Empresa oferece "curadoria de educação" sem disciplinas ou sala de aula - PORVIR
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Inovações em Educação

Empresa oferece “curadoria de educação” sem disciplinas ou sala de aula

Após diagnóstico personalizado, SKEP oferece programas individuais ou para pequenos grupos

por Vinícius de Oliveira ilustração relógio 12 de dezembro de 2017

Não é um curso, mas é possível aprender ao ar livre e na prática conceitos que, normalmente, um professor explicaria com apoio de slides. Também não é uma escola, mas caso seja do interesse do aluno, dá para acompanhar uma disciplina inovadora em uma instituição de ensino superior. Com a estratégia de flexibilizar para personalizar a aprendizagem, a SKEP oferece uma “curadoria de educação” apoiada em trilhas coletivas e jornadas individuais, seja para quem ainda está na faculdade ou quer dar um novo rumo à carreira.

Em conversa ao Porvir na sede da empresa na Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo (SP), os sócios Andréa Gomes, Aziz Camali (responsáveis pela empresa de inovação DZN) e Bruno Gagliardi (presidente-executivo da escola de idiomas Centro Britânico) detalharam como planejam alcançar junto com o quarto sócio David Frenkel (especialista em educação internacional) um faturamento de R$ 1,2 milhão já em 2018 com um modelo que ignora a possibilidade de ganhar escala.

“Em vez de criar uma escola, resolvemos fazer um trabalho de garimpo do que tem de mais legal de acordo com necessidades de cada pessoa”, diz Aziz Camali. “Não fazemos uma avaliação online, mas um trabalho imersivo para entender necessidades comportamentais e técnicas. Após uma fase de diagnóstico (que envolve o interessado e seus amigos), acionamos uma rede de educadores e instituições que podem atender a pessoa de acordo com o tempo, dinheiro e nível de engajamento”.

Para a personalização da jornada, seja ela coletiva ou individual, a SKEP prefere não trabalhar com as mesmas empresas ou instituições de ensino. “O que acontece muito no mercado é que acaba virando um marketplace (uma vitrine de empresas pré-selecionadas) em que a avaliação já direciona o aluno para instituições específicas”, avalia Bruno Gagliardi. “Cada caso é um caso. Cada processo começa do zero, dependendo do perfil da pessoa”.

Trilhas coletivas

Em discurso diferente do da maioria dos empreendedores, que buscam atingir uma grande secretaria de educação ou o maior número de alunos possível, no menor espaço de tempo, a SKEP adotou a estratégia de olhar para nichos, mesmo quando a ideia é atingir um (pequeno) grupo com interesses semelhantes. Esse foi o caso da primeira trilha coletiva, também chamada de UNBOUND, que passou por São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Florianópolis (SC) para apresentar jovens ao empreendedorismo pé no chão, cultura maker e aprendizagem para o mundo real. A jornada de 33 dias envolvendo apenas aqueles que participavam da empresa júnior de suas faculdades ganhou cara após uma pesquisa com 600 participantes e conversa com 150 instituições.

Se na Campus Party, o grupo de universitários integrantes de empresas jr. teve como missão encontrar empreendedores que falharam ao abrir negócio ou com quem tinham perfis parecidos, em uma empresa de engenharia foi a vez de colocar o pé no chão e resolver problemas do dia a dia da empresa. No Rio de Janeiro, outra imersão, desta vez no mundo do empreendedorismo social, para entender como atuam aqueles que buscam melhorar a vida de pessoas em situação de rua. Em uma rápida passagem pelo litoral de São Paulo, deixaram o conforto de lado e passaram três dias em uma aldeia indígena. No ciclo final, em Florianópolis, conheceram os dois lados da modernização da cidade: um traz o polo tecnológico e o outro, afasta pessoas ao acentuar desigualdades.

“A gente criou uma metodologia que desafia muito a pessoa. Não vai ver slides. Ficar em uma aldeia indígena por três dias foi desesperador para alguns no início, mas depois eles disseram foi a melhor experiência que já tiveram”, diz Gagliardi.

Para a nova Unbound, programada para acontecer em março, serão convocados jovens que participam de movimentos como Choice e Yunus, que também terão a chance de conviver juntos por 30 dias.

Jornadas individuais

Quando a proposta envolve atender estudantes ou profissionais que buscam dar um novo rumo à carreira, os sócios da SKEP tentam se desvencilhar da palavra “sabático”, em que o interessado voltaria à rotina anterior após o período de imersão. Andréa Gomes prefere o termo “ressignificação” e usa como exemplo a jornada para mulheres com filhos pequenos como público-alvo. “É uma mãe que quer empreender ou está com a agenda ociosa e não quer voltar ao mercado corporativo”.

Segundo Andrea, uma das vantagens do processo é que a pessoa pode finalmente se sentir preparada e ver um propósito no que aprende. Os integrantes da SKEP evitam falar em custos, mas citam que as parcerias com instituições de ensino permitem valores 30% menores do que se cursos fossem adquiridos de forma individual.


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