Professores contam quem foram os mestres que inspiraram suas trajetórias - PORVIR
Crédito: Regiany Silva/Porvir

Inovações em Educação

Professores contam quem foram os mestres que inspiraram suas trajetórias

Depoimentos da campanha #MeuProfessorInspirador mostram a diferença que um professor faz na vida do seu aluno

por Redação ilustração relógio 14 de outubro de 2016

Um professor já fez a diferença na sua vida? Nas últimas semanas, o Porvir lançou essa pergunta nas redes sociais e descobriu que muitos educadores foram e até hoje são inspirados pelos seus antigos mestres. Seja por transformarem a sala de aula em um espaço mágico ou até mesmo por conseguirem encantar seus alunos com o conteúdo, eles foram marcantes na trajetória de muitos que optaram pela docência.

Para celebrar o Dia dos Professores (15), durante toda a semana foram compartilhadas histórias no Facebook que expressaram o papel de um professor inspirador na vida dos seus alunos. No total, sete depoimentos fizeram parte da campanha #MeuProfessorInspirador.

– Teve relato de professor que conseguia encantar os alunos com fórmulas e conceitos:

“Tive uma professora de química excelente. Ela tinha domínio da turma e conseguia me encantar com todas as fórmulas e conceitos. Segui a carreira tendo ela na minha memória como inspiradora. Após 10 anos de profissão, tive a honra de ser sua colega de trabalho em uma escola em Vitória, no Espírito Santo. E acredite, continuei aprendendo ainda mais com ela! A troca de experiências me fez ser uma professora bem melhor. Hoje percebo que, por mais que os alunos reclamem da dificuldade da disciplina, eles tentam aprender pela minha paixão pela profissão. Muitos dos meus alunos optaram pela carreira de professor porque os inspirei em algum momento, mantendo o ciclo. Amo muito o que faço”.

Paula Vivaldi, inspirada pela professora Catia Fosse

– E também apareceram lembranças de quem ajudou a escrever as primeiras palavras: 

“Eu estudava na 4ª série na época, era 1995. A alfabetização era mais adequada à idade das crianças do que hoje, não era nada apressado. Mas, mesmo assim, eu queria saber escrever com muita propriedade, como um adulto. A professora Valéria Periotto me ajudou a entender que tudo viria no meu tempo e que, quando eu conseguisse escrever o meu nome completo e o dela, estaria tudo bem. Isso foi tão importante e marcante para mim, tanto que me lembro da sensação de quando consegui escrever o nome dela completo, e foi sem olhar em lugar nenhum. Me tornei professora por ela e por mais outra professora que tive. Mais tarde, no ano de 2013, fiz a minha dissertação de mestrado na área de ensino. Como era na área de formação de professores, precisei ativar na minha memória o que me levou ser professora. Durante a revisão da dissertação, minha amiga identificou o nome de Valéria Periotto e me contou que trabalhava com ela. Imediatamente, começamos a conversar e combinamos de tomar um café. Levei uma foto minha da época. Quando Valéria começou a falar, a emoção veio. Eu me lembrei perfeitamente da voz dela. Era como se eu voltasse no tempo, e ela estivesse ali novamente me ajudando a superar minhas dificuldades, com muito amor e paciência. Hoje, como professora, sempre penso em Valéria e tento a todo momento encontrar maneiras sutis de ajudar meus alunos. Os detalhes fazem toda a diferença. É isso que um professor precisa identificar e trabalhar com seus alunos.”

Thaise Roth, inspirada pela professora Valéria Periotto

– Até quem não sonhava em ser professor decidiu tomar novos rumos: 

“Entrei para a graduação em História, mas o meu objetivo mesmo era ser pesquisadora. A docência nem passava pela minha cabeça. Lá pelo quarto período, uma professora baixinha, de cabelos encaracolados, de riso solto e fala mansa entrou em minha vida. Ela se parecia muito com a atriz de uma peça com músicas do Chico Buarque que eu tinha assistido. Na cara de pau, fui lá e perguntei se era ela. Coincidentemente (ou não), ela estava pesquisando sobre a Gota D’água e precisava de alguém para ajudá-la com a coleta de fontes. Foram quase dois anos convivendo e aprendendo com ela. Me tornei professora e o que eu mais admirava, e o que me inspira ainda hoje, é o respeito e a conversa franca com os alunos. Isso foi o mais importante que aprendi com ela. Hoje, parceiras de profissão, fui convidada a falar da minha trajetória e do meu trabalho como professora aos seus alunos de Prática de Ensino, comemorando a beleza e a realidade de ser professor.”

Bárbara Rodrigues, inspirada pela professora Miriam Hermeto

– A sala de aula ficou pequena para tanta imaginação e encantamento: 

“Minha professora de língua portuguesa era mágica. Com suas aulas motivadoras, que tinham desenhos no chão, na areia, no quadro negro e nos ares, aprendemos regras de gramática enquanto a nossa imaginação voava. Edna Melo era divina quando, com os momentos de reflexão e uma música ao fundo, fazia questionamentos existenciais que nos deixavam leves, como uma pluma, prontos para recomeçar e aprender. Ela era trapezista quando chegava na sala com seus kits de relaxamentos: bambolês, cordas e bolas para que os alunos brincassem e ficassem estimulados para compreender a aula de português. Ela era fascinante. As aulas de leitura eram o melhor e o mais encantador momento. Ela nos transportava para o mundo dos livros. Lá éramos reis, rainhas, duendes, santos, vilões e bandidos. Ela era a professora que estimulava e provava, através de suas dinâmicas, que leitura é viva, é vida. Parabéns, minha inesquecível mestra Edna Melo.”

Ivanete Nunes de Oliveira, inspirada pela professora Edna Melo

– Foi até difícil escolher apenas um nome: 

“Foram três professoras inspiradoras na minha vida. Eu conheci a primeira delas, a professora Carla Cibelle, quando estava no primeiro ano do ensino médio. Ela dava aulas de espanhol e a partir daí me fascinei pelo idioma. A forma como ela realizava as aulas me fazia ansiar por todas as quartas-feiras, para mim o melhor dia da semana na escola. Ela me mostrou outra forma de aprender, por meio de músicas e jogos. Assim, consegui compreender que estudar uma língua não precisa ser chato, baseado apenas na gramática e repetição. Além disso, percebi que a partir do lúdico é possível conhecer novos mundos por meio de um novo idioma. Já a professora Rejane de Melo entrou na minha vida no segundo ano do ensino médio e a professora, Rosele Souto, conheci no terceiro ano. Ambas ensinavam Língua Portuguesa e me fizeram enxergar a gramática de uma forma muito mais leve, percebendo sua aplicação no dia a dia. E além da literatura, a forma como falavam sobre os movimentos literários me fazia sonhar e refletir sobre outros tempos e me ajudava a atender os dias atuais, por meio de obras que dialogavam com o presente. As três professoras foram muito importantes em minha vida escolar e me inspiraram na escolha certa de minha profissão. Hoje sou professora graduada e pós-graduada em Língua Portuguesa e Espanhola. Busco todos os dias superar os desafios da docência e principalmente inspirar meus alunos através de uma educação humanizada, crítica e reflexiva, assim como Carla, Rejane e Rosele fizeram. Com elas, aprendi que a educação é libertadora e, por meio dela, podemos ultrapassar todas as barreiras da desigualdade que ainda existe em nossa sociedade. Inspirar. Com elas, aprendi que essa é a minha missão.”

Luana Cândido, inspirada pelas professoras Carla Cibele, Rejane de Melo e Rosele Souto

– Mas sempre teve aquele professor que se destacou entre tantos:

“Ao longo de minha trajetória educacional, passei por sete escolas (e estou falando só do ensino Fundamental e Médio). Muitos foram os professores que me inspiraram, mas a Sora Bernadete, da Escola Dr Pacheco Prates, me mostrou que ensinar é dar o exemplo, é ser inspiradora não só em sala de aula, mas na vida. Mulher culta, profissional, cheia de conhecimento, não somente de sua matéria, a geografia, mas sobre tudo. Eu sempre quis ser professora, desde meu primeiro dia de aula aos 6 anos de idade. Hoje, com 31 anos, é o que sou, e com orgulho. Escolhi essa profissão por vontade, e acredito que por vocação, para honrar a Sora Bernadete, e muitos outros que foram excelentes professores e professoras. Mas, principalmente, escolhi para ser inspiração e exemplo, para inspirar a busca constante pelo saber, pela descoberta, para mostrar que aprender é divertido e incrível de várias formas. Foi isso que a Sora Bernadete me ensinou, e este é o ensinamento que quero passar aos meus alunos queridos. Amo o que faço, todos os dias. Obrigada Sora Bernadete!”

Karen Castanho, inspirada pela professora Sora Bernadete

– Alguns eram tão inovadores que conseguiram até superar as barreiras e tempos da educação à distância:

“Resolvi fazer uma pós graduação à distância em tecnologias na aprendizagem. Era tudo tão novo, nem imaginava como seria a interação entre aluno e professor. A primeira matéria foi desanimadora, quase desisti do curso. Ainda bem que aguardei a segunda, pois foi aí que tive o prazer de conhecer a Luci. A tutoria dela era tão viva, rica e cheia de inovação, que parecia presencial. Virei fã. Já era apaixonada por educomunicação, e os artigos da Luci me encantavam. Ela não só me inspirou para fazer a tese final, como ainda me mostrou outros caminhos. Deu algumas asas para eu pensar e fazer diferente e, além disso, ainda oportunizou minha entrada na EAD, como tutora, para trabalharmos juntas. Sem dúvida #MeuProfessorInspirador é a Luci.”

Palmira Petrocelli Barros, inspirada pela professora Luci Ferraz de Mello


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