Aceleramos a transformação digital e começamos a sofrer as consequências - PORVIR
Crédito: Dilok Klaisataporn/iStockPhoto

Inovações em Educação

Aceleramos a transformação digital e começamos a sofrer as consequências

Não podemos apenas enxergar que ganhamos em escala com a educação digital sem olhar para os processos humanos, para as competências socioemocionais

por Adriana Martinelli ilustração relógio 24 de maio de 2021

Quem nunca sonhou, mesmo acordado, com um mundo novo, diferente daquela vida presente que aos poucos projeta e constrói no dia a dia o futuro? De repente, ainda nas duas primeiras décadas do século 21, acordamos de um sonho estranho e nos deparamos com uma transformação poucas vezes vista na história da humanidade. Foi o que aconteceu no início do ano letivo de 2020: pulamos do sonho e da confortável realidade do presente para um futuro transformado.

Não por acaso, uma das melhores palavras para expressar esse contexto é transformar, que vem do latim Transformare, ou seja, fazer mudar de forma ou de aspecto (do grego: trans = através, formare = dar forma).

Embora embarcados no mesmo conteúdo, em pouco mais de um ano os processos educacionais foram acelerados na forma e no método rapidamente, com impactos no ato de ensinar e aprender. Ao contrário do que muitos pensam, essa transformação não foi apenas digital: ela veio acompanhada também de uma série de questões humanas.

O que vivenciamos hoje é o resultado de um rápido e concomitante processo de transformação digital e humana na educação. Ao mesmo tempo acelerada por dispositivos digitais, pela internet, redes sociais, aulas síncronas, assíncronas, telas. E nada disso foi um processo gradativo – passamos do momento presente para o futuro. Não foi uma escolha “natural” dos educadores. Preparados ou não, a realidade se impôs.

Embora as escolas estimulassem a implantação das tecnologias educacionais nos últimos anos, até então tudo era planejado, havia uma estratégia, incentivo à formação dos professores e a aprendizagem era avaliada sistematicamente.

Há de se reconhecer a imperfeição do “admirável mundo novo”. Porque ao mesmo tempo que aceleramos a transformação digital, começamos a sofrer as consequências disso, com impactos visíveis nas questões humanas. A percepção é que geramos um certo desequilíbrio, com excessos, exposições e exaustão frente às telas, ansiedade, frustrações por não atingir objetivos e, principalmente, com relação ao aprendizado dos nossos estudantes.

Não podemos apenas enxergar que ganhamos em escala com a educação digital, sem olhar para os processos humanos, para as competências socioemocionais. Esses dois pilares – tecnológico e humano –devem ser trabalhados com e para o equilíbrio. Eles não são antagônicos, e precisam conviver.

Uma vez que as competências socioemocionais são componentes essenciais e contemporâneos, este é o momento de achar o equilíbrio, onde educadores e alunos estejam voltados para a mediação pela tecnologia, mas também para a colaboração, para a saúde mental e emocional, para a empatia e o respeito nas relações, visando proporcionar o processo formativo de um ser humano mais cidadão.

Vale destacar ainda que não existe transformação digital sem a transformação humana. O híbrido passa a significar também o que é composto por elementos diferentes. O híbrido é a temperança que serve ao ensino remoto/online e ao presencial; e é também um modelo composto pelo trabalho com apoio digital, mas com ênfase nas relações humanas.

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competências para o século 21, socioemocionais, tecnologia

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