Crédito: charles taylor/Fotolia.com

Diário de Inovações

‘Preciso apresentar a matemática como amiga’

Projeto da professora Benedita Amélia Batista usa jogos na sala de aula e conta com a ajuda das crianças para ajudar outras escolas

por Benedita Amélia Batista ilustração relógio 4 de fevereiro de 2015

Tenho 33 anos de profissão, já fui secretária de educação, supervisora, mas o que gosto mesmo é a sala de aula. Em geral, os professores trabalham muito com reforço, mas a criançada detesta e só procura na época de prova. Por isso, há 10 anos criei o projeto Desenrolando a Matemática com a intenção de deixar a aula “mais gostosa”. A princípio, era só para quem tinha dificuldade com a matéria, mas os outros ficavam olhando e pediam para participar.

Eu trabalho a parte lúdica com jogos em salas do 4º e do 5º ano do ensino fundamental da Escola Municipal Manoel Machado Homem, em Cachoeira de Minas (MG). Isso acontece uma vez por semana, para introduzir um novo conteúdo ou para fixação. Já apresentei a ideia para a secretaria da escola. A cada 15 dias, fazemos a aula no laboratório de informática. Em dias de eventos na escola em que não há atividade com os jogos, eles reclamam “Ê, TIA…”.

Para criar os jogos, uso muita sucata. Eles gostam muito daqueles com tabuada e fração. À medida que acertam os cálculos, o carrinho avança, como em uma corrida. Não tem mistério, todos os jogos são muito simples. As crianças não gostam da matemática porque não aguentam mais ouvir “abra o livro na página tal”, mas com ajuda dos jogos, conseguem, sim, entender com facilidade.

As crianças passaram a assimilar melhor todos os conteúdos, até divisão, que é um sufoco. Para facilitar, as crianças podem usar formas, tampinhas, garrafinhas. No Desenrolando a Matemática, também tenho seis caixas cheias de rolinhos de papel higiênico encapados com problemas tirados da internet e de outros livros para serem calculados.

Eu tenho uma atividade específica para cada conteúdo e elas também ajudam na socialização. Eles montam os grupos e, depois, para não ficar só a “panelinha”, eu divido. Líderes podem passar a função para outro, se quiserem. Ando em volta da sala questionando e, ao final, faço a problematização lançando perguntas.

No começo deste ano letivo, preciso apresentar para as turmas a matemática como uma amiga. Logo na primeira aula, vou distribuir crachás para ensinar as unidades. As crianças usam formas para representar um número: 1225, por exemplo. Ela pega um cubo grande, duas placas, duas barras e cinco cubinhos, enquanto os outros devem ir até a lousa para escrever o número.

A gente já foi em outras escolas do município para apresentar como funcionam as aulas. As próprias crianças ajudam nas dinâmicas. Elas ficam eufóricas. A equipe pedagógica também ajuda muito. Quando eu aviso que preciso visitar tal escola, a prefeitura prepara a condução.

Uma razão para o sucesso é o fato de levarmos esse projeto para reuniões de pais e cursos de aperfeiçoamento de professores. O Ideb de nossa escola é 6,7, e acreditamos que contribuímos para que o índice chegasse nesse valor e esteja sempre aumentando.


Benedita Amélia Batista

Trabalha há 33 anos na educação de alunos de escolas púbicas. Atualmente, é professora da turma de quinto ano na Escola Municipal Capitão Manoel Machado Homem, em Cachoeira de Minas (MG). Foi secretária municipal de educação por dois anos e também atuou monitora do programa Pró-Letramento, do MEC. Tem graduação e pós em administração de empresas, e graduação em pedagogia e em matemática/contabilidade.

TAGS

jogos