“Formação de professor boa é contínua e prática”
Exemplos bem sucedidos apostam na capacitação como um processo e ocupam tempo do docente na escola
por Patrícia Gomes 15 de abril de 2013
Ser professor, ninguém duvida, não é nada fácil. Gasta-se um tempo precioso com burocracias da sala de aula, com dificuldades de infraestrutura, com a elaboração das aulas. A formação que os professores recebem na universidade, muito frequentemente, não é a que mais bem prepara para a vida real. Mais recentemente, os docentes ainda têm tido de repensar seu papel na educação, tornando-se mais um mediador do aprendizado que um detentor do conteúdo. O panorama até pode parecer desalentador, mas será que dá para ajudar o professor a oferecer para seu aluno a melhor oportunidade de aprendizado possível? Algumas instituições daqui e de fora têm encontrado formas de responder a esse desafio, que normalmente passam por uma formação entendida como um processo de desenvolvimento e por momentos sistemáticos de troca de experiências.
“O que faz a diferença numa boa formação de professores é que ela seja contínua e acompanhe a prática”, afirma Mila Molina, coordenadora de projetos da área de formação de professores da Fundação Lemann. A instituição leva capacitação a partir de práticas inovadoras a professores de três redes públicas no interior de São Paulo. “O professor se sente muito solitário em sala de aula. Quando ele é apoiado por um programa contínuo, ele sente que tem alguém com quem compartilhar experiências e tirar dúvidas”, diz a educadora. Ela lembra que, no Brasil, a lei 11.738, conhecida como lei do piso, estabelece que o professor dedique 1/3 da sua carga horária fora da sala de aula, em momentos voltados para a sua capacitação e preparação de aulas. “Infelizmente, a gente sabe que não é isso que acontece. Ele gasta esse tempo resolvendo problemas administrativos”, afirma.
É exatamente nesse espaço de tempo que o programa da Fundação Lemann acontece. E a instituição não está só. Internacionalmente, High Tech High e a Summit, que estiveram presentes no Transformar, também encontraram suas formas de trazer para o dia a dia da escola momentos significativos para o desenvolvimento do professor. Assim, na Summit, os professores dedicam dois meses do ano letivo, janeiro e maio, para seu desenvolvimento profissional. Enquanto os alunos estão na comunidade fazendo estágios, participando de projetos ou oficinas de assuntos que lhes interessam com especialistas, os professores podem se dedicar a si mesmos. Paralelamente, nos demais meses do ano letivo, os professores se reúnem sistematicamente para compartilharem experiências.
Já na High Tech High, escola que parte do seu ensino é baseada em projetos transdisciplinares, os professores novatos recebem uma capacitação inicial de três semanas em que devem desenvolver, eles mesmos, um projeto – tendo, dessa forma, contato prático com a metodologia que vão aplicar dali para frente. Além dessa introdução à educação baseada em projetos, toda a equipe de professores se reúne diariamente antes da chegada dos alunos para discutir possibilidades de trabalho em conjunto. “Nossos professores têm de ser abertos a colaboração, ser flexíveis. Eles estão sempre recebendo feedback sobre seus trabalhos nos encontros que promovemos”, afirma Melissa Agudelo, diretora pedagógica da High Tech High Media Arts. Tanto na High Tech High quanto na Summit, essas reuniões diárias do corpo docente servem para que os professores atuem como designers de currículos, função que os entrega a responsabilidade de criar formas de aprendizado mais condizentes com o século 21 (e que será mais bem desenvolvida em breve aqui no Porvir).
Ainda na High Tech High, há mais uma forma de capacitação para os professores da rede. Os administradores das escolas perceberam que, por melhor que tivesse sido a formação inicial do educador que estava começando a dar aula nas escolas, ainda faltava alguma coisa. Resolveram criar, há cinco anos, a Graduate School dentro de suas próprias dependências para oferecer cursos de pós graduação em educação voltados ao desenvolvimento de líderem em sala de aula e, assim, complementar a formação inicial vinda da universidade.
A preocupação com a formação inicial dos professores também é um grande dilema brasileiro. De acordo com Mila, o país hoje vive um momento de discutir suas escolas de pedagogia. “As faculdades se dedicam muito a passar teorias, mas acabam se afastando da prática”, afirma a especialista. As escolas públicas do distrito canadense de Colúmbia Britânica, que estão entre as melhores do mundo, essa discussão fez que governo e universidades se aproximassem para elaborar um currículo de formação inicial de professor mais condizente com as demandas atuais. “Ser professor hoje é mais difícil do que há dez anos. Precisamos nos preparar”, afirmou Rodderick Allen, superindente de aprendizado e resultados da Secretaria de Educação de Columbia Britânica.
E quando o professor não quer saber de “evoluir”? Conversei uma vez com a nova professora de meu filho, o cinismo e a retórica dela mostraram que o caminho não será fácil. E aí, esperar, enquanto as crianças são desrespeitadas diariamente com exclusões, castigos e ameaças, que algo seja feito? Agir? Difícil mesmo. A solução para nós é a Aprendizagem Natura: homeschool, unschool… Mas ninguém fala disso e quando a mídia aborda, é sempre denegrindo, polemizando qqr forma de de obtenção de conhecimento que não seja dentro de uma instituição supervisionada pelo governo. Há muitas coisas a se esclarecer nesse comércio educacional.
Infelizmente o professor é o “pião do chão de fábrica”da escola. Já fui Coordenadora Pedagógica e Diretora de Escola e nessa época tive oportunidade de participar de reuniões, grupos de estudo, seminários, dentre outros eventos. Hoje, sou professora. Só tenho chance de cumprir o meu tempo de trabalho em sala de aula. Não estudo mais, não participo de nenhum evento fora da sala de aula; não pesquiso; não tenho tempo pedagógico na escola para organizar o trabalho com os alunos. Como sou das poucas que trabalha somente no turno da manhã, faço em casa o que deveria fazer no meu local de trabalho.
Como recurso didático conto mesmo é com o meu conhecimento; o quadro; os livros didáticos e a minha voz.
Parabéns, por esta matéria…….é exatamente essa a ansiedade do professor, ele está sozinho numa sala de aula.( A teoria não condiz com a prática do dia a dia). As trocas de experiências em conjunto, deveriam acontecer em todas as escolas, pois isso melhora a auto estima do professor,motivando a novos encontros. Os quais sao, momentos significativos para que o educador coloque em prática aquilo que recebeu de metodologia e conhecimento . E o estudante terá uma aprendizagem mais condizente com o seu contexto social.
Sou aluno de mestrado a minha linha de pesquisa é Políticas Públicas da Educação a matéria publicada me ajudou bastante.
No Brasil tudo é complicado. Minha pratica de sala de aula tive que aprender quando comecei dar aula. Pois, na universidade fica-se com a teoria, pois é mais fácil. Como que os professores da graduação é pós-graduação de nossas universidades “são professores para formar professores” se muitos nunca pisaram na sala de aula”. Não sabem o que é dar aula para adolescentes e jovens.
Nos concursos nem se pede experiência de sala de aula. Conta-se apenas títulos e a prática fica em 2º plano.