O dinheiro e o consumo integram a rotina dos estudantes, mas transformar essas vivências em aprendizado ainda exige novas abordagens no ambiente escolar. Em um contexto de fácil acesso a pagamentos online e de proliferação de plataformas de jogos de azar, discutir escolhas, riscos e consequências financeiras ganha relevância dentro e fora da escola.

Presente entre os Temas Contemporâneos Transversais da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), a educação financeira vai além dos conteúdos matemáticos. O tema envolve o desenvolvimento de conhecimentos e habilidades para lidar com planejamento e tomada de decisões cotidianas. 

Em 2025, o debate ganhou um novo componente nas políticas públicas com a criação, pelo MEC (Ministério da Educação), do programa Na Ponta do Lápis, voltado à promoção da educação financeira, fiscal, previdenciária e securitária nos ensinos fundamental e médio. O programa tem como uma de suas referências pedagógicas o Aprender Valor, iniciativa do Banco Central que aborda planejamento, poupança e uso responsável do crédito.

Levar esse aprendizado a mais pessoas, por meio de uma ferramenta já presente no cotidiano, é também a proposta do EmbrAvance Comunidade. Realizado pela Embracon em parceria com a edtech Barkus, o programa de educação financeira oferece uma formação interativa e gratuita pelo WhatsApp para professores das redes públicas e privadas, que atuam nos anos finais do ensino fundamental, nos ensinos médio e técnico e na EJA (Educação de Jovens e Adultos) de todo o Brasil.

Com certificado de conclusão, o curso reúne conteúdos sobre consumo consciente, organização dos gastos, crédito, juros e investimentos. Os educadores participantes também podem criar turmas com estudantes de 14 a 24 anos e levar os conhecimentos adquiridos para atividades práticas de educação financeira.



Dos gastos às decisões de consumo

Na jornada do EmbrAvance Comunidade, os conteúdos estão distribuídos em 18 módulos. O percurso começa com uma introdução à educação financeira e passa por ativos e passivos, consumo consciente, crédito e débito, meios de pagamento, ganhos, gastos e noções de juros.

A formação também aborda empréstimos e financiamentos, inadimplência, score de crédito, renda fixa e variável, investimentos, crédito rotativo e consórcio.

Para Bia Santos, diretora-presidente e fundadora da Barkus, um dos objetivos é relacionar esses conceitos às situações enfrentadas pelos participantes. “Nosso propósito é tornar a educação financeira acessível, prática e conectada à realidade das pessoas”, afirma.

Lacunas no acesso à educação financeira

Entre os jovens, dados da Serasa divulgados em agosto de 2025 mostram um crescimento na procura pela renegociação de dívidas. Entre janeiro e julho daquele ano, mais de 1,5 milhão de pessoas de 18 a 25 anos negociaram débitos pela plataforma Serasa Limpa Nome, número 49% maior que o registrado no mesmo período de 2024. Com isso, a participação dessa faixa etária no total de consumidores que negociaram dívidas passou de 9,9% para 13,3%. 

Para Patrícia Nascimento, analista de Sustentabilidade e Impacto da Embracon, esse cenário reforça a importância de ampliar o acesso ao tema. “Os dados mostram que os brasileiros reconhecem a importância do tema, mas ainda existe uma lacuna significativa no acesso a esse conhecimento, especialmente entre os jovens. Quando levamos esse aprendizado para as escolas e capacitamos educadores, ampliamos exponencialmente o impacto dessa transformação”, diz.

A distância entre reconhecer a importância do assunto e dominá-lo também aparece entre os brasileiros em geral. Pesquisa do Observatório Febraban, iniciativa da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), realizada pelo Ipespe (Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas) e divulgada em julho de 2025, mostra que 55% dos entrevistados afirmam entender pouco ou nada de educação financeira, sendo 40% pouco e 15% nada. Ao mesmo tempo, 91% consideram esse conhecimento importante ou muito importante para a vida pessoal e profissional. 

O levantamento também mostra onde os brasileiros buscam informações sobre o assunto. Os canais digitais são a principal fonte para 40% dos entrevistados, enquanto apenas 15% mencionam escolas ou universidades.


Como participar?

O quê: formação interativa de educação financeira do EmbrAvance Comunidade 2026
Para quem: professores das redes pública e privada de todo o Brasil, que lecionem nos anos finais do ensino fundamental, no ensino médio, no ensino técnico e na EJA (Educação de Jovens e Adultos).
Onde: a formação acontece pelo WhatsApp.
Quanto custa: gratuito.
Certificado: sim.
Conteúdo: 18 módulos sobre educação financeira, com temas como consumo consciente, organização dos gastos, crédito e débito, juros, investimentos e inadimplência.
Inscrições: até 18 de outubro de 2026.
Como começar: acesse o formulário de inscrição.
E os estudantes? Depois de participar da iniciativa, o professor cria sua turma e recebe um código específico. O código deve ser compartilhado diretamente com os estudantes, que o utilizam para acessar a jornada destinada aos alunos.