Ensino de inglês traz potencial integrador no Novo Ensino Médio - PORVIR
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Inovações em Educação

Ensino de inglês traz potencial integrador no Novo Ensino Médio

Trabalhando por projetos, mesmo professores sem domínio pleno podem tirar proveito do idioma

Parceria com Edify

por Luciana Alvarez ilustração relógio 13 de janeiro de 2022

Ele conecta diferentes áreas, contextualiza conhecimentos no mundo real e amplia o alcance da comunicação. Por tudo isso, o idioma inglês traz um amplo potencial de desenvolvimento para adolescentes e jovens no novo modelo proposto para o ensino médio.

As possibilidades de integração são tantas que, na prática, um dos grandes desafios para as escolas deve ser escolher como ele faz mais sentido, de acordo com o projeto pedagógico e com o perfil dos alunos. “A língua inglesa é um dos componentes obrigatórios na área de linguagens, mas também pode estar presente nos itinerários formativos”, lembra Viviane Jesus, coordenadora pedagógica do Edify, sobre o leque de opções para o ensino médio.

Com tanto material disponível em inglês atualmente, mesmo professores que não tenham domínio pleno da língua podem tirar proveito dela nas aulas. “É muito fácil o inglês ser integrado com ciências, com história, com qualquer disciplina. O professor pode apresentar um vídeo e trabalhar com algumas palavras-chave. Existe uma oferta gigantesca de textos, áudios, vídeos de qualquer área em língua inglesa”, aponta Andreia Alves, coordenadora pedagógica do programa Skills for Prosperity (Habilidades para a Prosperidade), do Instituto Reúna.

Múltiplas oportunidades

Dentro da parte comum, obrigatória, Viviane Jesus sugere aulas com temáticas que conversem com outras áreas do conhecimento, e muito foco na competência leitora. “A proposta da Edify têm um trabalho forte com a oralidade, mas no ensino médio precisamos também preparar para exames de ingresso em faculdades”, afirma.

Na parte diversificada, as oportunidades se multiplicam. “A gente montou algumas oficinas transversais, nas quais os estudantes são convidados a desenvolverem projetos, que podem ser aproveitados em diferentes itinerários. Tem, por exemplo, a oficina de media literacy (letramento midiático), que pode ser usada em várias trilhas, como em uma de ciências. Na hora de fazer o projeto, os alunos podem pesquisar sobre como certos assuntos de saúde aparecem na mídia”, cita Viviane.

Outra oficina do Edify é a global citizenship (cidadania global), que também aplica o inglês em áreas diferentes. “A ideia é debater temas amplos, de abrangência mundial, e trazê-los para a realidade local, com o foco no que o aluno pode levar para a sua comunidade. Dentro de qualquer trilha, é algo que vai conectar conhecimentos”, explica a coordenadora pedagógica.

Mais conexões

Segundo Andreia Alves, do Instituto Reúna, a organização do ensino médio agora favorece a compreensão do inglês como um instrumento. Para que ele assuma verdadeiramente essa função, contudo, ainda há um longo caminho a ser percorrido. “O inglês é envolto em vários tabus e está associado à classe privilegiada e ao instituto de idioma. A escola ainda é representada como um lugar que não se aprende inglês”, avalia Andreia. Outro que tem forte efeito na escola é que é preciso saber com perfeição, ou o professor não se sente autorizado a usá-lo.

Assim, formação constante e quebra de alguns paradigmas precisam ser trabalhados de forma conjunta, defende Andreia. “Existe uma tradição de ensino que se preocupa com a estrutura, a gramática e a tradução. Isso vem historicamente, de quando começou a ser ensino no Brasil o latim e o grego. Ficou essa herança”, diz.

Mais do que tradição, um ensino gramatical se deve, também, pela formação dos professores do idioma no país. “A gente tem muitos professores que não são falantes de inglês, ou que ainda estão em estágios iniciantes. Para um professor que não usa o inglês no dia a dia, é mais confortável ensinar gramática e tradução”, explica.


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Cada um na sua, mas juntos

Mesmo nas escolas particulares nas quais os alunos chegam aos últimos anos com bons conhecimentos do idioma, a atual proposta do ensino médio traz repercussões. “Precisamos agora inverter a lógica e pensar de que forma o aluno vai poder usar o repertório linguístico que tem para desenvolver o pensamento crítico, científico, para se comunicar e se expressar”, afirma Selma Alfonsi, coordenadora de inglês e espanhol do colégio Pioneiro, em São Paulo.

Um dos caminhos que está sendo adotado pela escola é integrar o inglês em grandes projetos. Foi o caso de um trabalho coletivo sobre como São Paulo se organiza. “A proposta é entender a cidade e unir história, geografia e literatura. O inglês também entrou, trazendo a questão de outras cidades do mundo, como elas podem ser organizadas de forma diferente. E fazendo os alunos pensar criticamente, por exemplo, por que São Paulo tem favelas e Copenhague não”, explica Selma.

Segundo a coordenadora, o maior desafio não é que todos os professores saibam inglês, mas sim alinhar um objetivo comum para várias disciplinas. “A equipe tem que planejar e trabalhar junto. Cada um tem que saber o que o colega está fazendo, saber dos outros prazos, das entregas para cada disciplina”, afirma.

No caso do trabalho coletivo, os alunos têm uma entrega final, mas ela não precisou incluir o inglês, porque o segundo idioma entrou mais como ferramenta do que como meta final. “O aluno já fez pesquisa, já apresentou para o professor, fez o podcast ou um vídeo. O inglês esteve presente durante todo o processo, mas não precisa estar o tempo todo. O importante é estar integrado”, defende Selma.

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