Sou professora do 4º ano na Escola Municipal Nossa Senhora do Rosário, que fica em Manaus (AM). Logo que iniciamos o ano letivo de 2018, fizemos um diagnóstico inicial e constatamos que a grande maioria dos alunos não tinha o hábito da leitura e escrita. Desta forma, escolhemos trabalhar com o projeto interdisciplinar “Autores Mirins”, em que escolhemos a utilização de gêneros textuais para abordar conteúdos previstos da série, sem a fragmentação do ensino.
O projeto propõe colaborar para o desenvolvimento da leitura e da escrita por meio de atividades que unem diferentes disciplinas e despertem nos alunos o desejo de aprender de forma criativa e prazerosa, estimulando suas capacidades cognitivas e sociais.
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Para chegar estimular a linguagem oral e escrita, lemos a história infantil “Essa tal de natureza”, da autora Leyla Leong. A obra trata de fatores que podem ameaçar o meio ambiente, como a ignorância, a indiferença e a ambição. Sua mensagem é de conscientização, com o objetivo de despertar os leitores para a importância de uma atitude em relação à natureza.
A partir dessa leitura, surgiram muitas atividades que foram desenvolvidas em sala de aula, como rodas de conversas, produções textuais, interpretações orais e escritas, confecção de maquete, exposição de textos, utilização de softwares, músicas, artes e produção de um livro com os textos construídos pelos alunos.
O eixo de linguagem oral e escrita foi trabalhado a partir de conversas sobre questionamentos da ação do homem sobre a natureza, seus benefícios e malefícios. Foram apontados diversos questionamentos de como poderíamos minimizar os efeitos das ações do homem. Também fizemos a produção textual de uma carta e de textos relacionados à temática, trabalhando itens como coerência, coesão dos textos, ortografia e gramática.
Na área de ciências naturais e sociais, estudamos a ação do homem sobre a natureza, a alimentação, seu agir pessoal e coletivo com respeito, autonomia, responsabilidade, flexibilidade e resiliência. Em geografia, foram feitas pesquisas e a construção de maquete sobre a paisagem natural e paisagem modificada, além de tratar sua importância para o homem e estudar modo de vida urbano e qualidade de vida, áreas protegidas, conservação ambiental, cidadania, pluralidade cultural, produzir sem degradar, entre outros.
Não podemos deixar de analisar a temática da sociedade, centrada no consumo e no desperdício irracional de recursos, fazendo as devidas inferências sobre o meio ambiente. Além disso, trabalhamos nos conteúdos de arte: música, percepção de som, ritmo, melodia, letras, rimas e elementos da linguagem visual.
Considerando as competências do letramento matemático, realizamos situações problemas em múltiplos contextos, utilizando diferentes registros e linguagens, como gráficos e tabelas.
Para trabalhar com as TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação), também usamos softwares na construção de imagens representativas sobre o meio ambiente, o que permitiu inúmeras possibilidades de tornar a didática mais envolvente e assimilativa. Isso ajudou a captar a atenção do aluno de uma forma mais aguda e consequentemente aumentar as chances de um aprendizado de sucesso.
A participação da família foi imprescindível para a realização deste projeto, pois houve o envolvimento dos pais na construção de cada ação, seja direta ou indiretamente. E na culminância do projeto foram apresentados as ações e os resultados aos responsáveis pelos alunos.
O projeto vai continuar sendo aplicado em nossa prática, pois possibilitou dinamizar os conteúdos e acompanhar os níveis de leitura e escrita dos alunos. O professor que realizá-lo com certeza terá um retorno satisfatório do progresso de seus alunos. Mas é válido mencionar que não é algo fácil, requer dedicação, paciência e empenho.
Considero que este tipo de ação não se esgota apenas em sala de aula. Sua aplicação está presente na comunidade, seja na família ou na escola, na construção humana, histórica e social.

