Projeto transforma o ambiente escolar com a participação da comunidade - PORVIR
Crédito: Divulgação / Territoriar

Inovações em Educação

Projeto transforma o ambiente escolar com a participação da comunidade

Em escolas públicas de Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e São Paulo, a iniciativa envolve crianças, famílias e educadores na ressignificação do espaço

por Marina Lopes ilustração relógio 9 de agosto de 2016

Apesar da arquitetura escolar ser essencial para potencializar práticas educativas, nem sempre ela é pensada conforme o projeto pedagógico de uma instituição. Com o objetivo de ressignificar o espaço físico de escolas públicas de cidades brasileiras, o projeto Territoriar aposta na escuta e no envolvimento de toda a comunidade.

Desenvolvido pela Rede Marista de Solidariedade, o projeto teve início com a percepção de que o espaço físico também contribui para inspirar inovações no dia a dia da escola. Baseado nas diretrizes de infraestrutura do PNE (Plano Nacional de Educação), a iniciativa conta com a participação de alunos, famílias, educadores, gestores e voluntários, que se organizam em comitês multidisciplinares para pensar na transformação da escola.

“Nós construímos isso com a participação de várias pessoas que estão no dia a dia das escolas. O projeto nasce na expectativa de contribuir com uma educação de qualidade nos municípios”, explica Bárbara Pimpão, coordenadora do projeto, no Centro Marista de Defesa da Infância. Ela conta que o projeto trabalha com uma metodologia aberta, que prevê a adaptação ao território e contexto de cada escola.

No último semestre, 15 escolas de sete cidade de São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso participaram do Territoriar. Inicialmente, o projeto convida a comunidade escolar a mergulhar em conceitos e práticas para avaliar as possibilidades de ressignificação do espaço. A equipe do comitê multidisciplinar participa de formações que abordam arquitetura escolar, territórios educativos, projetos pedagógicos nos espaços educativos, legislações, currículo e também a concepção de família e criança.

Na etapa seguinte, as escolas definem prioridades, selecionam quais espaços desejam transformar e elaboram um planejamento. Para fazer esse diagnóstico, são ouvidos todos os atores da comunidade escolar, inclusive os alunos. “Quando constituímos os comitês, nosso cuidado era fazer com que a fala da criança e do adulto tivessem o mesmo peso”, explica a educadora Danielle Bairro, da Rede Marista.

Ela diz que após o desenvolvimento do projeto, algumas escolas também começaram a repensar os seus métodos e modificaram o formato da sala de aula tradicional, que passou a ser organizada com carteiras em círculos para privilegiar a participação das crianças.

Stefany Sadlowski Dos Santos, 14, do oitavo ano, foi uma das alunas que se envolveu na transformação de espaços do Centro Educacional Municipal Vila Formosa, em São José (SC). Com a participação da comunidade escolar e a sugestão dos alunos, uma antiga sala foi transformada em um espaço para aulas de dança. “Eram lugares não utilizados da escola. Eles eram muito bons, mas eram desperdiçados”, diz a menina.

Já na Escola Municipal de Ensino Fundamental João Augusto Breves, em São Paulo (SP), o projeto ajudou a transformar a sala de leitura e o laboratório de ciências, que recebeu pintura, troca de mobiliários e instalação de um tanque. “A gente já tinha bastante material de laboratório, mas não tinha um espaço para isso”, conta a diretora Maria Teresa Gelam.

Ela lembra que as modificações foram feitas com base nos espaços que já estavam presentes na escola. “A mudança da sala de leitura já era uma discussão nossa antiga, mas não tínhamos condições financeiras. E, para a criação do laboratório de ciências, demos uma arrumada na sala de artes que já tinha antes.”

“Eu notei que a maior ressignificação aconteceu com as pessoas, que trouxeram um pouco mais de esperança para que todo participantes enxergassem que é possível fazer muito dentro de uma escola”, comenta a educadora do projeto Viviana Rosa, da Rede Marista.

Mãe de um aluno do ensino fundamental da João Augusto Breves, Elaine Alves também participou do comitê da escola. Além das transformações coletivas nos espaços, ela conta que o interessante do projeto foi a escuta das crianças. “Os adultos estão acostumados sempre a pensar o que é melhor para elas. [Nas formações], eles nos passaram que é importante ouvir o que as crianças ou adolescentes querem, porque são eles que vão usar esse espaço.”

Após a execução dos projetos, as escolas receberam documentos com produções desenvolvidas durante o percurso formativo. A ideia é que elas possam dar continuidade aos processos de transformação e ressignificação do espaço.


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ensino fundamental, novos espaços

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