Em plena Copa do Mundo, o futebol ganha ainda mais espaço nas conversas, nas brincadeiras e no imaginário das crianças. Que tal aproveitar esse interesse para transformar o evento em uma experiência divertida de alfabetização?
Com o jogo de tabuleiro “Uma Viagem pela Copa do Mundo”, desenvolvido pelo Porvir, professores alfabetizadores podem trabalhar leitura e escrita de forma lúdica com turmas do 1º e 2º ano do ensino fundamental.
Pensada para ser aplicada em três aulas, a proposta convida os estudantes a percorrerem um tabuleiro inspirado em curiosidades dos 48 países participantes do mundial, enquanto desenvolvem habilidades como identificação de sons iniciais, separação de sílabas e formação de palavras.

Aprendizagem e futebol
Segundo Ellen Regina Romero Barbosa, uma das consultoras pedagógicas do projeto, essa aproximação com o repertório infantil é um dos pontos fortes do jogo. “Para nós, brasileiros, o futebol é mais que uma modalidade esportiva, ele faz parte da nossa identidade nacional. Por si só, já é uma temática acessível aos estudantes, o que favorece a aprendizagem.”
Vinícius de Oliveira, diretor do Porvir, complementa: “O jogo se inspira em um dos esportes mais amados pelas crianças para criar experiências de aprendizagem alinhadas a cada etapa da alfabetização. Em ano de Copa, é uma maneira bem interessante e contextualizada de levar o futebol para a sala”.
“Uma Viagem pela Copa do Mundo” também está conectado à BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e à realidade da sala de aula nos anos iniciais.
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Aprender jogando
A atividade é estruturada em três etapas: preparação, execução e avaliação. No primeiro momento, os alunos conhecem as regras e organizam os grupos. Em seguida, participam do jogo, avançando pelo tabuleiro conforme resolvem desafios de leitura e escrita. Ao final, o professor conduz uma reflexão coletiva sobre as aprendizagens.
Enquanto um grupo joga, os demais acompanham e participam das respostas. “Quando o conteúdo faz sentido para a criança, ela se envolve mais e aprende com mais profundidade”, reforça a educadora Mary Sônia Dutra de Alencar, que também faz parte da equipe de especialistas que desenvolveu o material. “O trabalho coletivo também amplia as possibilidades de aprendizagem, porque as crianças escutam as hipóteses dos colegas e constroem conhecimento juntas.”
Para a educadora, o que mais me chama atenção é que o jogo não se limita a ser uma atividade lúdica; ele se torna um norteador do planejamento pedagógico. “A cada etapa, consigo observar avanços reais na consciência fonológica, na formação de palavras e na leitura, ao mesmo tempo em que mantenho a turma motivada e participativa”, complementa.

Exemplo de atividade
Ao cair em uma casa do tabuleiro, o grupo recebe uma carta com um desafio de leitura ou escrita relacionado a um país.
Veja como funciona na prática:
1º ano
Carta: Brasil
Desafio: identificar o som inicial da palavra
Pergunta do professor: “Que som a gente ouve no começo de ‘Brasil’?”
Objetivo: desenvolver a consciência fonológica e o reconhecimento de letras
2º ano
Carta: Japão
Desafio: leitura e ampliação de vocabulário
Proposta: ler uma frase curta e encontrar palavras que rimem com “Japão”
Objetivo: avançar na leitura e na construção de palavras
Carta especial
“Passe a bola”
Ação: avançar duas casas e escolher outro grupo para avançar uma
Objetivo: estimular a colaboração e manter o engajamento da turma
As atividades são adaptadas pelo professor de acordo com o nível dos alunos, permitindo trabalhar desde o reconhecimento de letras até a leitura e escrita de palavras e frases.

O papel do professor
Um dos diferenciais do jogo é a possibilidade de adaptação. O professor atua como mediador, ajustando os desafios conforme o nível de desenvolvimento de cada grupo, o que torna a proposta aplicável em turmas heterogêneas. “Não é um material engessado. O professor pode adaptar os desafios de acordo com o nível de cada estudante”, afirma Mary Sônia.
Além de conduzir a dinâmica, o docente observa as hipóteses de escrita, propõe intervenções e seleciona atividades adequadas para garantir o avanço de todos os alunos.
“Como professora, vejo o jogo como um aliado importante no processo de alfabetização. Ele transforma um interesse espontâneo em uma porta de entrada para aprendizagens significativas”, diz Mary Sônia. “Quando o conteúdo dialoga com o universo cultural dos alunos, a sala de aula ganha vida.”
| O que compõe o jogo |
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| O kit “Uma Viagem pela Copa do Mundo” foi desenvolvido para uso em sala de aula e reúne diferentes recursos pedagógicos. Entre os materiais estão: – tabuleiro em formato A2 para impressão e montagem; – cartas dos países, com versões para 1º e 2º ano; – cartas especiais de movimentação e desafios; – dado para montar; – modelo de avatar para personalização dos peões. O kit inclui ainda orientações pedagógicas alinhadas à BNCC, sugestões de adaptação para diferentes níveis de aprendizagem e a organização em três etapas. Também é oferecido um cartaz com todas as bandeiras das seleções participantes. Chamado de passaporte coletivo, ele pode ser fixado na parede da sala de aula para registrar os países “visitados”, acompanhando o desenvolvimento das atividades de leitura, escrita e consciência fonológica. |
Aprender com sentido
Embora o jogo tenha um percurso definido, o foco não está na competição. O objetivo principal é o processo de aprendizagem construído ao longo da atividade. “O mais importante não é quem chega primeiro, mas o que cada criança aprende durante o percurso”, afirma Mary Sônia.
Para a educadora Ellen Regina, “Uma Viagem pela Copa do Mundo” é um jogo que vai além do simples ato de brincar. “É um objeto para pensar, flexível o suficiente para equilibrar o conteúdo com um espaço criativo e ativo para os estudantes.”
Ao integrar elementos culturais e objetivos pedagógicos, o jogo busca tornar a alfabetização mais próxima do cotidiano das crianças. “Em tempos de inteligência artificial e respostas a um clique de distância, este jogo preserva o que é essencial na alfabetização: a conexão humana”, conclui Ellen.

