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Letramento digital e tecnologias analíticas são temas urgentes, aponta NMC

Tópicos ganharam destaque no relatório NMC/CoSN Horizon Report para a educação básica em relação aos anos anteriores. Onipresente, a aprendizagem em dispositivos móveis deixa de fazer parte expressa do levantamento

por Fernanda Nogueira 27 de novembro de 2017

Letramento digital e tecnologias analíticas são temas que ganharam importância no NMC/CoSN Horizon Report: Edição 2017 para a educação básica em relação aos anos anteriores. Aprendizagem em dispositivos móveis deixa de fazer parte expressa do estudo, segundo Samantha Adams Becker, diretora sênior de Publicações e Comunicações do New Media Consortium (NMC), que edita o levantamento anual em parceria com o Consortium for School Networking (CoSN) desde 2012. O relatório examina tecnologias emergentes por seu potencial impacto e uso no ensino, aprendizagem e pesquisa criativa nas escolas.

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“Ao redor do mundo, a tecnologia é usada para o aprendizado todos os dias fora da educação formal – quando uma criança vê um vídeo sobre a física do skate ou pega seu celular para ler sobre sapos em um aplicativo. É importante que a educação básica reflita mudanças sociais para que estudantes estejam preparados para o mundo real”, explica Samantha.

Melhorar o letramento digital é um tópico urgente porque, além do uso da tecnologia para aprender e para consumir conteúdo, os estudantes precisam saber como aproveitá-la para colaborar e criar conteúdo, desenhando sites, construindo aplicativos, editando vídeos, e se envolvendo em narrativas digitais, habilidades cada vez mais valorizadas na força de trabalho contemporânea.

 

Escolas têm a responsabilidade de propagar o letramento digital – não apenas entre os estudantes, mas também entre os professores, com oportunidades contínuas de desenvolvimento profissional

 

“Não se trata apenas de saber como usar um dispositivo específico ou ferramenta digital, mas também estimular a criatividade e promover o aumento da intuição nos alunos para que eles possam se adaptar a qualquer novo contexto digital que surja no futuro. Escolas têm a responsabilidade de propagar o letramento digital – não apenas entre os estudantes, mas também entre os professores, com oportunidades contínuas de desenvolvimento profissional”, afirma Samantha.

Outro tópico com interesse crescente é a tecnologia analítica, componente essencial do planejamento e implantação de tecnologias nas escolas. Samantha questiona qual é o benefício de implementar uma nova ferramenta digital se não houver processo para avaliar o sucesso de sua integração ao ensino e à aprendizagem.

“Exigir que tecnologias específicas sejam usadas na sala de aula requer uma estratégia firme para obter/compartilhar dados e evidências sobre como elas reforçam o engajamento dos estudantes e outras métricas. Tecnologias analíticas, seja na forma de softwares adaptativos ou painéis de análise, podem fornecer uma imagem mais clara aos professores e aos líderes escolares sobre quão bem os estudantes estão ou não estão entendendo o material em um ambiente de aprendizagem online, por exemplo”, explica a pesquisadora.

Já a aprendizagem em dispositivos móveis não faz mais parte expressa do relatório. Isso acontece não porque o tema esteja perdendo importância ou potencial, segundo Samantha, mas em razão de seu uso ter se tornado onipresente em várias partes do mundo e inerente a quase todos os tópicos.

 

Sempre que falamos de dispositivos móveis ou de qualquer tecnologia para este assunto, temos também que procurar soluções ao desafio de avançar na equidade digital

 

“É difícil falar sobre realidade virtual sem falar sobre dispositivos móveis habilitados para realidade virtual ou sobre internet das coisas sem dispositivos móveis sempre conectados. No entanto, isso levanta questões de acesso e equidade – nem todos os alunos possuem os mais recentes smartphones ou conectividade. Sempre que falamos de dispositivos móveis ou de qualquer tecnologia para este assunto, temos também que procurar soluções ao desafio de avançar na equidade digital e igualar o espaço para todos os estudantes, independentemente da demografia”, diz Samantha.

Leia mais (edição 2016): Relatório do NMC: produção de conteúdo e programação são tendência

Segundo o relatório deste ano, as tendências-chave para acelerar a adoção da tecnologia no curto prazo, de um a dois anos, são o uso da programação como alfabetização e o aumento da aprendizagem STEAM (sigla que engloba ciências, tecnologia, engenharia, artes e matemática). No médio prazo, em três a cinco anos, as escolas precisam dar mais foco à medição do aprendizado, que pode revelar como as ações dos alunos contribuem para o seu progresso e ganhos de aprendizagem específicos; e ao redesenho dos espaços de aprendizagem, que tenham impacto significativo nas práticas de sala de aula e na aprendizagem.

No longo prazo, de cinco ou mais anos, é preciso avançar nas culturas de inovação, repensando criticamente os currículos e mudando métodos de avaliação para remover barreiras que limitam o desenvolvimento de novas ideias; e aprofundar as abordagens de aprendizagem, como aquelas baseadas em problemas, em projetos, em desafios e em investigações, que incentivam a busca por soluções criativas.

O estudo traz ainda os desafios que impedem a adoção da tecnologia. Experiências de aprendizagem autênticas, que colocam os estudantes em contato com problemas do mundo real e situações de trabalho, e a melhoria do letramento digital são considerados solucionáveis, ou seja, são aqueles que tanto se entende como se sabe como resolver. Repensar os papéis dos professores e ensinar o pensamento complexo aparecem como desafios difíceis, não por falta de entendimento, mas por apresentarem soluções atualmente vistas como imprecisas.

Já o hiato de realização (disparidade observada no desempenho acadêmico entre grupos de alunos de acordo com status socioeconômico, raça, etnia e gênero) e da sustentabilidade à inovação mesmo com mudanças de liderança (permitindo o sucesso de programas que satisfaçam efetivamente às necessidades dos estudantes) são vistos como complexos, por serem complicados até para definir, quanto mais para resolver.

As tecnologias importantes para serem aplicadas na educação aparecem de acordo com o horizonte de tempo para adoção. Em um ano ou menos estão os espaços maker e a robótica, ambos aliados da experimentação. De dois a três anos, vêm a tecnologia analítica e a realidade virtual – capaz de tornar as simulações de aprendizado mais autênticas. Em quatro a cinco anos, aparecem a inteligência artificial – com potencial de tornar o aprendizado mais intuitivo – e a internet das coisas, que pode ajudar as escolas a reduzir custos, a usar os dados dos alunos de forma mais eficiente e a fornecer aos alunos ferramentas para criar soluções para problemas do mundo real.

Participação brasileira
A professora do Colégio Bandeirantes Cristiana Assumpção faz parte do grupo de 61 experts do mundo que contribuíram com o relatório Horizon Report 2017. O trabalho é feito pela internet por cerca de três meses. “Na primeira etapa lemos e compartilhamos uma série de artigos e reportagens para ver quais tecnologias estão entrando forte no mercado, ou que já estejam presentes. Depois discutimos como estas tecnologias estão entrando na educação e como podem contribuir para a qualidade de aprendizagem. Também discutimos tendências e desafios que as escolas enfrentam para inovação. Depois no final, usando o sistema Delphi, votamos nas tecnologias, tendências e desafios que têm maior probabilidade de afetar a educação em larga escala nos próximos horizontes de 0 a 1 ano, de 2 a 3 anos e de 4 a 5 anos”, explica Cristiana. Após esta etapa, os editores do NMC organizam o material e geram o relatório.

Segundo a professora, o Brasil avança rápido em duas inovações tecnológicas educacionais presentes no relatório deste ano: movimento maker e STEAM. Alguns exemplos citados por ela são iniciativas como o programa de fellows da Fundação Lemann, comunidade de aprendizagem criativa desenvolvida em parceria com o MIT Media Lab, a inserção do currículo STEAM em escolas como o Colégio Bandeirantes, o surgimento de escolas como a Avenues e a Concept.

Outros exemplos são o Projeto Âncora, a escola Amorim Lima e o programa da prefeitura municipal de São Paulo de trabalho junto aos Professores Orientadores de Informática Educativa (POIEs) para criação de um currículo maker. “Eventos estão sendo promovidos com frequência para que estas comunidades de práticas inovadoras compartilhem suas ideias e continuem a aprender um com o outro, e isto fortalece o movimento e multiplica sua adoção”, diz Cristiana.

 

A inovação tecnológica depende fortemente do envolvimento dos professores, pais e toda a comunidade envolvida na escola

 

Entre os temas discutidos no relatório, segundo a professora, o Brasil precisa acelerar na discussão da mudança de valores e de modelo mental sobre o que é fazer educação, qual é o papel do professor e da escola na sociedade do século 21. “A inovação tecnológica depende fortemente do envolvimento dos professores, pais e toda a comunidade envolvida na escola. Os gestores precisam estar preparados para construir esta visão e oferecer as condições necessárias para que ela possa ser desenvolvida. Uma verdadeira inovação exige tempo e recursos”, afirma a professora.

De acordo com ela, os professores precisam ter mais tempo e oportunidades de experimentar novas tecnologias e estratégias pedagógicas. “Precisamos criar instrumentos de avaliação que tenham indicadores e medições de outras competências além da cognitiva. Hoje temos tecnologia que permite termos dados para analisar o processo de aprendizagem de forma mais personalizada e individual, mas precisamos desenvolver interfaces que façam proveito destes dados, formar pessoas capazes de analisar os dados e transformar em práticas pedagógicas mais customizadas para as necessidades daqueles alunos. Enfim, temos a tecnologia de forma poderosa para informar e melhorar o nosso sistema educacional. O desafio está nos recursos humanos necessários para fazer uso de tudo isso”, diz Cristiana.

Confira as principais constatações do NMC/CoSN Horizon Report: edição 2017 para a educação básica:

Tendências-chave para acelerar a adoção da tecnologia:

Curto prazo (um a dois anos)
– Programação como alfabetização
– Aumento da aprendizagem STEAM

Médio prazo (três a cinco anos)
– Foco crescente na medição do aprendizado
– Redesenho dos espaços de aprendizagem

Longo prazo (cinco ou mais anos)
– Avanço das culturas de inovação
– Aprofundamento das abordagens de aprendizagem

Desafios que impedem a adoção da tecnologia:

Solucionáveis (aqueles que nós tanto entendemos como sabemos como resolver)
– Experiências de aprendizagem autênticas
– Melhoria do letramento digital

Difíceis (aqueles que entendemos mas para os quais as soluções são imprecisas)
– Repensar os papéis dos professores
– Ensinar o pensamento complexo

Complexos (aqueles que são complexos até para definir, quanto mais para resolver)
– O hiato de realização
– Sustentar a inovação mesmo com mudanças de liderança

Tecnologias importantes a serem aplicadas na educação:

Horizonte de tempo para adoção: um ano ou menos
– Espaços maker
– Robótica

Horizonte de tempo para adoção: dois a três anos
– Tecnologia analítica
– Realidade virtual

Horizonte de tempo para adoção: quatro a cinco anos
– Inteligência artificial
– Internet das coisas

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