espaços públicos, como parques e praças, e demais equipamentos, como museus e casas de cultura, dentro do seu arranjo curricular.

“É importante fazer um reconhecimento do local, conversar com as pessoas que frequentam e pensar modos diferenciados de abordagem, sempre tendo em vista os interesses e as fases do desenvolvimento dos estudantes”, elenca Sandra.

* Publicado originalmente no Centro de Referências em Educação Integral e reproduzido mediante autorização. 

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60 Comments

  1. A intencionalidade educativa é fundamental na prática pedagógica do professor. A sala de aula deve constituir-se como espaço de aprendizagem e desenvolvimento, em que as crianças recebem, respondem e participam ativamente na construção de um conhecimento partilhado.
    Ao ter esta intencionalidade educativa, o professor tem em consideração as necessidades/interesses dos alunos, por forma a assegurar a aquisição de conhecimentos e o desenvolvimento de capacidades/competências.

  2. As vezes ficamos em formação de círculo, era muito bom….trocavamos mais experiências….bem produtivo…

  3. trabalho com duas turmas de terceiro ano do ensino fundamental. Como é uma fase de alfabetização ainda , montei em minha sala um canto com materiais lúdicos, caixas com livros para leitura e alguns jogos educativos.
    Hoje quando cheguei para trabalhar , simplesmente a diretora tinha mandado desmanchar esse meu canto, e sem nem ao menos me dar uma satisfação. Minha dúvida é , em minha sala de aula , a diretora tem esse poder? TUDO QUE LEIO DIZ QUE NA SALA QUEM MANDA É O PROFESSOR. Me ajudem a esclarecer por favor , pois estou bem chateada .
    Obrigada !!!

  4. Sim, seria interessante a Escola promover uma pesquisa com a comunidade, reunião com os Pais, para saber quais sugestões poderiam ser realizada para que tivesse na Escola espaços Culturais, saber qual opinião, sugestão, e se podem colaborar; Também seria interessante a participação dos professores de Artes.

  5. A dificuldade é que as salas de aula são construídas para o trabalho com fileiras. Outros arranjos demandam mais espaço, ficando inviável pelo número de alunos por sala de aula.

    1. Podemos sentar no chão ou sair da sala. Tudo bem se forem alunos com mais autonomia. Se não podemos casar aulas com professor de artes e educação física.transversalizando as matérias desde os anos iniciais. O novo currículo nos permite a continuidade dos assuntos.

  6. Organização em forma de U, círculo e tradicional. Grande quantidade de alunos para o tamanho da sala, onde dificulta outras alternativas.

  7. Colocar os alunos em semicírculos de forma que todos se vejam, e que a interação seja olho no olho.

  8. Trabalhar de modo diversificado já está nas entranhas, uma vez que nossa clientela também é diversificada em sala de aula. Gosto muito da estação rotacional abrindo um amplo leque de oportunidades para o aluno tornando- o protagonista fo saber.

  9. Dependendo da intencionalidade do professor a sala pode ser disposta de maneiras diferentes. É interessante, no entanto, deixar a turma à vontade em debates entre si, com o professor como mediador.

    1. Concordo plenamente, acredito que não se trata de um unico formato, mas um leque de possibilidades; dependendo do espasso físico e da intecionalidade peagogica.

  10. Prezados,

    Ao constructo do conhecimento desta nova geração, onde o ensino hibrído já nasceu obsoleto, entendo que nós professores passamos de condutores a mapas do conhecimento. Deixar os alunos decidirem que caminhos vão tomar e pegarmos carona nesta viajem (visão) é o que nos aproximará de novas formas de aprender e porque não de compartilhar conhecimento e discutir suas aplicabilidades. A falta de hierarquia do mundo moderno ainda não se instalou nos LICEUS.

  11. Gosto de trabalhar com a turma em círculo fica mais interativo e possibilita a participação dos alunos no assunto trabalhado levando a reflexão e oportunidade de mais conhecimento entre os próprios alunos e o professor.

  12. O trabalho de Planejamento educacional exige que nós professores pensemos e repensemos acerca das diversas formas de apresentar o tema estudado. Assim, ao elaborar um plano de aula, importante se faz compreender a melhor abordagem para que os estudantes compreendam formas de desenvolver as atividades propostas. O professor propõe um planejamento ou desenhe seu plano de aula com um olhar voltado para uma metodologia eficaz e eficiente.

  13. Do ponto de vista da organização da sala, depende muito da metodologia utilizada. Muitas vezes gosto de fazer um grande círculo, onde os estudantes apresentam suas aprendizagens após a leitura de um tema.

  14. Na minha sala de aula, procuro fazer com meus alunos se sintam capazes de interagir com os colegas e professor deixando o ambiente da sala mais propício à aprendizagem dos mesmos.

    1. Com a minha turma, costumo trabalhar em círculo ou forma de U. Uso a forma tradicional também, dependendo da intencionalidade da aula. Acho muito importante, que os alunos se sintam a vontade e sejam capazes de interagir com os colegas e professor. Portanto, o ambiente da sala de aula, deve ser propício à aprendizagem dos mesmos.

  15. As formas de organização são muito boas, porém temos que verificar qual a mais adequada a cada formato estrutural do ambiente e a quantidade de alunos que temos em sala de aula

  16. A organização da sala depende muito da proposta da atividade do dia,é vai sempre mudando de acordo com o que ele planejou.

  17. É muito bom diversificar a sala de aula possibulitando nivas experiências de aprendizagem para os alunos. Mas infelizmente nem toda sala permite essas organizações.

  18. A dificuldade é que as salas de aula são construídas para o trabalho com carteiras enfileiradas. Outros arranjos demandam mais espaço, ficando inviável pelo número de alunos por sala de aula.
    Aqui na minha cidade temos o espaço do CEDEMP, que é o exato exemplo de sala que vocês usaram na atividade, mesas redondas ,pufs , computadores, tomadas disponíveis para outros dispositivos moveis que podem ser usados na sala de aula.

  19. É fundamental a prática pedagógica e a metodologia do.professor no desenvolvimento e aprendizagem do aluno

  20. Prefiro a sala em formado de U, contudo algumas vezes trabalho em grupos. Depende muito da necessidade e do envolvimento da turma. Porém, a quantidade de alunos interfere no processo.

  21. Muito bom esse esclarecimento sobre a organização da sala de aula, de fato tudo que fazemos dentro da sala de aula deve ser pensado na aprendizagem dos alunos

  22. O ambiente da sala de aula é muito importante para o aprendizado dos nossos alunos.

  23. Excelente texto sobre a importancia do espaço da sala de aula para a apredendizagem.

  24. Já tive a experiência de trabalhar no início de minha carreira em uma escola de Ensino Fundamental Montessoriana na qual os espaços são utilizados de diferentes maneira todos eles com o propósito de atender aos objetivos da proposta pegagogica. Hoje na minha prática em sala de aula, tento de alguma forma fazer diferentes arranjos buscando aproveitar os vários ambientes da sala de aula como sendo mais um recurso pegagogico.

  25. A organização da sala assume papel importante no desenvolvimento de uma aula. Possibilitar aos estudantes diferentes ambientes de aprendizagem no espaço da sala de aula, provoca no aluno um sentimento autogerencial da aprendizagem e consequentemente a construção de pontes para o enriquecimento do conhecimento e a descobertas de novos saberes. O estudante percebe que é capaz de protagonizar o seu percurso de aprendizagem de maneira leve e significativa.

  26. Em minha sala no 4° ano fundamental, eu distribuía em U, e em círculo as carteiras e realmente as aulas fluiam…

  27. Vi um comentário sobre a construção das salas de aula. Quando a turma é pequena, tem como mudar as posições das carteiras, eu vejo resultado quando os alunos ficam em círculo ou quando afastamos as carteiras e sentamos em círculo para debates. Como às salas de aula são construídas para o trabalho com fileiras, deveriam ser construídas as próximas escolas, com outras medidas, com circunferência na construção.

  28. Sempre trabalhei com diferentes modos de dispor os mobiliário para melhor interação com os alunos e com os grupos.

  29. Gostei muito dessa leitura pois nos orienta como transformar a sala de aula num ambiente flexível para a aprendizagem dos nossos alunos.

  30. Mudar a disposição das carteiras e de espaço ( pátio, biblioteca, áreas verdes…) torna a aprendizagem mais prazerosa e flexível.

  31. Realmente, a organização do espaço interfere na prática docente ou melhor, faz parte de uma opção pedagógica e política. Na Educação Infantil, procuro dispor as mesinhas com 04 cadeiras em cada, o que permite às crianças terem mais contato.

  32. E muito importante a interação entre as crianças para maior entendimento com a mediação do professor

  33. É de extrema importância manter o ambiente escolar de forma segura, cumprindo todos os protocolos de segurança.

  34. Acredito que a organização da sala de aula , seja de grande importância, e em diversos momentos podemos muda-las de acordo com o objetivo proposto para a aula.

  35. É muito importante pensar os espaço da sala de aula e demais dependências da escola. Facilita muito para o aluno em sua aprendizagem e interação, também para o desenvolvimento do trabalho do professor. Já que na maioria das vezes, principalmente com o ensino em tempo integral, a escola se torna nossa segunda casa.
    Não só proporciona melhora na aprendizagem, mas também na postura corporal da criança e adolescente, promovendo melhoras na sua qualidade de vida.

  36. Gosto muito de trabalhar a organização da sala em duplas e realizar o rodízio dessas duplas. como lecionei muitos anos com a alfabetização, a troca entre as crianças é muito enriquecedora e possibilita muitos questionamentos e descobertas. Infelizmente com a pandemia não podemos organizar dessa forma em função das medidas de segurança no combate à disseminação do Covid.

  37. Gosto da organização em U, os alunos conseguem fazer trocas e ter eu professora mediando e orientando

  38. Trabalho em uma turma de 3º ano do ensino fundamental- I, muitos alunos ainda estão no inicio de sua alfabetização. Gosto muito de trabalhar em círculos, em fileiras ,as vezes formo grupos de quatro, tenho uma sala de aula bem satisfatória. E meus alunos gostam muito de trabalhar em duplas.

  39. Estou sempre organizando a sala de aula de maneiras diferentes, trabalho em fileiras ,em circulo, é muito importante na troca de experiência e também para o aprendizados dos alunos. Variando as formas de como os alunos sentam na sala de aula ajuda muito na interação uns com os outros.

  40. Podemos sentar no chão ou sair da sala. Tudo bem se forem alunos com mais autonomia. Se não podemos casar aulas com professor de artes e educação física.transversalizando as matérias desde os anos iniciais. O novo currículo nos permite a continuidade dos assuntos.

  41. Apresentar aos professores dados e evidencias de que, a depender da disposição das carteiras e da metodologia que ele aplica nas aulas, influenciam na aprendizagem dos alunos. Portanto, o diálogo deve ser constante e as reflexões devem ser levadas para as reuniões de áreas.

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