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Diário de Inovações

Alunos escrevem diários na sala de aula para compartilhar suas histórias pessoais

Professora de Curitiba (PR) conta como a necessidade dos alunos falarem sobre o seu cotidiano deu origem a um trabalho para incentivar a leitura e a escrita

por Adriana Ribeiro 13 de setembro de 2017

Como professora de uma turma do terceiro ano do ensino fundamental, percebi que meus alunos sentiam uma grande necessidade de falar da sua vida. Muitos não comentavam alguns assuntos em casa, mas me procuravam muito para conversar. Percebendo isso, tive a ideia de usar diários para trabalhar com eles uma atividade de relato pessoal.

Iniciei a aula com algumas imagens de diários e agendas. Também apresentei alguns livros que tratavam do tema, como “Diário de um Banana”, “Meu Querido Diário” e “O Diário Escondido de Serafina”, que foi escolhido pela turma para ser lido em sala de aula.

Durante alguns dias fizemos a leitura coletiva de “O Diário Escondido de Serafina”, dividindo o livro por páginas. Organizamos uma lista de palavras para ajudar os alunos que tinham mais dificuldade. Em cima dessas palavras, também começamos a trabalhar com o dicionário.

Aproveitando o interesse dos alunos, falei para eles que nos dias atuais as pessoas também usam os blogs para organizar seus relatos em diários digitais. Como exemplo, mostrei para a turma o Blog da Vovó, uma senhora que contava na internet a sua experiência com a informática. Eles gostaram muito.

Comprei um caderninho para cada aluno e pedi para eles decorarem. A partir da criação dos diários, começamos a trabalhar a escrita. As crianças se sentiam à vontade para registrar tudo o que acontecia com elas em casa, no recreio ou até mesmo na sala de aula. Elas também decidiam se gostariam ou não de ler o seu diário para compartilhar acontecimentos com os amigos.

Com essa atividade, notei um progresso muito bom entre as crianças. Além dos diários se tornarem um incentivo para treinar a leitura e a escrita, a turma também passou a conviver melhor, diminuindo os conflitos a aumentando a cumplicidade.

Acredito que a aprendizagem também acontece pelo diálogo, pela troca e pela afetividade. Com esse trabalho, conquistei ainda mais a confiança e o respeito dos meus alunos. Hoje posso dizer que já não tenho uma turma agitada e indisciplinada, tenho muitos amigos e amigas, pois é assim que eles me vêem.

Adriana Ribeiro

Professora da rede municipal de ensino de Curitiba (PR) há 8 anos. Formada em pedagogia e pós-graduada em educação especial. Durante três anos, atuou no núcleo de educação, diretamente com a educação especial, mas por vontade própria e saudade voltou para a sala de aula, onde diz se realizar como profissional e como pessoa, apesar das dificuldades e diferenças sociais, econômicas e culturais.

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ensino fundamental