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Inovações em Educação

Jovem alagoano encontra na ciência um caminho para resolver problemas cotidianos

Aos 18 anos, Gabriel Araújo desenvolve uma plataforma para combater a evasão escolar e também sonha em ser engenheiro para diminuir a seca no nordeste

por Marina Lopes 20 de abril de 2017

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Este conteúdo faz parte da
Série Protagonismo Jovem

“Rapaz, quero viajar também. Como é que faz?” Essa foi a pergunta feita por Gabriel Araújo, 18, quando percebeu que vários colegas do Instituto Federal de Alagoas (IFAL) eram selecionados para apresentar pesquisas científicas em outros estados. Curioso para saber como também poderia entrar nesse universo, ele decidiu pedir ajuda para quem já tinha experiência. “Eles me falaram que eu precisava fazer um projeto e escrever um artigo para apresentar em uma feira. Aí pensei: pronto, agora que eu não vou mesmo. Não sei nem o que é projeto, e muito menos artigo. Feira eu só conheço porque tem uma na rua perto de casa”, lembra o estudante, sem deixar o bom humor de lado.

Durante todo o ensino fundamental, Gabriel nunca teve interesse pelas disciplinas exatas. Quando chegou ao nono ano, em busca de uma vaga no Instituto Federal de Alagoas, o estudante decidiu recuperar o tempo perdido e começou a estudar para se tornar um expert dos números. “Depois que fui aprovado, achei que tinha ficado muito bom em matemática. No primeiro ano do ensino médio, participei de umas dez ou 15 olimpíadas escolares. Pensei que iria levar um monte de medalhas, e não ganhei foi nada”, conta o jovem, ainda fazendo graça sobre as suas primeiras experiências no meio acadêmico e científico.

GabrielCrédito: Arquivo Pessoal / Gabriel Araújo

Sem perder a motivação, o alagoano continuou a treinar para participar de olimpíadas. No ano seguinte, vieram os primeiros resultados: medalhas de astronomia, matemática e robótica. Com o apoio do professor Jarbas Alves Cavalcante, coordenador do curso técnico de Informática no IFAL, também conseguiu desenvolver um sistema de irrigação automatizado, que foi responsável por o levar ao Congresso Norte-Nordeste de Pesquisa e Inovação, no Acre. “Viajei e pude apresentar o meu projeto. A ideia foi construir um dispositivo automatizado, que fornece a quantidade exata de água que uma planta precisa”, explica.

A experiência do congresso fez o estudante ingressar no programa Cientista Beta, que convida jovens do ensino médio ou técnico a participarem de mentorias para impulsionar seus projetos científicos. “Fiz a minha inscrição e comecei a desenvolver pesquisas na área de evasão escolar.” De acordo com ele, a motivação surgiu de uma observação na própria turma: “Comecei o primeiro ano com 45 alunos na sala. Quando eu cheguei ao último, tinham cerca de 20. Alguns repetiram, mas a grande maioria da turma desistiu”, avalia.

Com a mentoria do cientista da computação Douglas Drummond e orientação do professor Jarbas Alves Cavalcante, o jovem começou a idealizar uma plataforma capaz de reunir dados para controlar a frequência e o desempenho dos alunos. “Será que é possível usar tecnologia para reduzir a evasão escolar? Ainda estamos desenvolvendo, mas a perspectiva futura é conseguir testar em escolas de Maceió”, conta Gabriel, que também pretende incluir jogos e atividades digitais na ferramenta.

Gabriel_02Crédito: Arquivo Pessoal / Gabriel Araújo

Inquieto e cheio de projetos, ele ainda conta que no início deste ano também viajou aos Estados Unidos para participar de um programa da embaixada americana. Entre janeiro e fevereiro, o estudante foi selecionado para passar três semanas no país, onde visitou escolas, acompanhou palestras sobre justiça social e desenvolveu trabalhos comunitários. “Antes eu tinha um pensamento muito limitado. Não sabia que era possível até viajar para apresentar uma pesquisa. Agora eu sonho muito mais alto. Deixei de pensar que ir para outro país era uma coisa de outro mundo para a minha realidade”, orgulha-se o alagoano.

Durante o programa Jovens Embaixadores, nos Estados Unidos, Gabriel também conheceu as estudantes Sarah Evellyn Oliveira Borges, de Rio Branco (AC), Raquel Santos Fontes, de Aracaju (SE) e Kethyllen Emanuelle Pimentel, de Jaboatão dos Guararapes (PE). Ao retornarem para o país, eles se uniram para começar o projeto Impacta Jovem, que pretende divulgar oportunidades acadêmicas e científicas para estudantes do 8º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio. “Percebemos que sempre nos sentimos sozinhos durante nossa trajetória acadêmica e período de participação em olimpíadas. Não tinha ninguém para nos guiar e dizer o que realmente era importante”, avalia.

Movido por essas experiências, no próximo semestre ele também irá começar o curso de Engenharia de Computação, na Universidade Federal de Alagoas. A longo prazo, Gabriel espera usar a ciência para resolver problemas da sua comunidade. “Eu diria que o meu sonho é ajudar a evitar problemas da seca no nordeste. Minha família vem do interior, e lá tem muita falta de água. Como engenheiro, eu quero desenvolver soluções para ajudar essas pessoas.”

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Este conteúdo faz parte da série Protagonismo Jovem. Mensalmente você irá conhecer histórias de jovens brasileiros que desenvolvem projetos de impacto social para transformar suas escolas e comunidades.

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