Como melhorar a participação dos estudantes nas discussões em sala de aula - PORVIR
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Como Inovar

Como melhorar a participação dos estudantes nas discussões em sala de aula

Professores podem criar uma sala de aula com abordagem centrada no aluno, garantindo que todos tenham a chance de contribuir

por Stephanie Toro, para o Edutopia ilustração relógio 12 de agosto de 2021

Todos queremos que cada um de nossos alunos se sinta ouvido e valorizado em sala de aula, com todos participando das discussões. Em alguns anos, a dinâmica funciona magicamente. Em outros, devemos trabalhar mais para apoiar as vozes relutantes e moderar as personalidades dominantes, a fim de criar conversas equitativas.

Pesquisas identificam duas dimensões da participação em sala de aula: uma varia de interativa a não interativa e a outra de autoritária a dialógica. Eles se combinam para criar quatro tipos de conversas em sala de aula. Em uma sala de aula equitativa, geramos conversa dialógica-interativa, o que significa que toda a turma está pensando em conjunto, tornando seu pensamento visível, construindo conhecimento e compreensão e acessando o conhecimento prévio.

Isso é significativamente diferente da dimensão não-interativo-autoritária, no qual o professor está ensinando informações a partir de um ponto de vista, ou da não-interativa-dialógica, em que só o professor fala, porém compartilha diferentes perspectivas. Finalmente, com a autoritária-interativa, muitos alunos falam, mas é evidente que há apenas uma resposta ou perspectiva correta.


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Esforçar-se por uma conversa dialógica-interativa traz muitos benefícios para o processo de aprendizagem. Os alunos envolvidos na socialização da aprendizagem compreendem os conceitos em um nível mais complexo, uma vez que estão mentalmente envolvidos no processo de aprendizagem ativa. A conversa interativa-dialógica envolve os alunos, exige que acessem um conhecimento anterior, sintetizem sua compreensão, articulem de forma concisa e eficaz e elaborem por meio da assimilação de novos conhecimentos.

Além disso, quando os alunos contribuem para a experiência coletiva da sala de aula, isso os motiva e envolve, criando um sentimento de pertencimento, bem como a satisfação de serem valorizados por seus pensamentos e ideias. Eles acabam se tornando integrantes valiosos da experiência de aprendizagem em sala de aula.

Aqui estão algumas estratégias para criar uma cultura na qual todas as vozes e perspectivas são representadas para maximizar o processamento de nível superior de todos os alunos.

4 dicas para mais vozes serem ouvidas em sala de aula

  1. Evitar proximidade: Uma das estratégias mais conhecidas de gestão de sala de aula é a proximidade. Todos nós estamos cientes do poder de nos aproximarmos de um estudante para ajudá-lo a ser mais atencioso, participativo ou engajado, ou ainda melhor comportado. Às vezes, para criar equidade, é melhor se afastar do aluno. Em conversas normais, tendemos a nos aproximar ou nos inclinar ao falar com uma pessoa. Na sala de aula, vemos isso acontecer quando um aluno responde ou faz uma pergunta e o professor se aproxima desse aluno. Ao fazer isso, o professor deu, sem querer, um sinal de que essa conversa é apenas entre esse aluno específico e o professor. Outros alunos são rápidos em se desconectar da conversa.Em vez disso, quando um aluno responder, caminhe até o outro lado da sala. Agora, a conversa inclui todos os colegas de classe entre o professor e o aluno que está falando no momento. A probabilidade de outras pessoas ouvirem e responderem ativamente aumenta à medida que são fisicamente incluídas no espaço da conversa.
  2. Linguagem corporal: Tal como acontece quando se evita proximidade, o instinto natural é mudar nossa linguagem corporal para mostrar que estamos ouvindo. Inclinamos nossos ombros para a frente e os viramos para encarar a pessoa que está falando ou até mesmo para fazer contato visual. Na sala de aula, quando um professor faz isso, sinaliza para os outros alunos que se trata de uma conversa pessoal, e então eles se desligam.Professores podem, em vez disso, pensar e mudar sua linguagem corporal quando respondem aos alunos, posicionando seus ombros para se abrirem e se erguerem na direção de toda a classe, em vez de um aluno. Manter a cabeça erguida como se estivéssemos olhando para o outro lado da sala e ter nossos olhos percorrendo todo o ambiente ajudará a sinalizar para os alunos que espera-se que todos continuem na conversa.
  3. Participação anônima: Participar, compartilhar perspectivas e externalizar o pensamento nem sempre precisa ser no sentido tradicional de uma conversa em um grupo inteiro em sala de aula com diferentes alunos falando individualmente para os demais. Isso pode ser intimidante para alguns e também não abre espaço para quem é introvertido pensar, preferindo assim elaborar de forma individual.Permita que os alunos participem anonimamente. Eles sentirão suas idéias representadas sem qualquer ansiedade de serem reconhecidos. Eles saberão pessoalmente que foram ouvidos e contribuíram para a experiência de aprendizagem coletiva.Existem muitos aplicativos que permitem que os alunos enviem respostas anonimamente, mas um dos meus favoritos é o Nearpod, que permite uma variedade de diferentes tipos de perguntas, inclusive abertas, enquetes, múltipla escolha e desenho. A opção aberta permite que os professores selecionem uma única resposta e compartilhem com toda a classe, enviando para todos os dispositivos, de modo que seja a única resposta que os estudantes consigam ver. Mesmo que seja anônima, o estudante vai sentir que está contribuindo.
  4. Rotinas de pensamento: Rotinas de pensamento como “pensar em pares e compartilhar” (do inglês “think-pair-share”), o método de discussão quebra-cabeças (um depende do outro para avançar) e “vire e fale” (professor pede que os alunos se voltem para o outro e falem sobre algo por um breve período de tempo antes que a discussão em grupo ou a aula sejam retomadas) apresentam aos alunos diferentes níveis de interação, permitindo que manifestem suas ideias com um pequeno grupo antes de compartilhar com a classe toda. Isso demanda um esforço colaboração para construir conhecimento.Uma de valor particular é a estratégia de discussão do aquário. Os alunos trabalham em trios para se preparar para a discussão. Isso alivia a tensão da ansiedade individual. Durante a discussão real, há um círculo interno com apenas um representante de cada grupo tomando a palavra, enquanto os alunos do círculo externo atuam como ouvintes ativos. Você pode permitir que os membros do trio troquem notas com o representante do círculo interno ou troque de lugar. Isso permite que os alunos decidam quando querem ter uma voz mais ativa ou só apoiar a conversa. De uma forma ou de outra, eles ainda estão envolvidos de alguma maneira.

Diário de Inovações: Professora usa rotinas de pensamento para engajar alunos do ensino médio

* Publicado originalmente em Edutopia e traduzido mediante autorização
© Edutopia.org; George Lucas Educational Foundation


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Eduardo Magrone

Em um país onde a ideia de dialogicidade é considerada um perigo para o nosso ordenamento estatal, religioso e familiar, a participação em aula pode ser “perigosa”. Ainda bem que se pode contar com o Porvir para contar com subsídios de fomento da participação em aula. Isto é ainda mais necessário em tempos de aulas remotas.

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