Professora do Maranhão leva jogos teatrais para a educação infantil - PORVIR
Crédito: Escola EduCare

Diário de Inovações

Professora do Maranhão leva jogos teatrais para a educação infantil

Prática inspirada na observação de cenas de peças infantis é realizada com crianças de 2 a 5 anos, e com suas famílias, em escola maranhense

por Suzanne Guimarães ilustração relógio 5 de outubro de 2022

Sou professora de teatro da educação infantil e uma das coisas que mais gosto na profissão é a oportunidade de reinventar e explorar meu pensamento criativo de acordo com cada faixa etária e suas potências.

A abordagem dos jogos teatrais, desenvolvida pela professora norte-americana Viola Spolin (1906-1994), também diretora de teatro, me inspirou a levar essa prática para os meus alunos de 2 a 5 anos (turmas do maternal I ao infantil II). 

Talvez você se pergunte: é possível criar jogos teatrais para crianças pequenas? Sim, é possível!

O nosso espaço de sala de aula, concebido como uma área de jogo, desperta criações coletivas, nas quais a imaginação, o corpo e a ação das crianças estejam integradas na construção de saberes e competências expressivas.

Como ponto de partida, elaborei de forma processual e gradual as práticas corporais, vivenciando a consciência do gesto, a educação do olhar e sua capacidade de invenção, abrindo as portas do faz-de-conta, algo tão natural na infância. Assim, iniciei essa atividade com o jogo “A arte da cena”, onde disponho várias imagens impressas de cenas de espetáculos, na maioria infantis (retiradas da internet, como as da peça “A gaiola”, dirigida por Duda Maia, e outros exemplos que cito ao final desse texto), selecionadas com base nas posturas e gestualidade da cena fotografada.

Confira a galeria de fotos:

Observamos as cenas. Ampliamos as possibilidades de leituras, valorizando o olhar de cada um, já que todos contribuem com observações interessantes, seja nas cores dos figurinos, expressões, maquiagem etc.

Depois de todos apreciarem, organizo duplas e/ou trios na escolha de uma imagem para recriar a cena, com auxílio necessário das posturas corporais até chegar na cena congelada, revezando entre fazer o jogo e assistir a cena.

A alegria e a curiosidade marcam a construção da teatralidade em cada criança. Com isso, eu estendi o desafio dos jogos teatrais às famílias: enviei a proposta para casa, com orientações e sugestões de três imagens de cenas de espetáculos, para a vivência de recriar a fotografia. Pedi que enviassem seus registros escolhidos, com o objetivo de envolver a todos nesse universo imaginativo.

Recebemos as cenas dirigidas pelas famílias, manifestando suas impressões sobre a experiência. De início, parecia confuso, quase como uma provocação. Mas realizar a atividade foi além de somente cumprir uma tarefa: pais e responsáveis trabalharam com possibilidades de desenvolvimento da sensibilidade e da expressão, com todo o sentimento de interação que a prática proporciona. 

O resultado foi uma exposição teatral na escola, com as imagens das cenas feitas em casa expostas na sala, ambientadas pelos olhares curiosos e contempladores, em homenagem ao Dia Nacional do Teatro, comemorado em 19 de setembro.

Viva o teatro! Viva a primeira infância! Evoé.

O que é necessário para replicar esse projeto de jogos teatrais?

Materiais necessários: imagens diversas de cenas (fotografias) de espetáculos.

Sugestão para cenas:
Espetáculo “A gaiola” (Direção: Duda Maia).
Espetáculo “História do Brasil” (Cia. Viradalata).
Espetáculo “Luiz e Nazinha – Luiz Gonzaga para Crianças” (do projeto ‘Grandes Músicos para Pequenos’).


Suzanne Guimarães

Professora de teatro, graduada pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Faz parte do projeto “Formação Continuada em Arte”, do Polo Arte na Escola/UFMA. Atualmente, desenvolve pesquisas sobre o teatro na primeira infância, e é professora na EduCare, ministrando aulas na educação infantil da rede particular.

TAGS

cultura, educação infantil, teatro

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