Em contato com as novas tecnologias e o computador, algumas crianças acabam deixando de vivenciar as cantigas e brincadeiras de roda. Pensando no resgate dessa cultura, comecei a desenvolver com a minha turma de educação infantil uma atividade que envolve diferentes ritmos e canções. A ideia era utilizar a imaginação e a criatividade para possibilitar o envolvimento dos alunos, na Unidade Pedagógica Nossa Senhora Aparecida, em Belém (PA). 

O meu interesse pelas cantigas de roda começou quando eu fiz um trabalho de pós-graduação, que tinha como base o uso de brinquedos, brincadeiras e jogos para desenvolver uma aprendizagem mais significativa e lúdica. Com a cantiga, a criança tem a possiblidade de vivenciar diversas experiências relacionadas ao dia a dia. Ela consegue desenvolver a expressão oral, a capacidade de representação e a autonomia. 

Sempre no início da manhã, fazemos uma dinâmica que começa com uma roda de conversa, onde os alunos relatam os acontecimentos que estão presentes no dia a dia deles. Com o comando de palmas, eles começam a passar uma caixa com várias imagens. Quando a caixa para com um determinado aluno, ele deve retirar uma figura e tentar representar para a turma uma cantiga relacionada. Se pegar a figura de um limão, por exemplo, canta a música “Meu Limão, Meu Limoeiro”. Quem não souber alguma música, devolve a figura na caixa e pega outra, ou pede ajuda da turma.

Eles vivenciam diversas cantigas de roda nessa dinâmica, como “Borboletinha”, “Ciranda Cirandinha” e “Samba Lelê”, uma das preferidas da turma. Eles gostam das músicas com movimento, que eles podem pular e correr. As crianças não gostam de atividades estáticas. Elas gostam de brincar e isso faz parte da natureza delas.

Além do lado lúdico, a cantiga de roda traz diversidade cultural à escola. Em cada música a gente tem o contexto de um local geográfico que pode ser trabalhado. São canções do norte, do sul, e assim por diante. Cada região tem uma brincadeira específica que acaba sendo vivenciada pela criança. Os alunos se empenham bastante e se colocam como protagonistas, vivenciando a cantiga de roda e também fazendo referência ao cotidiano deles. Eles sempre trazem as cantigas para o contexto em que vivem.

Pedagoga com pós-graduação em gestão escolar e educação inclusiva, atua como educadora há mais de 15 anos. Trabalha há três anos com educação infantil na rede municipal de Belém (PA). Tem artigos publicados sobre o uso de brinquedos, brincadeiras...

Participe da conversa

2 Comments

  1. Muito bom !!!!!
    Sou professora de música, e ideias diferentes para trabalhar cantigas de roda, são sempre muito bem vindas !
    Parabéns à professora Luciene, e ao Porvir !

  2. Muito bom !!!!!
    Sou professora de música, e ideias diferentes para trabalhar cantigas de roda, são sempre muito bem vindas !
    Parabéns à professora Luciene, e ao Porvir !

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *