O Futuro se Equilibra #005 - Meus alunos têm fome - PORVIR
Jéssica Figueiró / Porvir

Podcast O Futuro se Equilibra

O Futuro se Equilibra #005 – Meus alunos têm fome

O quinto episódio de O Futuro se Equilibra conversou com Mariana Santarelli, do Observatório da Alimentação Escolar, para tratar sobre a fome

por Redação ilustração relógio 5 de janeiro de 2022

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Podcast O Futuro se Equilibra

Identificar a fome em um estudante ou uma estudante, para quem convive praticamente todos os dias com eles e elas pode ser uma ação muito rápida. Neste episódio de O Futuro se Equilibra vamos discutir o conceito de Insegurança Alimentar e de que maneira a fome pode impactar na vida e trajetória escolar de crianças, jovens e adolescentes.

A história que você ouvirá é do Leonardo Fernandes, diretor da escola Adolfo Manica, em Boqueirão do Leão, Rio Grande do Sul. Ele fez um significativo trabalho durante a pandemia de Covid-19, ao levar alimentos às casas dos alunos.

A Mariana Santarelli, coordenadora de projetos do Observatório da Alimentação Escolar, traz dados sobre a situação atual da insegurança alimentar no Brasil e como as escolas têm vivido essa questão.

O Futuro se Equilibra é uma produção do Porvir com o apoio do Instituto Unibanco.

Apresentação: Tatiana Klix
Produção: Gabriela Cunha e Larissa Werneck
Edição e captação de som: Gabriel Reis
Roteiro: Ruam Oliveira e Tatiana Klix
Concepção: Ruam Oliveira, Tatiana Klix e Vinícius de Oliveira
Apoio estratégico: Vinícius de Oliveira e José Jacinto Amaral
Música: Jesse Gallagher, Spence, pATCHES, Under the Rug, Godmode, Gravity Variations e Cheel.

Links

BBC Brasil – ‘Minha aluna desmaiou de fome’: professores denunciam crise urgente nas escolas brasileiras
Observatório da Alimentação escolar

identidade visual de o futuro se equilibra - o podcast

[início]
[Tatiana Klix]

Se você digitar a palavra fome para fazer uma pesquisa de notícias na internet vai perceber que esse é um problema grave. Um levantamento feito pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, a Rede Penssan, apontou que 19 milhões de brasileiros passam fome atualmente e 116 milhões de pessoas vivem em algum grau de insegurança alimentar.

[Música de fundo]

A maior parte das notícias que aparece nessa busca envolve crianças e os impactos que essa realidade pode ter no desenvolvimento e na aprendizagem delas.

Hoje nós vamos falar de um cenário complexo, que merece atenção e que tem tudo a ver com equidade na educação, ou a falta dela, a Insegurança Alimentar entre crianças e adolescentes. Eu sou a Tatiana Klix, diretora do Porvir, e você está ouvindo O Futuro se Equilibra.

[Música de fundo]

[Mariana Santarelli]
Hoje a gente fala muito desse conceito da insegurança alimentar que é quando alguém não tem acesso pleno e permanente aos alimentos.  É um pouco diferente daquela noção que a gente tem de fome lá do passado, aquela ideia de um corpo em que você percebe visualmente, ele passou fome, aquela fome famélica, está falando muito mais de uma fome crônica, que aquela fome de todos os dias, em que faltam nutrientes suficientes para que a pessoa possa ter uma qualidade de vida, possa ter saúde, possa desenvolver uma capacidade de aprendizado que tenha segurança psicológica, de que ela sabe que pode contar com alimento na mesa no próximo dia.

[Tatiana Klix]

Você ouviu a Mariana Santarelli, coordenadora de projetos do Observatório da Alimentação Escolar. Convidamos ela para falar sobre insegurança alimentar e os impactos da alimentação inadequada na vida de jovens e adolescentes em período escolar.

Mas antes de partir para a entrevista com a Mariana, você vai ouvir a história do Leonardo Fernandes, que é diretor da escola Adolfo Manica, em Boqueirão do Leão, um município no Rio Grande do Sul com cerca de 7 mil habitantes. A atuação dele durante a pandemia de Covid-19 foi muito significativa. Além de levar lições até a casa dos alunos – muitos deles sem acesso à internet – ele também entregava alimentos. Leonardo sabe que seus estudantes precisam de apoio e, por isso, em sua escola são desenvolvidas  muitas atividades relacionadas à alimentação. Quem interpreta é o ator Gustavo Melo Cerqueira.

[início do relato – Leonardo Fernandes / Gustavo Melo Cerqueira]

Os meus alunos têm fome. Como eu sei disso? Porque eu os vejo, todos os dias, repetindo quantas vezes for possível a merenda na escola.

[Música de fundo]

Sou diretor da Escola Estadual de Ensino Fundamental Adolfo Mânica, que fica em Boqueirão do Leão, cidade com cerca de 7 mil habitantes e localizada no Rio Grande do Sul. A escola fica na comunidade rural de Linha Araçá.

Aqui na comunidade somos em torno de 120 famílias. Destas, 60 alunos estão matriculados na Adolfo Mânica em turmas multisseriadas que vão do primeiro ao nono ano. Somos próximos de muitas famílias e conhecemos as dificuldades que elas enfrentam.

Grande parte das famílias aqui vivem basicamente do plantio de tabaco e da agricultura de subsistência. O setor leiteiro ainda está engatinhando.

E os meus alunos têm fome.

Eu vou até confessar uma coisa, se me permite: às vezes a gente foge um pouco do cardápio da nutricionista do Estado porque nem sempre os lanches que ela indica saciam a fome das crianças. Em alguns dias tínhamos que fazer comida mesmo: arroz, feijão, massa… Cerca de 18 a 20% dos alunos dependem de programas sociais como o Bolsa Família.

[Música de fundo]

Na pandemia, a coisa piorou. Muitas famílias fazem trabalho sazonal, trabalho de peão mesmo. E como foram proibidas algumas atividades, alguns desses trabalhos não puderam ser feitos. A assistência oferecida nem sempre foi capaz de sustentar as famílias.

No pior período da pandemia, eu estava na escola.

A gente se organizava assim: os professores vinham para a reunião, eu montava as atividades. 40% das famílias vinham retirar essas atividades na escola, o restante eu levava de casa em casa. Isso porque internet, sem chances! Nem todos têm acesso a um computador ou celular, então as atividades eram impressas mesmo.

E quando eu ia entregar as atividades nas casas dos alunos, via também a realidade em que eles estavam. Então além de levar as atividades, levava também os alimentos. Alguns vinham do estoque de merenda da escola, outros de um kit fornecido pelo Estado.

Eu via situações muito tristes nessas minhas viagens…

Os projetos que estamos pensando aqui na escola focam em trabalhar situações de aprendizagem que contribuem com a vida das famílias. Componentes curriculares como matemática, português, história, ciências e outros são trabalhados a partir de temas que são da realidade das turmas.

Um exemplo que fazemos aqui: A gente conta para a turma um probleminha como ‘Se eu comprar algumas bolachas, vou gastar 25 reais. Mas se eu produzi-las em casa, podemos fazer 10 vezes mais usando 19 reais’. E os alunos entendem que fazer o pão em casa pode ser mais barato e render mais.

Usamos a quantidade de ingredientes, por exemplo, como elemento de trabalho pedagógico. Usando o alimento, a gente quer que eles pensem não só em acabar com a própria fome, como também gerar renda.

[Música de fundo]

Nós temos outro projeto que é chamado “Vida no Campo: sustentabilidade para o meio em que vivemos”. A gente trabalha com PANCS, as Plantas Alimentícias Não Convencionais, justamente para tratar de insegurança alimentar.

Nós mostramos aos estudantes alimentos que eram usados antes e que hoje já não são tão comuns. Coisas que os avós e bisavós deles trouxeram, mas que se perderam no meio de outros costumes.

É assim que a gente trabalha. Barriga vazia faz com que a cabeça também fique. Ninguém aprende com fome.

Encher a mente e a barriga dos meus alunos é o que existe de mais importante para mim e é o que eu continuarei fazendo, até que não seja mais necessário.

[Música de fundo]

[Tatiana Klix]

A Escala Brasileira de Insegurança Alimentar mede a percepção das pessoas em relação ao tema em quatro diferentes estágios: Antes de existir a insegurança alimentar, existe a segurança alimentar. Que é quando as pessoas se alimentam bem e a comida não chega a ser uma questão. Ou seja, não se sentem inseguras quando o assunto é ter o que comer.

Já a insegurança alimentar se apresenta em três graus diferentes: o leve, o moderado e o grave.

O estágio leve diz respeito ao receio de passar fome num futuro próximo. O grau moderado é quando há uma restrição na quantidade de comida que a família tem acesso. E quando o quadro é grave, trata-se do que a gente entende por fome mesmo, que é a falta de alimentos na mesa das pessoas.

[Mariana Santarelli]

E o que a gente está vendo assim nos últimos anos, é que a gente vinha num processo lá desde dois mil e quatro que foi a primeira vez que se aplicou essa escala brasileira de insegurança alimentar, de decréscimo do número de pessoas em situação de fome. Lá em 2004 ela estava presente em 35% dos domicílios brasileiros

[Música de Fundo]

E aí, por conta do aumento do salário mínimo, de uma série de políticas de segurança alimentar e nutricional que a gente viu acontecer, quando a fome passou a ser uma prioridade de políticas públicas, a gente viu que esses índices de segurança alimentares caíram nesta gama vinte e três por cento em dois mil e treze o Brasil, tanto que o Brasil saiu do mapa da Fome e agora a Rede brasileira de Pesquisa de Pesquisa para a Segurança Alimentar Alimentar aplicou novamente essa escala brasileira de forma autônoma, independente, já que o governo brasileiro deixou de aplicar, era algo que se de forma regular a cada quatro anos e mediu essa insegurança alimentar no final do ano passado e concluiu que a gente voltou para patamares ainda maiores do que a gente tinha dois mil e quatro, ou seja, trinta e sete por cento da população hoje em situação de insegurança alimentar e o mais grave são as pessoas que estão em situação de insegurança alimentar grave.

[Tatiana Klix]

Aquilo que podemos perceber ao observar as pessoas nas ruas pedindo comida ou as crianças esperando ansiosamente pela merenda escolar é comprovado pelo s números que a Mariana nos contou. Só nos últimos dois anos o número de pessoas enfrentando insegurança alimentar grave saltou de 10,2 milhões para 19,1 milhões. A maior parte dessas pessoas está no nordeste do país. Em sua maioria são negras e vivem em lares chefiados por mulheres. Mais da metade das crianças brasileiras de até cinco anos vive em lares em situação de insegurança alimentar.

[Mariana Santarelli]

Isso faz com que a escola seja um espaço, um lugar fundamental para garantir o acesso à alimentação, e faz da alimentação escolar uma política fundamental para a garantia desse direito tão fundamental e básico. Por isso que a gente diz que o PNAE é um dos programas mais importantes que a gente tem hoje para a garantia da segurança alimentar e nutricional, especialmente das crianças e dos adolescentes.

[Música de fundo]
[Tatiana Klix]

O PNAE é o Programa Nacional de Alimentação Escolar, que garante o fornecimento de alimentação nas escolas e outras ações de educação alimentar e nutricional para estudantes de todas as etapas da educação básica pública.

Os recursos do programa são repassados pelo governo federal para os Estados e Municípios e se destinam a cobrir 200 dias letivos, de acordo com o número de matrículas em cada rede de ensino.

Quem fiscaliza e acompanha o programa é a sociedade por meio de Conselhos de Alimentação Escolar, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, o Tribunal de Contas da União, a Controladoria Geral da União e o Ministério Público. Ou seja, tem muita gente acompanhando o programa.

[Música de Fundo]

[Tatiana Klix]
Há uma lei também, a 11.947, de 2009, que destina 30% dos repasses do PNAE para compra de produtos de agricultura familiar. É uma forma de trabalhar para a melhoria do desenvolvimento econômico e sustentável das comunidades.

[Mariana Santarelli]

Isso tem um impacto tanto do ponto de vista da qualidade dos alimentos, como também na economia local.

Ele é um importante instrumento para gerar circuitos locais de produção e consumo de alimentos baseados e referenciados nos produtos que são da região, respeitando a sazonalidade, respeitando também a cultura alimentar do lugar. Então, é uma forma de fazer com que a alimentação servida na escola seja fornecida pela agricultura familiar, por povos e comunidades tradicionais, favorecendo também renda desses trabalhadores e desses povos e também fazer com que a alimentação seja mais próxima daquilo que estão acostumados.

[Música de Fundo]

[Mariana Santarelli]

Além de tudo assim, eu acho que é algo muito importante é que ele é um programa de alta capilaridade. A gente está falando aí de quarenta e um milhões de estudantes. Um programa que chega quarenta e um milhões de crianças e adolescentes, com orçamento também muito significativo e de quatro bilhões sendo que trinta por cento destinados a gerar esse circuitos  locais de produção, abastecimento. Então ele é uma política também importante, de abastecimento popular, que a gente diz, abastecimento que favorece os pequenos produtores, que favorecem as dinâmicas da agroecologia e de produção de alimentos mais adequados e saudáveis.

[Música de Fundo]

[Tatiana Klix]

Muitos problemas relacionados à alimentação foram agravados pela pandemia. O Observatório da Alimentação Escolar, entidade que Mariana representa, fez uma pesquisa com 900 estudantes e identificou que houve um aumento da presença de alimentos ultraprocessados nas escolas e uma queda na compra de produtos de origem agroecológica, vindos da produção de agricultura familiar, por exemplo.

A Mariana diz que o desmonte de políticas públicas de segurança alimentar pode fragilizar o PNAE como um todo. Durante a pandemia muitos municípios optaram por transferir renda do orçamento do PNAE para cartões alimentação ou aplicativos, o que ela vê como perigoso.

[Mariana Santarelli]

O Programa Nacional de Alimentação Escolar é muito mais do que dinheiro para comprar comida. É dinamização de circuitos locais de abastecimento, ele é a possibilidade de oferta de uma alimentação adequada e saudável, associada a processos de educação alimentar. Então, se ele passa a ser uma transferência de renda financeira para família, comprar seu mercado, a gente está desconstruindo grande parte do que são os princípios e diretrizes do programa.

[Música de Fundo]

[Mariana Santarelli]

Obviamente que a principal forma de acesso à alimentação hoje é a renda. Então políticas de transferência de renda para as famílias são de fundamental importância e aí gostaria muito de valorizar o Bolsa Família na Bolsa Família. É uma política exemplar brasileira, extremamente eficiente no seu desenho, associada dentro da lógica do Sistema Único de Assistência Social, um credenciamento feito através dos Centros de Referência de Assistência Social, um cadastro único, que permite o monitoramento das políticas sociais. A sua intersetorialidade também com a educação, com a saúde. E é uma pena que a gente esteja, vendo tudo isso, ser desmontado, para colocar no lugar algo que a gente nem sabe exatamente o que é.

[Tatiana Klix]

Ou seja, transferência de renda é importante, mas também é importante ficar atento ao conjunto completo que o PNAE representa – que engloba outras ações além da própria verba em si.

[Música de Fundo]

[Tatiana Klix]

Recentemente, a BBC Brasil veiculou uma reportagem sobre as dificuldades encontradas por professores ao se deparar com quadros de falta de alimentação em sala de aula – e todos os efeitos que isso acarreta. A manchete dizia “Minha aluna desmaiou de fome: professores denunciam a crise urgente nas escolas brasileiras”. É um cenário catastrófico.

O relato que dá título à reportagem é de uma professora do Rio de Janeiro.

[Tatiana Klix] [efeito de voz]

“Ela sentou e abaixou a cabeça na mesa. Eu estranhei e chamei ela à minha mesa. Ela veio e eu perguntei se ela estava bem. Ela fez com a cabeça que estava, mas com aquele olhinho de que não estava. Perguntei se ela tinha comido naquele dia, ela disse que não.”

[Tatiana Klix]

Aqui neste podcast nós falamos sobre equidade, nós falamos sobre como os marcadores sociais afetam a vida das pessoas. A criança deste relato era uma aluna negra de 8 anos que frequentava uma escola em um complexo de favelas na zona norte do Rio de Janeiro.

[Música de Fundo]

[Tatiana Klix]
Vale a leitura. Vamos deixar o link para a reportagem da BBC na página desse episódio no porvir.org.

As histórias relatadas na reportagem e o que acontece na comunidade escolar do Leonardo Fernandes nos mostram como a  falta de alimentação adequada impacta seriamente a busca por equidade.

Crianças e adolescentes que vivem sob insegurança alimentar podem ter o presente e o futuro comprometidos.

[Mariana Santarelli]

A insegurança, a estabilidade dos lares e insegurança em relação a saber se você vai comida, é algo que gera uma enorme instabilidade emocional para além, também de comprometem altos alto grau a capacidade de aprendizado, a capacidade cognitiva das crianças.

Alguns dos efeitos disso são mais diretos, sobretudo nessa idade, antes da chegada da adolescência é o efeito sobre a capacidade de memória de atenção, o que vai claro prejudicar o rendimento escolar dessas crianças e depois tem os impactos de longo prazo também na saúde dessas crianças, quem se alimenta mal na infância depois, vai estar mais vulnerável a doenças crônicas não transmissíveis, como é o caso da diabetes, como é o caso da obesidade, e de doenças cardiovasculares.

Então é o que traz. O que leva impactos que vão ter consequência na vida adulta também dessa criança. Então é bastante grave.

[Música de Fundo]

[Tatiana Klix]

O Futuro se Equilibra é uma produção do Porvir, a principal plataforma de conteúdos e mobilização sobre inovação no Brasil e conta com o apoio do Instituto Unibanco, que trabalha pela melhoria do ensino público brasileiro.

Um agradecimento especial ao professor Leonardo, por dividir sua história conosco, e ao Gustavo Melo Cerqueira pela interpretação.

O Observatório da Alimentação Escolar disponibiliza diversas notas técnicas sobre a importância e o cenário atual da alimentação nas escolas brasileiras.  Nós também vamos deixar o link na página desse episódio.

Esse e os outros episódios deste podcast estão disponíveis em texto no porvir.org/podcasts/ofuturoseequilibra.

Quem produziu esse episódio foi a Larissa Werneck e a Gabriela Cunha, a edição de som é do Gabriel Reis. Eles são a Podmix.

O roteiro é meu e do Ruam Oliveira.

Não deixe de seguir e compartilhar esse episódio com outras pessoas, isso é importante para que essa reflexão chegue a mais gente.

Eu sou Tatiana Klix, obrigada por escutar.

[fim do roteiro]


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