Secretarias criam plano para entregar aula a distância em pandemia do coronavírus - PORVIR
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Coronavírus

Secretarias criam plano para entregar aula a distância em pandemia do coronavírus

Acre, Amazonas, Mato Grosso do Sul e São Paulo começam a organizar estratégia de contingência diante a suspensão das aulas

Parceria com CIEB

por Marina Lopes e Vinicius de Oliveira ilustração relógio 20 de março de 2020

Com o fechamento de escolas para conter a disseminação do coronavírus (COVID-19), redes públicas de todo o país começam debater medidas para minimizar os danos aos estudantes durante o período de suspensão das aulas presenciais. Na última quarta-feira (18), representantes do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação), Undime (União dos Dirigentes Municipais de Educação), CNE (Conselho Nacional de Educação), FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) e MEC (Ministério da Educação) se reuniram para pensar em caminhos viáveis para oferecer educação a distância durante esse período.


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Na corrida contra o tempo para minimizar os impactos do fechamento das escolas, as redes estaduais do Acre, Amazonas, Mato Grosso do Sul e São Paulo dão os primeiros passos dos seus planos de contingência, que começam a ter início nas próximas semanas.

Amazonas faz parceria com canal de TV aberta
Com a experiência consolidada do Centro de Mídias, que transmite aulas para as comunidades localizadas em zonas rurais e de difícil acesso, o Amazonas lançou nesta sexta-feira (20) o programa “Aula em Casa” (PDF), que irá alcançar 180 mil estudantes de Manaus, Iranduba, Manaquiri, Careiro da Várzea e Rio Preto da Eva. A partir de uma parceria entre a Seduc (Secretaria de Educação e Desporto) e a TV Encontro das Águas, serão disponibilizadas aulas em três canais de televisão aberta e em plataformas online. O regime especial foi aprovado pela Resolução nº 30/2020, homologada pelo Conselho Estadual de Educação do Amazonas.

“A partir de segunda-feira, vamos transmitir em TV aberta conteúdos pedagógicos para alunos do sexto ao nono ano do ensino fundamental e do primeiro ao terceiro ano do ensino médio. Nós temos uma acervo de aulas do Centro de Mídias que já estão produzidas e que serão utilizadas nesse primeiro momento”, explica Sabrina Araújo, gerente de mídias e conteúdos digitais do Centro de Mídias de Educação do Amazonas, da SEDUC (Secretaria de Estado de Educação e Qualidade de Ensino do Amazonas).

A proposta anunciada pelo titular da secretaria, Luís Fabian, é que a partir da segunda semana as aulas sejam gravadas ao vivo. Além das transmissões, que serão organizadas em diferentes horários para cada uma das etapas, a partir de amanhã a secretaria estadual deve divulgar informações sobre como os estudantes terão acesso aos conteúdos digitais e exercícios que estarão disponíveis em um AVA (Ambiente Virtual de Aprendizagem) e na plataforma Saber+. Será oferecido ainda o aplicativo “Mano”, disponível em lojas de aplicativos Google Play e Apple Store, para que os adolescentes e jovens possam tirar dúvidas enquanto assistem às aulas.

Acre estuda acordo com empresas de telecomunicação
A experiência e as plataformas usadas no Amazonas são inspiração para a secretaria de educação do Acre. Desde as últimas semanas, os dois estados conversam para estabelecer uma parceria.

Neste momento, os esforços da secretaria do Acre estão concentrados na contratação de ferramenta que possa monitorar a realização de tarefas por parte dos alunos e que facilitem a posterior comprovação da oferta dos conteúdos a distância.

Assim como em outras secretarias, o estado também enfrenta a dificuldade nas duas pontas: falta internet nas escolas (só 40% estão conectadas) e parte significativa dos alunos também não possui dispositivos ou conectividade suficiente para acompanhar as aulas em casa.

Para contornar esse cenário, Javã Sousa Costa, chefe do Departamento de Tecnologia e Informação da secretaria de educação local, afirma que é estudado pelo governo um acordo com empresas de telecomunicação para que a conta não recaia sobre o professor, aluno ou as famílias. “Vamos conversar com empresas de telecomunicação para que elas possam liberar os aplicativos educacionais do consumo de dados (tarifados). Assim, a gente pode começar a gravar aulas e enviar para os alunos”, disse.

O plano de contingência do estado deve começar pelos estudantes do ensino médio e depois chegar aos do ensino fundamental. Costa afirma ainda que, por questões de prevenção ao coronavírus, nem todos os professores serão chamados para gravar as aulas iniciais.

São Paulo avalia implementar plataforma online
A Secretaria Estadual da Educação de São Paulo também homologou a deliberação aprovada pelo Conselho Estadual que permite a realização de atividades a distância para turmas do ensino fundamental e médio para computar os dias letivos. Durante transmissão realizada no Twitter nesta quinta-feira (19), o secretário Rossieli Silva afirmou que a pasta estuda formas de implantar uma plataforma em EAD para o período de distanciamento social. A ideia é que possam ser oferecidas atividades pedagógicas e videoaulas gravadas com os próprios professores da rede.

“Nós estamos estudando possibilidades para o caso da extensão prolongada do tempo, que vá além do recesso e das férias. Também estamos estudando aproveitar esse período para compor o calendário, mas temos com clareza uma necessidade de criar outras saídas caso dure três ou quatro meses de suspensão das aulas”, afirmou Rossieli, durante transmissão.

No momento, a rede tem feito estudos pedagógicos e de infraestrutura para avaliar estratégias para os estudantes que não têm equipamento ou internet em casa. “Estamos tentando conseguir patrocínio para não gastar a internet do professor ou do aluno. Isso é um desafio para nós”, destacou o secretário.

Entre outras ações, a rede também estuda as melhores maneiras para disponibilizar o acesso aos conteúdos. “Precisamos pensar em como chegar aos alunos e professores a partir dos dispositivos que eles possam ter, sejam notebooks, computadores ou celulares. Temos que pensar em conteúdos que sejam adaptados aos diferentes tipos de tela. Temos um esforço conjunto de todas as redes para pensar em como chegar no maior número de alunos usando tecnologia”, destaca Liliane Costa, diretora do Centro de Estudos e Tecnologias Educacionais da Secretaria Estadual da Educação de São Paulo.

Mato Grosso do Sul elabora atividades para os estudantes
Na rede do Mato Grosso do Sul, a semana foi de planejamento entre professores e gestores escolares para as atividades que serão ministradas a distância para os alunos durante os próximos 15 dias.

A resolução 3.475 de 19 de março afirma que devem ser estabelecidos meios de comunicação, físicos ou digitais, dependendo das condições de acesso do estudante, com prioridade para o último, a fim de evitar a circulação de pessoas na escola.

“Nos primeiros 15 dias nós iremos fazer o que chamamos aqui de aulas programadas, que estão de acordo com a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e o referencial curricular do estado”, diz Paulo Cézar Rodrigues dos Santos, Superintendente de Informação e Tecnologia da SED (Secretaria de Estado de Educação). Alunos que não tiverem acesso à internet poderão retirar exercícios impressos para resolver em casa.

O documento da secretaria também determina que as escolas fiquem abertas mesmo com aulas suspensas. Também está previsto o empréstimo de materiais para estudantes com deficiência, tal como a máquina Perkins (de escrita em braille) para cegos.

Para além dos claros desafios para conectividade de professores e alunos, em todas as secretarias ainda é igualmente difícil dizer, agora, quando as aulas vão retornar às escolas.

* Esta publicação contou com a parceria do CIEB (Centro de Inovação para Educação Brasileira)

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base nacional comum curricular, coronavírus, dispositivos móveis, ensino fundamental, ensino médio, tecnologia, videoaulas

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