Educação na Copa: professores inspiradores da Europa - PORVIR
Ronaldo Abreu / Porvir

Inovações em Educação

Educação na Copa: professores inspiradores da Europa

por Redação ilustração relógio 24 de novembro de 2022

Bélgica

Koem Timmers
Empreendedor e educador social

Koem Timmers é um educador, palestrante e fundador de vários projetos educacionais globais. Foi finalista do Global Teacher Prize, em 2017, e também já entrou para a lista de 100 inovações pelo mundo do site finlandês Hundred.

Em 2015, após entrar em contato com responsáveis por um campo de refugiados de Kakuma, no Quênia, Koen decidiu criar uma campanha de financiamento coletivo para apoiar a educação de crianças no local. A iniciativa permitiu que ele enviasse seu próprio laptop, e outros 20 dispositivos, painéis solares e infraestrutura de internet para o país africano. Hoje, 100 educadores pelo mundo, e o próprio Koen, oferecem educação online gratuita aos refugiados africanos.

Além disso, Koen lançou três outros projetos com a participação de 250 escolas em 66 países, que criaram um grande impacto e foram apresentados a formuladores de políticas públicas. O projeto Climate Action, por exemplo, foi apoiado pelo líder espiritual Dalai Lama, a antropóloga Jane Goodall, o Greenpeace, a UNESCO, a National Geographic e o Discovery Channel. No Climate Action, estudantes precisam agir e, portanto, realizar atividades práticas: plantam árvores, mobilizam a comunidade, campanhas de reciclagem, recifes de coral em 3D, desenvolvem usinas de biomassa, etc.

Fonte: Timmers.me

Espanha

Constanza Micaela La Grotteria
Escuela Infantil Ituitu

Constanza Micaela La Grotteria é uma professora apaixonada pela educação infantil. Sua experiência como professora começou em seu país natal, a Argentina, onde ela foi voluntária em escolas para crianças de áreas vulneráveis. Durante a crise financeira de 2002, emigrou com a família para a Itália e continuou a encontrar maneiras de realizar seu sonho de ensinar. Ministrou aulas de italiano para estrangeiros e aulas de espanhol para adultos, criou um grupo de escoteiros para crianças latino-americanas, estudou na Universidade de Gênova e, posteriormente, se qualificou para lecionar em escolas.

Após esse período, concluiu sua formação profissional na Espanha, onde leciona atualmente. Defensora das técnicas Montessori e Reggio Emilia, Constanza sempre desejou tais práticas às escolas regulares. Em consonância com essas abordagens pedagógicas, ela organiza espaços de aprendizagem cuidadosamente projetados para estimular a curiosidade, observação e exploração de seus alunos. 

No projeto Escolas pela Paz, a professora promove a democracia, a tolerância e a justiça social. O projeto teve um enorme sucesso – inicialmente adotado por escolas vizinhas em Valência, e hoje tem um impacto global, com escolas participantes em toda a Espanha e América Latina.

Outros projetos, incluindo um com foco no racismo, também foram recebidos positivamente e a levaram a ser premiada como Melhor Professora de Educação Infantil na Espanha em 2018. Outros prêmios incluem o Primeiro Prêmio Escolas pela Paz, Grupo Siena, 2020; Finalista na Melhor Experiência Educação para a Paz, Jornal Ensino, 2019; e Primeiro Prêmio no Infant School Magazine Award, Projeto de Alfabetização, 2019.

Fonte: Global Teacher Prize

Alemanha

Marie-Christine Ghanbari Jahromi
Comprehensive School Gescher / University of Muenster

Para desenvolver autoestima, motivação e empatia entre seus alunos, a professora Marie-Christine Ghanbari Jahromi adota metodologias de aprendizagem ativa, como é o caso do Sportpaten, que incentiva crianças a praticar atividades físicas com a ajuda de um mentor. A natureza participativa e colaborativa do projeto esportivo também ajudou crianças refugiadas na Alemanha (de países como o Irã) a se integrarem mais facilmente à sociedade local.

Marie-Christine defende que o esporte e programas de manutenção da forma física encorajam as crianças a acreditar em si mesmas e as ensina a assumir responsabilidades e resolver problemas por conta própria. Incorporando descobertas de sua dissertação, que pesquisa o comportamento de movimento de crianças na Nigéria, sua abordagem incorpora jogos de movimento africanos. A sua filosofia é que “Não se trata de ganhar ou perder, trata-se de ritmo e espírito de equipe”, que é como as crianças menos desportistas podem ser inspiradas a não serem deixadas para trás.

Com sua combinação de pesquisa e ensino, métodos esportivos e inovação matemática aliada a ferramentas tecnológicas, ela implementou vários projetos sociais em escolas, direcionados a crianças refugiadas e residentes em áreas vulneráveis, tanto na Alemanha quanto na Nigéria. A proposta era oferecer-lhes esperança, felicidade e oportunidades iguais. Marie-Christine, que estudou matemática e ciências do esporte na Universidade de Münster, recebeu vários prêmios, incluindo o Cusanuswerk na Alemanha, em 2013, uma indicação para o German Citizen Award 2016 e recebeu o prêmio Future Leader no GoFPEP 2014 da África.

Fonte: Global Teacher Prize

Reino Unido

Andria Zafirakou
Alperton Community School

Andria Zafirakou ministra aulas de arte na Alperton Community School, escola de ensino médio no distrito de Brent, em Londres (Inglaterra), que é um dos lugares mais etnicamente diversos do país. Cerca de 35 línguas são faladas na escola, e os alunos vêm de famílias pobres e expostas à violência de gangues. “[Brent] É uma comunidade em que muitos estudantes passam por dificuldades financeiras. Eles têm vida muito difícil. Moram em lares repletos de pessoas. Não conseguem se alimentar direito porque suas lancheiras chegam vazias”, disse Andria durante a cerimônia na qual recebeu o Global Teacher Prize. 

Como professora de arte e têxteis e integrante da equipe de gestão, Andria teve a tarefa de conquistar a confiança de seus alunos e das famílias para entender o contexto de onde eles vivem e, a partir disso, redesenhar o currículo. Ela ajudou o professor de música a lançar um coral para crianças da Somália e criou horários alternativos para permitir que os esportes para meninas não ofendessem as comunidades mais conservadoras.

Ao aprender conceitos básicos de muitas das 35 línguas na população de alunos de Alperton, Andria conseguiu se aproximar deles e estabelecer relações com seus pais. Graças aos seus esforços, a escola está hoje entre as melhores da Inglaterra.

Fonte: Global Teacher Prize

Sérvia

Ivana Kovacevic
Escola Dr Dragan Hercog, Belgrade

A professora Ivana Kovacevic tem como objetivo tornar a educação mais inclusiva, principalmente para crianças que têm algum problema de saúde e precisam ser educadas em hospitais ou até de maneira remota. Esses estudantes enfrentam diversos desafios, como a falta de um espaço educacional adequado, pouco tempo para se dedicar aos estudos, por conta de terapias e tratamentos, e a falta de recursos tecnológicos.

Motivada a reverter essa situação, a professora trabalha em hospitais (nos departamentos de neurologia, psiquiatria, nefrologia e oncologia), com crianças com paralisia cerebral, em centros para crianças abandonadas e nas casas dos estudantes. Por meio de diferentes plataformas, Ivana também dá aulas para crianças que estão fazendo tratamentos fora do país ou não podem ir até a escola. 

Atualmente ela ensina gramática, literatura e arte, combinação que considera útil para alunos com diferentes necessidades de aprendizado. A professora também criou uma plataforma online onde os estudantes podem publicar e discutir seus trabalhos com colegas, mesmo que não estejam na escola. Os alunos se reúnem pelo skype para conversar, visitar exposições virtuais e ir em excursões on-line. 

O trabalho realizado por Ivana faz com que esses alunos se sintam menos sozinhos e desenvolve neles uma espécie de “espírito comunitário”, o que afeta diretamente seu progresso escolar. Desde 2016, seus alunos ganharam 79 prêmios em concursos literários estaduais e internacionais. 

Fonte: Global Teacher Prize

França

Gaelle Assoune
REP+ College

Na escola onde Gaelle Assoune dá aulas, em Nice, no sul da França, os alunos vêm de famílias de imigrantes, grande parte em situação de vulnerabilidade social. Esses jovens lidam com estereótipos, racismo e xenofobia, situações que os levam a desenvolver um forte senso de comunidade – distante, por sua vez, da sociedade francesa.

Para apoiar a integração desses estudantes, Gaelle elaborou uma metodologia que cria um clima de confiança em sala de aula, onde os alunos se sentem ouvidos e são levados ao máximo de suas capacidades. Um dos destaques dessa iniciativa é a abordagem chamada “a investigação do sentido”, que orienta o aluno a se questionar, estimulando assim o pensamento crítico.

A professora costuma compartilhar suas ideias, metodologias e recursos com os colegas docentes. Para ela, não há recompensa maior do que ver seus alunos já crescidos realizando seus sonhos de vida.

Fonte: Global Teacher Prize 

Portugal

Sonia Moreira
Agrupamento de Escolas Escultor António Fernandes de Sá

Aos sete anos, Sônia já ajudava a professora na escola e ensinava outras meninas na rua onde morava. A sua vocação voltou a ser reforçada na adolescência, quando orientou com sucesso uma colega de classe da África do Sul, ajudando-a a aprender o português. Ficou cada vez mais claro para Sônia que ela se tornaria professora e seguiria esse caminho na vida adulta.

Em 2000, com cinco anos de experiência docente, Sônia voltou à faculdade e iniciou seus estudos acadêmicos em ciências da educação. Em 2011, concluiu o seu doutorado em educação e desenvolvimento humano, centrando o seu trabalho em aprendizagem colaborativa. Este modelo de ensino ativo permite que os alunos trabalhem em equipes (pequenos grupos heterogéneos escolhidos pelos professores) em que assumem diferentes funções rotativas, como “secretária”, “gestor de silêncio”, “gestor de tempo”, “porta-voz”, “conciliador”, “verificador de tarefas”, “repórter” e “coordenador”. Isso significa que cada um pode experimentar funções diferentes, criar empatia e ganhar experiência. Os papéis são escolhidos intencionalmente de acordo com os objetivos de aprendizagem da turma, sendo a aprendizagem também desenvolvida com recurso a ferramentas pedagógicas digitais quando adequado. É uma forma de ensinar que permite a todos desenvolver competências.

Fonte: Global Teacher Prize

Holanda

Kirsten Cuppen
ROC Tilburg

Ao lecionar para jovens e pré-adolescentes, a professora holandesa Kirsten Cuppen notou que muitos alunos têm baixa autoestima e pouca motivação para as disciplinas teóricas, já que normalmente essas aulas pedem muito mais o que eles não podem fazer ao invés do que podem.

Essa situação inspirou Kirsten a desenvolver a confiança e a autoestima dos alunos ao longo de sua carreira. Desde então, vem colhendo bons resultados: estudantes se apropriam mais de seu próprio processo de aprendizado, percebem a utilidade das aulas e ficam mais motivados. Com isso, os colegas docentes começaram a pedir que ela desse cursos e palestras ao vivo nas redes sociais sobre o tema, para que outros professores também pudessem aprender.

Depois de oito anos lecionando em uma escola primária e dois anos em uma escola secundária, Kirsten Cuppen atualmente trabalha em uma escola vocacional intermediária. 

Nela, desenvolve o “Passaporte de Talentos”, um documento de crescimento digital no qual os alunos mostram quem realmente são e em que são bons. A professora acredita que os talentos dizem mais sobre alguém do que suas notas, e que esses talentos podem ser revelados com as ferramentas e orientações certas. Ela defende que todos os alunos merecem ter esse registro junto com o diploma.

Fonte: Global Teacher Prize

Polônia

Przemysław Staroń
High School no. 2

O professor Przemysław Staroń ensina filosofia, ética, história da arte e cultura na High School no. 2, uma escola de ensino médio localizada em Sopot, na Polônia. Apesar das disciplinas serem essenciais para uma educação integral, diversas dificuldades no país fazem com que esses temas sejam difíceis de trabalhar. As escolas contam com pouco apoio psicológico e a ajuda profissional muitas vezes é considerada como um sintoma de fraqueza. Como resultado, o país apresenta a segunda maior taxa de suicidio juvenil na Europa. 

Para reverter este cenário, o professor desenvolveu uma sociedade filosófica chamada “Ordem da Fenix”, que une alunos de diferentes idades para aprender filosofia, conversar sobre problemas da vida e ajudar uns aos outros. Com diferentes métodos educacionais, ferramentas filosóficas, técnicas criativas e apoio das redes sociais, Przemysław criou uma abordagem original para ensinar e aprender.

Ao longo de sua trajetória o professor participou de conferências internacionais, palestras TEDx e ofereceu workshops para professores, além de ser reconhecido com diversos prêmios, como Man of the Year (Homem do ano), do jornal Gazeta Wyborcza, Poland’s Teacher (Professor do ano da Polônia), em 2018 e President of Spots Award (Prêmio do presidente de Sopot, em 2014 e 2019.

Fonte: Global Teacher Prize

Croácia

Dejan Nemcic 
Escola Ivo Andrić

O professor de geografia Dejam Nemcic, um dos vencedores do Global Teacher Award em 2020, usa a tecnologia e a criatividade para promover aulas mais imersivas e divertidas na escola de ensino fundamental Ivo Andrić, em Zagreb, na Croácia. 

Com ajuda da tecnologia, o professor consegue colocar seus alunos no ambiente que estão estudando. “É um projeto virtual onde sentamos na sala de aula e nossos expatriados nos mostram como é a cidade via Skype”. Dessa maneira, Dejan leva seus alunos para dar uma volta ao mundo sem sair da sala de aula. 

Dejan já lecionou na América, África, Ásia e Austrália. Além de aulas de geografia também é professor universitário no curso de Tourism Geography. 

Fonte: Total Croatia News

País de Gales

Charmaine Riley
Radyr Primary School

Professora de uma escola primária em Radyr, subúrbio de Cardiff, no Reino Unido, Charmaine Riley é conhecida por sua alegria por toda a comunidade escolar. Ela se dedica a uma educação inclusiva e reconhece com precisão as diferentes necessidades adicionais de aprendizagem dos estudantes. 

Chairmane criou espaços sensoriais e áreas calmas para que as crianças pudessem relaxar. Tudo isso visando a aprendizagem acessível. Sua atuação conta com apoio de agências e organizações externas que colaboram com a docente para aprimoramento de suas práticas pedagógicas. 

Fonte: Governo do País de Gales

Dinamarca

Mary Handrich
Denmark School District

Professora há 12 anos na Denmark School District, Mary Handrich dá aulas de agricultura e ciências veterinárias para jovens do Ensino Médio. Ela usa uma abordagem prática e frequentemente dá aulas na estufa da escola. “Preciso constantemente encontrar maneiras envolventes de manter os alunos interessados ​​no que está acontecendo e descobrir a importância da agricultura”, já declarou a professora. Entre suas metas para o futuro está a plantação de um pomar de maçãs no espaço escolar.

Seus alunos reconhecem e apreciam sua dedicação. A educadora os ajuda a ampliar seus horizontes sobre carreiras agrícolas, ciência vegetal, ciência animal e recursos naturais. 

Em suas aulas, os estudantes aprendem a cultivar e colher em ambientes internos, usando práticas sustentáveis. Eles também são introduzidos a técnicas preventivas no controle de pragas e a calcular os nutrientes necessários para o corpo específico que está sendo cultivado.

Fonte: Fox

Suíça

Dagmar Rösler, de Solothurn
Associação de Professores da Suíça

A professora Dagmar Rösler, de Solothurn, é a primeira mulher a chefiar a Associação de Professores da Suíça, que conta com 56.000 membros. Além do cargo recém adquirido, ela também atua como professora para uma turma de quarta série em uma escola localizada em Bellach, uma comuna suíça com cerca de 5.000 habitantes. “Dá muito trabalho, mas vale a pena.”

Atualmente, Dagmar trabalha para melhorar o cenário educacional na Suíça. De acordo com a professora, há uma escassez de professores qualificados para atuar em sala de aula, “No momento, estamos simplesmente treinando poucos professores”, diz. 

 Outro tópico urgente no país é a ampliação de escolas com estruturas de tempo integral e creches. “Como mãe de duas filhas, posso falar por experiência própria: É uma  grande façanha neste país conciliar família e trabalho . Aliás, a falta de estrutura diária também pode ser um dos motivos pelos quais muitos mandam seus filhos para escolas particulares, já que muitas vezes há cardápio de almoço e creche à tarde.”

Fonte: Aargauer Zeitung | Schule Schweiz

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ensino fundamental, ensino médio, ensino superior, Série Copa da Educação

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