Portugal e a conquista de um computador por aluno
Na última década, o país subiu nos rankings internacionais melhorando seu desempenho no uso das TIC
por Vagner de Alencar 1 de junho de 2012
Como Portugal, país de pouco mais de 10 milhões de habitantes, conseguiu levar um computador a cada estudante, conectá-los à internet banda larga e treinar professores para usarem conteúdos educacionais gratuitos? A receita tem nome, o Programa e-Escola, projeto desenvolvido nos últimos seis anos pelo governo português, que parece oferecer lições para outros países quanto ao uso das tecnologias na educação.
No mês passado, o Banco Mundial realizou um evento em Washington, nos Estados Unidos, para mostrar como Portugal se tornou esse exemplo de uso das tecnologias na educação. A explicação para o caso do país foi, sobretudo, a criação de novos tipos de parcerias público-privadas que ajudaram a reduzir os custos de aquisição e manutenção de novas tecnologias.
Uma delas foi a Iniciativa Magalhães, projeto em parceria com a empresa Intel, que distribuiu ao longo dos últimos quatro anos um computador para cada aluno português – atualmente são cerca de 1,7 milhão de estudantes no país. “Seja qual for o futuro desses programas é o momento de outros país aprenderem com com eles”, afirma Mike Trucano, especialista em educação e TIC do Banco Mundial.
Avanços
Depois da distribuição em massa dos computadores, o uso das TIC nas escolas portuguesas apresentou sensível melhora. De 2010 para cá, Portugal subiu 12 posições no ranking de países que mais bem utilizam a tecnologia, ficando em 19a na classificação mundial, segundou apontou o Fórum Mundial Econômico. O número de professores beneficiados com a distribuição dos equipamentos saltou de 71 mil para mais de 80 mil no mesmo período.
Segundo o último resultado do Pisa, prova internacional aplicada a alunos de 15 anos, os estudantes portugueses são os melhores do mundo na criação de apresentações multimídia: 70% dos seus estudantes têm essa habilidade. O país ficou à frente da China e da Nova Zelândia. Enquanto na América Latina, a melhor colocação ficou com o Chile, onde 13% dos estudantes são capazes de usar o recurso.
Em Portugal, quase metade da população tem acesso à internet. Somente o acesso dos jovens à rede duplicou nos últimos seis anos; o salto foi de 43% em 2005, para 92% em 2010. O país também fica em primeiro lugar, em comparação aos demais países da União Europeia, quanto à disponibilização do uso de seus serviços on-line gratuitos, que alcança 100%. A média geral do conjunto de países europeus beira os 80%.
Atualizado às 18h17