3 escolas públicas brasileiras são finalistas em prêmio internacional - PORVIR
Crédito: Escola Adolfina Diefenthäler/Facebook

Inovações em Educação

3 escolas públicas brasileiras são finalistas em prêmio internacional

Conheça os projetos de escolas no Rio Grande do Sul e em Pernambuco que foram selecionadas pelo World's Best Schools, da T4 Education

por Redação ilustração relógio 9 de junho de 2022

Entre as 50 melhores escolas do mundo, três delas são brasileiras. E públicas. Por ensinar de maneira que rompe com o modelo tradicional de ensino, elas chamaram a atenção do prêmio “World’s Best School Prizes” (em português, “Prêmios Melhores Escolas do Mundo”). Em sua primeira edição, a iniciativa é organizada pela instituição britânica T4 Education, em parceria com Fundação Lemann, Fundação Templeton World Charity, Accenture, American Express e Yayasan Hasana, e destaca escolas que promovem práticas inovadoras de olho na melhoria da aprendizagem. 

Cinco categorias compõem o prêmio, com dez escolas concorrendo em cada uma delas: Colaboração Comunitária, Ação Ambiental, Inovação, Superação da Adversidade e Apoio a Vidas Saudáveis. As três melhores de cada eixo serão anunciadas em setembro e as vencedoras, divulgadas durante a Semana Mundial da Educação, em outubro. O prêmio final é de US$ 50 mil para cada escola. 

Conheça as escolas brasileiras finalistas da premiação

A EMEF (Escola Municipal de Ensino Fundamental) Professora Adolfina J. M. Diefenthäler, localizada Novo Hamburgo (RS), figura na lista por seu trabalho de Colaboração Comunitária. Por lá, um Comitê de Gestão Democrática, independente da liderança escolar, abre espaço para que pais e alunos possam trazer suas colaborações sobre o que acham que poderia mudar na escola. 

Assembleias mensais são realizadas nas classes, e ideias e pedidos ficam registrados em documentos validados por essa comissão. Anualmente, a escola realiza uma conferência que envolve todos na instituição para analisar as principais e mais importantes demandas. Qualquer estudante tem o direito de opinar, sugerir ou emendar propostas, o que gera um sentimento de corresponsabilização pelo desenvolvimento da escola. 

Pelo lado do desempenho acadêmico, a escola traz projetos de iniciação científica que começam logo na educação infantil. Na atividade “Fora da Caixa”, um pilar do projeto pedagógico da escola, crianças de diferentes séries desenvolvem juntas atividades sob a gestão dos diferentes professores. Assim, também aprendem a aprender e conviver uns com os outros. Em recente entrevista ao Porvir, a coordenadora Joice Lamb detalhou a experiência como gestora da escola.

Se ganhar o Prêmio de Melhor Escola do Mundo pela Colaboração Comunitária, a escola vai consultar a assembleia para entender qual deverá ser o melhor uso dos fundos. 

No Recife (PE), a Escola Técnica Estadual Professor Agamenon Magalhães (ETEPAM), inaugurada em 1928 e tida como uma das mais antigas do país, destaca-se na categoria Inovação. Ao investir na criação de dispositivos e softwares de computação que dialogam com as principais questões sociais e ambientais que cercam a comunidade, a escola aposta em tecnologia e trabalha com a valorização da responsabilidade social, estratégias importantes para combater e desestimular a evasão. 

O destaque é o workshop “Live Up”, que aborda os ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável definidos pelas Nações Unidas) e tem por objetivo apoiar o empreendedorismo social. Entre os projetos desenvolvidos, estão tijolos ecológicos com fibras de coco, um cobertor biológico que ajuda a reduzir a poluição da água dos rios e o software “Cangame”, que apoia alunos autistas nos estudos e na comunicação, já usado em 23 países. 

Caso ganhe o Prêmio Melhor Escola do Mundo na categoria Inovação, a escola planeja usar o valor para ampliar o projeto “Live Up”, levando a oficina para escolas indígenas e para programas de educação em presídios. 

A terceira a entrar na lista foi a Escola de Ensino Fundamental Evandro Ferreira dos Santos, em Cabrobó, no sertão de Pernambuco, que aparece pela Superação da Adversidade. A proposta é melhorar a educação de seus alunos dando o passo inovador de ensinar seus pais.

Muitas vezes, quando os documentos oficiais da escola precisavam de uma assinatura dos responsáveis, um carimbo na forma de impressão digital era usado. Os estudantes, com idades entre 11 e 15 anos, não contavam com o apoio dos familiares nas tarefas escolares porque a maioria não sabia ler e escrever. A escola, então, lançou o projeto “Distantes sim, desconectados não! Família e escola projetando sonhos, promovendo a inclusão”, com ênfase na alfabetização de adultos – inicialmente, com foco na participação das mães. 

Caso ganhe o Prêmio Melhor Escola do Mundo pela Superação das Adversidades, continuaria investindo na comunidade: com cursos de informática para que as famílias sejam inseridas no universo digital, com projetos voltados ao empreendedorismo e com cursos de interesse das mães, como manicure, cabeleireiro e corte e costura. A premiação ajudaria a escola, ainda, a erradicar o analfabetismo para que as famílias continuem a estudar e motivem seus filhos a seguir na carreira acadêmica. 

De acordo com os organizadores da premiação, a ideia é reconhecer o papel central que escolas de todo o mundo desempenham, principalmente durante o período da pandemia de Covid-19. 

“As escolas no Brasil têm trabalhado cuidadosamente durante toda a pandemia para manter os alunos aprendendo, apesar dos enormes desafios no acesso à tecnologia. Os World’s Best School Prizes celebram suas conquistas e permitirão que outros aprendam com as soluções inovadoras que encontraram para superar os obstáculos enfrentados”, diz Denis Mizne, presidente executivo da Fundação Lemann.


TAGS

aprendizagem baseada em projetos, educação de jovens e adultos, educação mão na massa, engajamento familiar, ensino técnico, escolas inovadoras, gestão democrática, prêmios

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