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Inovações em Educação

Como o ensino socioemocional pode mudar a escola

Educadores apostam no autoconhecimento e na resolução de conflitos para melhorar, inclusive, desempenho acadêmico

por Luisa Ferreira 14 de março de 2014

Garantir que os alunos se mantenham engajados e motivados durante todo o período escolar é um desafio que vem atravessando décadas no setor educacional. Para um grupo de educadores, a resposta está em criar um ambiente seguro onde eles aprendem não só o conteúdo regular, mas também a como se comportar diante de diferentes situações da vida, transformando-os em indivíduos mais confiantes e independentes.

Diferente do que defendem alguns especialistas, os defensores do ensino socioemocional não separam habilidades cognitivas e não cognitivas: para eles todo espaço de aprendizado é uma oportunidade para desenvolver as competências de que necessitarão ao longo da vida. Algumas dessas habilidades são autoconhecimento, capacidade de resolver conflitos, consciência social,facilidade de relacionamento e tomada de decisão.

“Essas competências vêm sendo identificadas por pesquisadores nos últimos 40 anos e estão altamente relacionadas ao aumento do engajamento dos alunos, redução de problemas comportamentais e melhoria nos resultados acadêmicos”, contou Tim Shriver, presidente da ONG Special Olympics, durante o SXSWEdu, um dos maiores eventos internacionais sobre tendências educacionais que aconteceu entre os dias 3 e 6 de março em Austin, nos EUA.

O aumento nos resultados acadêmicos impressiona. Pesquisa de 2011, realizada pela Casel (Espaço colaborativo para o ensino acadêmico e socioemocional, em livre tradução) com 270.034 alunos – do ensino infantil ao ensino médio –, mostrou um ganho de 11 pontos percentuais no resultado acadêmico de alunos que participam de programas com esse modelo.

Mas a grande discussão entre os especialistas no SXSWEdu foi sobre como esse tipo de ensino pode ser implementado em escala. Para a autora Rosalind Wiseman, uma das grandes dificuldades na implementação de programas de ensino socioemocional está na dificuldade de os adultos entenderem que não é para ensinar o conceito das habilidades. “Eles não querem necessariamente ouvir sobre bondade, importância da amizade, compaixão e empatia. O que eles querem é ter domínio sobre algumas situações de suas vidas que eles não se sentem no controle. Eles querem que os adultos, inclusive professores, entendam que a vida deles é complicada e que eles são importantes. Querem ser tratados com respeito”, explica Rosalind.

No sistema público de ensino de Austin, esse tipo de ensino vem sendo implementando em escala desde 2011. Hoje já está presente em 73 escolas, atendendo cerca de 48.000 alunos. O objetivo para 2015 é atender a todos os 87.000 estudantes das 120 escolas da rede.

Segundo os especialistas, boa parte da implementação desse tipo de ensino está em envolver a comunidade, especialmente os pais. Uma boa forma de engajar os pais é convocá-los para conversas sobre a filosofia do ensino e intimando-os para que também ajudem seus filhos a se desenvolverem em casa.

A superintendente do distrito, Meria Carstarphen, conta que quando assumiu o cargo, em 2009, as escolas estavam sendo fechadas por não terem bons resultados acadêmicos. Em vez de resolver o problema de forma imediata, ela e sua equipe resolveram entender o que faria diferença para os alunos. O que eles perceberam é que não seria possível alcançar bons resultados acadêmicos com alunos inseguros estudando em ambientes onde não se sentiam à vontade, seguros e engajados.

“O ensino socioemocional não é um programa, mas sim uma filosofia de como queremos educar nossas crianças. Temos que pensar no aluno por inteiro. Claro que temos que nos preocupar com os resultados acadêmicos, mas também temos que ajudá-los a desenvolver as habilidades socioemocionais. Se não fizermos dessa forma, acredito que não estaremos dando uma boa educação. Se não integrarmos essas competências, iremos formar pessoas que não estão preparadas para a vida, carreira ou faculdade”, advoga Meria.

No Distrito Escolar Independente de Austin, a implementação acontece por região. Há dois coaches por região, que orientam os professores de diversas disciplinas na implementação das práticas que irão desenvolver as competências socioemocionais. Segundo os especialistas, boa parte da implementação desse tipo de ensino está em envolver a comunidade, especialmente os pais. Uma boa forma de engajar os pais é convocá-los para conversas sobre a filosofia do ensino e intimando-os para que também ajudem seus filhos a se desenvolverem em casa.

Meria e sua equipe foram além dos pais, envolvendo também empresas que ajudam a financiar o programa. Conseguiram, nessa busca de trazer mais atores para o processo educacional, engajar a comunidade médica, que dá suporte médico e emocional aos alunos e suas famílias, para que eles tenham condições de se desenvolverem ainda melhor.

TAGS

competências para o século 21, educação integral, socioemocionais, sxswedu

  • http://Www.espacoeducacional.com.br Jamile Coelho

    Eu sempre acreditei que autoconhecimento e inteligência emocional deveriam ser a base na formação das crianças e jovens. O desenvolvimento de competências sócioemocionais sempre foi prioridade no Espaço Educacional e faz parte de nosso dia a dia. Temos uma ferramenta exclusiva, o Perfil Cognitivo, que muito auxilia no processo de autoconhecimento e procuramos desenvolver relacionamentos saudáveis com transparência, liberdade com responsabilidade e limites com afeto. Dai nossa missão: Educar com competência, criatividade e afetividade.

  • Marcelo Felix Tura

    Excelente, deveríamos implantar este programa na rede pública.

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  • Nelson da Silva Tenorio

    Um Excelente Projeto, Deveria Ser Implantado Em Todas As Escolas, Públicas e Particulares, Pois Agregará Grandes Benefícios à Todos Os Envolvidos.

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  • http://www.colegionovaeducacao.blogspot.com Veronica Machado

    Ola tenho uma ONG e um colégio, onde praticamos e fomentamos a educação emocional e estamos buscando parcerias para seguirmos adiante.
    Podemos marcar algo?

    Grata,
    Veronica Machado
    Empreendedora Social
    http://www.colegionovaeducacao.blogspot.com
    http://www.ongmensageirosdaesperanca.blogspot.com

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  • Sandra Castro

    Excelente material. Precisamos refletir sobre nossas práticas e, com certeza, esse é o primeiro passo. Não podemos mais pensar em educação sem pensar em relacionamentos saudáveis entre todos os envolvidos.

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  • Izalina Oliva

    Acredito que conhecer as pessoas no qual queremos ensinar será o primeiro passo para tornar a aprendizagem um processo significativo, quando estamos dispostos em investigar o contexto no qual estamos inseridos facilita na hora de aprender, o aluno quando se sente seguro torna-se pré disposto em assimilar as informações como por exemplo os conceitos científicos já estabelecidos.

    • Millena Araújo

      Pensar em habilidades socioemocionais é uma realidade na educação e em novos profissionais para o mercado de trabalho. As grandes empresas estão preocupadas com a formação que está sendo proposta, e com a repetição de erros que estamos cometendo com os nossos jovens. O mundo é antenado e ligado virtualmente, informações imediatas, mas a educação ainda é vista como no século XIX. Vamos repensar as nossas Escolas com o intuito de formar cidadãos.

  • Luciana

    Trabalhamos exatamente nesta perspectiva em uma escola pertinho de Boston onde temos muitas criancas imigrantes.
    Apesar das dificuldades, a aprendizagem – e o ensino explicito, modelado e socialmente reforcado – das competencias minimiza enormemente o impacto negativo das adversidades e dos desajustes psicologicos. Infelizmente os colegas no Brasil conhecem pouco sobre estes programas. Excelente artigo! A CASEL eh uma fonte riquissima de recursos – melhor ainda porque se baseia em revisoes cienficas da efetividade dos programas que endossa.

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