Implementar o uso de TIC nas escolas e esperar que as ferramentas por si só transformem a educação é um dos erros mais comuns cometidos há mais de 20 anos pelos países da América Latina. De acordo com o chileno Eugenio Severin, especialista em tecnologia e educação, “continuamos comprando essas ferramentas como se fossem pílulas mágicas que, de uma hora para a outra, resolverão todos os problemas de currículo, formação de professores etc.”.
Severin, que foi consultor do BID para a América Latina, apresenta em sua palestra na Série de Diálogos O Futuro se Aprende – Tecnologia na Educação, promovida pelo Inspirare, pelo Porvir e pela Fundação Telefonica Vivo, os desafios de se avaliar os usos das TIC nas escolas. “Para começar, não há quase nenhum estudo disponível, dentro de padrões científicos, que comprove o impacto das tecnologias nesses países.”
Outra questão está ligada ao desafio tempo versus resultado. Segundo ele, o mais comum é tentar medir o impacto em disciplinas como matemática, ciências e língua portuguesa, que já possuem provas padronizadas. “Sabemos que o impacto nessas disciplinas demora mais do que em outras áreas. As pessoas implementam as tecnologias e querem resultados em um ano. Na educação, os processos não são tão rápidos. É preciso saber administrar os prazos e as frustrações.”
Um dos caminhos apontados pelo especialista é atentar mais ao conteúdo do que à forma. “A maioria dos projetos ainda se preocupa com a infraestrutura e não tem objetivos claros de onde quer chegar e nem como irá medir os resultados.”
Confira o vídeo da apresentação de Severin, em espanhol.
Veja também entrevista de Severin ao Porvir
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