“Alguns políticos veem isso como uma ferramenta efetiva para ganhar votos”, explicou Kalyn Belsha, repórter de educação do site Chalkbeat referindo-se ao movimento Don’t say gay, que proíbe que os direitos LGBTQIA+ sejam abordados em escolas dos Estados Unidos em mesa do 6º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação.

Para ela, há uma relação clara entre esse comportamento dos políticos e as ideias defendidas pelo ex-presidente Donald Trump: “Ele deflagrou o que está acontecendo agora. Senadores que o apoiam estão continuando o trabalho iniciado por ele”.

Durante sua conversa com Mariana Tokarnia, repórter da Agência Brasil e vice-presidente da Jeduca, e Josué Ferreira, assessor de comunicação em Respostas a Crises Humanitárias na World Vision Internacional (Visão Mundial Internacional) no Brasil, a jornalista norte-americana trouxe detalhes de como as novas leis sobre gênero e sexualidade em alguns estados dos Estados Unidos – entre eles a Flórida – estão afetando estudantes e professores, além de falar os desafios na cobertura do tema.

Segundo a jornalista, a lei impacta os ensinos de história e de saúde para crianças e adolescentes, além de ultrapassar a escola em si. Confira como foi o encontro:

https://livestream.com/accounts/10299897/events/10609245/videos/232907132

“Os professores e alunos estão tentando navegar nisso, entender o que podem fazer”, relatou. “Geralmente, os alunos se sentem menos acolhidos do que se sentiam antes”. Ainda faltam estudos nacionais que considerem esta população em seus levantamentos, principalmente quanto a dados na educação.

Contudo, a jornalista já percebe a diferença nas entrevistas que realiza com os estudantes. “Os alunos, é importante conversar com eles. Dão essa visão do que foi antes e depois”, contou. Em relação aos professores, destacou as ameaças embutidas nas leis estaduais, inclusive de revogação da licença para dar aulas.

A repórter Kalyn Belsha participou a distância do congresso (Crédito: Alice Vergueiro/Jeduca)

Cuidados na cobertura

Ela explicou alguns cuidados que toma ao entrevistar profissionais da educação. “Não uso meios oficiais. Uso as redes sociais, pergunto o contato para pessoas que conhecem eles, e não uso a escola”, diz Kalyn Belsha. 

Além disso, Kalyn sempre escreve uma longa explicação sobre quem é, como atua no jornalismo, matérias que já fez e como protege as informações dos alunos. Ela acompanha guias e grupos de jornalistas focados nos direitos LGBTQIA + e ressaltou a importância de desenvolver a confiança com os entrevistados. A jornalista considera suas fontes sensíveis, e inclusive mostra perguntas básicas da entrevista com antecedência, para prepará-los para a conversa. “Tento ser transparente sobre essa história, o que vou contar”.

*Edição: Anelize Moreira
Texto originalmente publicado no site da Jeduca e reproduzido com autorização.

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