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Sala de aula invertida poupa tempo para o que interessa

Em uma escola estadual de Campinas, as aulas de matemática se tornaram mais dinâmicas com exercícios e interações entre professores e alunos

por Marina Lopes 24 de agosto de 2015

Melhorar o desempenho dos alunos em matemática era um desafio para a diretora Anelita de Moura Fé Reis, da Escola Estadual Professor José Vilagelin Neto, em Campinas (SP). Quando ela ouviu falar sobre uma plataforma de aprendizagem que poderia aumentar o engajamento dos alunos, foi atrás para se informar. Tão certo como dois e dois são quatro, decidiu que iria trazer um novo método para a escola e inverter a lógica tradicional da sala de aula.

Dentro da carga horária de matemática do ensino fundamental e médio, algumas aulas acontecem no laboratório de informática e utilizam uma metodologia diferente. Ao contrário das aulas expositivas, neste período os alunos não precisam gastar tempo copiando matérias da lousa ou ouvindo explicações extensas. Eles focam na resolução de exercícios e aproveitam o momento para tirarem dúvidas com o professor sobre a matéria. Todo o trabalho é realizado no QMágico, uma plataforma de aprendizagem que ajuda a inverter a sala de aula.

Originalmente, a metodologia da sala de aula invertida prevê que o aluno aprenda o conteúdo em sua casa, por meio de recursos interativos, e na sala de aula aproveite o tempo para fazer atividades ou desenvolver projetos. A escola campinense faz uma adaptação desse método. No ensino médio, por exemplo, entre as cinco aulas semanais de matemática, duas seguem a lógica da inversão. “Quando o aluno tem as dúvidas, a gente consegue sanar na hora. É melhor gastar o tempo de aula para eles fazerem exercícios do que mandar tarefas para fazer em casa”, conta o professor de matemática José Arnaldo Júnior.

Cada aluno tem uma conta na plataforma que dá acesso a exercícios e conteúdos que ajudam a inverter a lógica de uma aula tradicional. “O tempo que o professor perderia na lousa escrevendo, ele consegue reduzir e colocar tudo digital”, explica a coordenadora do projeto Cristiane Botezelli, que ajuda os professores na inserção dos conteúdos no ambiente e oferece suporte durante as aulas. De acordo com ela, essa metodologia gera um ganho na relação entre professor e aluno, criando mais possibilidades de interação.

“Eu acho que mudou bastante o jeito de aprender. O que a gente gastaria dias em uma aula tradicional, a gente faz em um dia aqui [no laboratório]”, compara a aluna Beatriz Lemos, 15, do segundo ano do ensino médio. Para o professor Arnaldo, o ganho de tempo acontece porque, ao invés de ouvir uma explicação e copiar a matéria da lousa, o aluno interage na prática com o conteúdo e enquanto faz as atividades pode debater e tirar suas dúvidas. “Aqui nem tem cadeira de professor. Você não pode sentar. Precisa circular pela sala e acompanhar os alunos”, explica.

É melhor gastar o tempo de aula para eles fazerem exercícios do que mandar tarefas para fazer em casa

A professora de matemática Bruna Belede também concorda que essas aulas ajudam a acompanhar melhor os alunos. “Quando a gente percebe as dificuldades, vai em cada um tirando as dúvidas pontualmente”. Embora o tempo de aula seja o mesmo, ela diz que a qualidade da aprendizagem é diferente de quando eles estão apenas na sala com o método tradicional.

Com as aulas mais dinâmicas de matemática, Erik de Oliveira, 15, da segunda série do ensino médio, percebeu até uma diferença nas suas notas, que de cinco foram para nove. “Eu não gostava de matemática. Ainda não gosto muito, mas eu tenho mais interesse agora e acho necessário aprender.”

Adequações na infraestrutura
O trabalho com a plataforma do QMágico é feito com 14 turmas (sete do fundamental e sete do médio). Para usar a plataforma, foi preciso fazer parcerias para investir em infraestrutura na escola. “Todo mundo duvidou e disseram que não iríamos conseguir porque não tínhamos uma sala de informática adequada”, lembra a coordenadora Madelaine Dias. O laboratório antigo tinha apenas 23 computadores que não funcionavam direito. A diretora Anelita e sua equipe foram atrás de organizações e pediram apoio para o CDI (Comitê para Democratização da Informática).

Em parceria com a Fundação Educar DPaschoal e a JPMorgan Chase Foundation, uma empresa de serviços financeiros dos Estados Unidos, no ano passado conseguiram trocar os computadores da escola, pagaram o QMágico para usar em quatro turmas, contrataram educadores de apoio e trouxeram uma coordenadora para apoiar e orientar os professores no trabalho com a plataforma. “Quando um diretor levanta a bandeira e quer, com a sua equipe ele consegue”, defende a diretora Anelita.

Com as parcerias conquistas, o laboratório de informática da escola ficou equipado com 36 computadores (processador Intel Core i5, 500GB (gigabit) de disco rígido e 8GB de memória). No entanto, ainda seria preciso superar os entraves de conectividade, já que a internet era parada, como costuma dizer a diretora. “Antes era aquela coisa, quando falava em aula de informática eu já sabia que iria demorar. A internet não colaborava. A gente só perdia tempo”, recorda o aluno Leonardo Alves, 16, da segunda série do ensino médio. Juntando o dinheiro arrecadado pela cantina e com a Associação de Pais e Mestres, a escola contrata por conta um plano mensal de 50 Mbps (megabits por segundo).

Segundo a diretora, com o uso da plataforma e a nova metodologia os alunos tiveram um ganho de 20% no rendimento em matemática. O desempenho fez com que a escola ganhasse um plano de acesso gratuito à plataforma de aprendizagem, que permite usar a ferramenta com todas as suas turmas. “Quando você trabalha por amor e por carinho, a coisa flui”, diz Anelita, que tem planos de começar algum trabalho parecido com a disciplina de inglês.

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