Aprendizagem prática e interdisciplinaridade ganham impulso em laboratórios - PORVIR
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Inovações em Educação

Aprendizagem prática e interdisciplinaridade ganham impulso em laboratórios

Com uso de tecnologia e seguindo diretrizes da BNCC, experiências práticas ganham novo significado com a retomada das aulas presenciais

Parceria com Brink Mobil

por Maria Victória Oliveira ilustração relógio 7 de março de 2022

Além do contato com colegas, professores e demais profissionais da escola, outra perda sofrida pelos estudantes durante a pandemia foram as experiências pedagógicas práticas. Com a retomada das aulas presenciais, mais do que nunca será necessário propor vivências mão na massa, que ajudem a despertar a curiosidade e interesse dos alunos. Em muitas escolas, os laboratórios são o lugar escolhido, pois alunos conseguem finalmente quebrar o enfileiramento das carteiras sem maior culpa e trabalhar de forma colaborativa.

Para aqueles que frequentaram escolas com esses espaços, as experiências de dissecar um animal durante a aula de biologia ou fazer experimentos na aula de química nunca serão esquecidas. Emilio Cesar da Silva, diretor escolar da Escola Municipal de Educação Básica Oswaldo dos Reis, em Itapema (SC), defende que o aprender torna-se mais prazeroso e significativo nesses ambientes.

“O laboratório corrobora com o aprendizado de todos os alunos, à medida que proporciona múltiplas formas de aprender, tendo a experiência prática como norteadora do processo de ensino e aprendizagem”, explica.

Integração de espaços 

A BNCC (Base Nacional Comum Curricular), com sua proposta de abordagem interdisciplinar, veio para promover uma integração entre os conhecimentos. Ana Karine Chiquim, coordenadora pedagógica da Brink Mobil, explica que essa conexão pode se estender também aos laboratórios escolares.

“Escolas construtivistas seguem uma abordagem de integração dos ambientes. Já escolas tradicionais, tendem a dividi-los de acordo com as diferentes áreas do conhecimento.” A escolha vai depender do perfil e contexto de cada escola.

Para os ambientes fixos, explica Ana Karine, é possível, a partir de olhar integrador, criar salas de recursos, com mais de uma linguagem e diferentes materiais pedagógicos no mesmo local, estabelecendo relações entre duas ou mais disciplinas e ramos de conhecimento. “O nosso laboratório vem ao encontro das habilidades propostas pela BNCC. A maquete giratória do sistema solar, que mostra as fases da lua, os movimentos de rotação e translação, é um dos materiais disponíveis que são utilizados em diversas disciplinas”, explica Emilio.

Diante das múltiplas realidades no Brasil, nem todas as escolas contam com espaços dedicados às experiências práticas. Mesmo assim, Karine reforça que é possível proporcioná-las às crianças. Por isso, para instituições que não dispõem de uma sala exclusiva, a proposta é a aquisição de carrinhos, da mesma forma que já é feito com computadores. Aqui o professor tem autonomia para selecionar os recursos e materiais necessários e levá-los até o local que dispõe para sua prática.

“Nessa configuração [dos carrinhos], o educador consegue propor contextos investigativos dentro da própria sala de aula, possibilitando o diálogo entre as diferentes áreas e seus conceitos, de maneira a integrar os conhecimentos distintos e com o objetivo de dar sentido a eles. Esse trabalho, no entanto, deve ser realizado de maneira a não anular ou diminuir os conhecimentos produzidos nas áreas de conhecimento específicas, mas promovendo a conexão entre eles.”


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Tecnologia e experiências práticas 

Karine explica que tecnologia e experimentação andam lado a lado há algum tempo. A criação da lente, por exemplo, foi um grande desenvolvimento tecnológico, pois quando usadas em um equipamento, permitem a observação do mundo microscópico.

Com a chegada e rápido avanço das tecnologias digitais, já não é incomum encontrar escolas com lousas digitais e computadores em sala de aula. A integração desse tipo de tecnologia também vale para os laboratórios.

“O desenvolvimento de tecnologias digitais possibilitou a criação de aparelhos com poder de ampliação surpreendentes, como os microscópios eletrônicos de transmissão e varredura. Hoje em dia conseguimos até mesmo criar a imagem de um átomo com o microscópio de tunelamento. Nesse contexto, toda tecnologia, se bem utilizada, com propósitos específicos, traz benefícios para o processo de ensino-aprendizagem.”

Para a coordenadora, tendo em vista que as novas gerações já nascem imersas em um mundo digitalizado, a presença de recursos integrados com as tecnologias digitais nas escolas, incluindo os laboratórios de ensino, é algo certo. “Por essa razão, o desenvolvimento de ferramentas que integrem tecnologias digitais – como realidade aumentada, realidade virtual, jogos digitais, simuladores – aos equipamentos, jogos e outros materiais concretos já existentes é o caminho mais assertivo para uma educação de qualidade”, afirma.

Emilio, por sua vez, comenta que muitos dos materiais que pertencem ao laboratório muitas vezes são levados a outros ambientes da escola, possibilitando diferentes tipos de experiências. “A tendência é que as aulas utilizem cada vez mais os recursos desse espaço. Assim, ficarão mais atrativas e de acordo com os pressupostos das habilidades da BNCC.”

O diretor reforça que é necessário investir na formação continuada dos professores para o uso dos materiais, com o objetivo de subsidiar os profissionais em suas práticas mais flexíveis.

Importância da pesquisa 

Mais do que inserir aparelhos no laboratório ou uma rede de banda larga na escola, é importante, como explica Karine, incentivar que estudantes aprendam sobre como realizar uma pesquisa.

“A pesquisa científica desenvolve aspectos importantíssimos no contexto acadêmico dos jovens, como a leitura, escrita e oralidade. Incentivá-los a reproduzir com suas próprias palavras um artigo, por exemplo, promove o desenvolvimento da criticidade e fomenta a aquisição de elementos importantes para a discussão”, afirma.

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Brink Mobil

TAGS

aprendizagem colaborativa, educação infantil, ensino fundamental, ensino médio, interdisciplinaridade, tecnologia

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