Bem-vindo (a) ao site do Porvir

Aqui, mapeamos, difundimos e promovemos a troca de práticas educacionais inovadoras

Boas inspirações!

crédito: viiwee / Fotolia.com

Diário de Inovações

Resgate de memórias muda uso de tecnologia na EJA

Em Porto Alegre (RS), professores integram aulas de música, teatro e cultura digital na educação de jovens e adultos

por Clevi Elena Rapkiewicz 3 de junho de 2015

O uso de TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação) com alunos da EJA (Educação de Jovens e Adultos) ainda é muito restrito. No Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre (RS), estamos inovando ao integrar as aulas de música (professora Daniela Cesa), teatro (professores William Molina e Lisinei Rodrigues) e cultura digital (eu) com a produção de projetos colaborativos.

Esse trabalho de integração realizado desde 2012 foi motivado pelo desencanto com projetos de inclusão digital que focam apenas na instrumentalização dos alunos para o uso de recursos, como edição de textos ou apresentações. Alguns autores entendem a inclusão digital como acesso à tecnologia, mas não é exatamente assim. Se pegarmos a ideia de alfabetização, qual é a diferença entre uma pessoa alfabetizada ou letrada? Apenas conhecer as letras e saber ler alguma coisa não significa que ela é letrada. É preciso entender a prática e saber se comunicar. Eu acreditava que a inclusão digital deveria ser entendida da mesma forma, proporcionando um uso social dos recursos digitais.

Queríamos inserir esses recursos na rotina dos alunos, mas com atividades que fossem significativas para eles. Se vamos editar um texto, não pode ser qualquer um. Como sugestão da professora de português, começamos a usar produções que se relacionavam com as memórias deles. Foi assim que a professora de música passou a trabalhar com o resgate de memórias musicais da infância, adolescência e idade adulta. Por sua vez, os professores de teatro passaram a orientar a composição de cenas relacionadas com essas músicas. Nas aulas de cultura digital começamos a desenvolver apresentações, envolvendo vídeos e pesquisas na internet.

Ainda com a ideia de resgatar memórias, no segundo semestre os alunos trabalharam com áudio e tiveram que ouvir e analisar comerciais antigos. Também exploramos a criação e edição de arquivos sonoros com a produção de radionovelas. Eles recriaram e interpretaram esses conteúdos com o uso de personagens digitais, os chamados avatares. 

Nossos encontros acontecem todas as quartas-feiras, no período da noite. Temos quatro tempos de aula, onde devemos atender quatro componentes curriculares: a educação física, a música, o teatro e a cultura digital. Trabalhamos com três turmas de EJA e não temos um horário fixo para cada uma dessas disciplinas. Durante alguns dias, temos três professores trabalhando juntos em sala de aula. 

A nossa principal dificuldade é a infraestrutura de informática, um tanto precária na escola pública. No entanto, tentamos encontrar soluções. Um exemplo disso são os fones que os alunos usam para escutar as músicas e paisagens sonoras. Todo professor do colégio guarda aqueles fones de avião quando viaja para usar na escola. Passamos álcool em gel e colocamos tudo em uma caixinha. Quando é preciso gravar alguma coisa, eu a professora de música levamos os nossos equipamentos de casa.

Os depoimentos espontâneos dos alunos nos dias de apresentação dos trabalhos para as outras turmas nos sugerem que estamos no caminho certo.

Veja aqui os comerciais encenados pelos alunos

Ouça as radionovelas produzidas por eles

Clevi Elena Rapkiewicz

Tem dupla graduação. Processamento de Dados pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e pedagogia pela UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). É fã do Mário Quintana. Acredita na construção coletiva do conhecimento. Coordenada a área de informática do Colégio de Aplicação da UFRGS. Está convencida que os computadores fazem coisas boas muito rápido. Mas que quando erram, erram muito rapidamente ! Então é bom ter atenção com o uso que se faz deles.

TAGS

educação de jovens e adultos, tecnologia

  • Julciane Rocha

    Pessoal,

    Sugiro uma correção no título. É a EJA, não o EJA, pois se trata da Educação de Jovens e Adultos.

    Abraços,

    Julci Rocha
    Assessoria Pedagógica
    Fundação Lemann

    • CLEVI ELENA RAPKIEWICZ

      Julciane,

      você tem toda razão, obrigado por estar atenta.

      Clevi

    • CLEVI ELENA RAPKIEWICZ

      Julciane,

      de fato, educação é feminino, é preciso fazer a concordância. Obrigado.

      Clevi

    • PORVIR

      Olá,

      O título foi retificado.

      Obrigado.