Levantamento identifica 559 startups educacionais no Brasil - PORVIR
Crédito: ijeab / Freepik

Inovações em Educação

Levantamento identifica 559 startups educacionais no Brasil

Distrito EdTech Report traz aprendizados de empreendedores e mostra que maior parte das empresas está nas regiões sudeste e sul

por Maria Victória Oliveira ilustração relógio 13 de janeiro de 2021

Depois de todos esses meses de pandemia nos quais alunos dependeram, em sua maioria, da tecnologia para continuar estudando e em contato com professores, é difícil imaginar a educação desconectada daqui para frente. Novas soluções para o campo educacional, sejam tecnológicas ou não, surgem a cada dia, graças a nomes internacionais e também às mais de 550 startups de educação existentes no Brasil, conforme aponta o estudo Distrito EdTech Report.

Elaborado pelo Distrito Dataminer com apoio da KPMG e da Wayra, o estudo tem como objetivo disseminar informações e dados sobre novas tecnologias e inovação no mercado brasileiro de educação. “As startups usam o mapeamento para entender quem são seus concorrentes ou possíveis parceiros, uma grande empresa pode utilizá-lo para entender qual startup pode engajar e que não conhecia antes, o governo pode entender quais são os tipos de tecnologia a serem utilizadas na parte do setor público. Nosso objetivo é disseminar esse conteúdo para que os diversos atores tenham cada um uma atuação específica para o seu negócio”, afirma Tiago Ávila, líder do Distrito Dataminer.

No caso específico da educação, ele reforça que é importante que a sociedade conheça melhor as iniciativas empreendedoras no ramo da educação tecnológica, além do fato de que mapear essas empresas é uma possibilidade de divulgá-las e conectá-las a possíveis investidores, aquecendo o mercado e potencializando novas conexões.

Tecnologia, alcance e praticidade
As 559 edtechs – como são chamadas startups de educação – selecionadas pelo estudo foram mapeadas de acordo com sete categorias: Ensinos específicos (22,4%), Novas formas de ensino (22,2%), Plataformas para a educação (20%), Ferramentas para instituições (17,5%), Foco no estudante (11,1%), Conteúdo educativo (4,1%) e Financiamento do ensino (2,7%).

Para Tiago, a vivência durante a pandemia acelerou tendências e permitiu que a sociedade em geral, além de empreendedores e investidores, passasse a ter mais clareza sobre como a tecnologia pode beneficiar pessoas que não têm acesso à educação tradicional. Por isso, para ele, startups que se encaixam na categoria plataformas para educação têm grandes chances de prosperar no pós-pandemia.

Financiamento, acesso e áreas de atuação
A pandemia mostrou que, ao mesmo tempo que a maior parte da rede particular e das secretarias públicas conseguiu adotar plataformas e ambientes virtuais de aprendizagem, ainda existe uma parcela significativa de professores e alunos com limitado acesso à internet e a equipamentos.

Tratar dessa questão exige dinheiro, mas o financiamento do ensino é a categoria que menos conta com startups dedicadas. “Esse é um tema que vem sendo muito discutido e, até agora, as plataformas trabalharam bem para permitir o acesso, mas as pessoas também precisam da parte financeira para acessar o ensino.”

A desigualdade no acesso às tecnologias educacionais também pode ser explicada pela distribuição de edtechs para tratar tais desafios. A região Sudeste concentra a maior parte das startups educacionais, com 68,2%, seguida da região Sul, com 16,4%. A terceira colocada, Nordeste, tem metade das startups, com 8,2%. Centro-Oeste e Norte fecham o grupo com 6,3% e 0,9%, respectivamente.

As áreas de atuação das startups também estão conectadas à cultura do local onde estão inseridas, bem como à percepção da sociedade sobre determinados desafios. Formação de professores, por exemplo, é um gargalo na educação brasileira, seja referente a docentes da educação básica ou ensino superior. Ao mesmo tempo em que existem ferramentas para apoiar o dia a dia do educador, aquelas que miram o desenvolvimento profissional ainda são poucas.

Além disso, soma-se a cultura predominante no Brasil de direcionar todas as atenções ao estudante e colocá-lo no centro do processo educacional. “Considerando que todos nós já passamos pela posição de estudantes, acredito que seja muito mais fácil usar essa experiência própria e trabalhar em cima de alguma necessidade que vivenciamos. Ao mesmo tempo, não acredito que tantas pessoas assim tiveram a experiência de vivenciar o olhar a partir da posição de professor.”

Ecossistema de pequenos negócios
Das 559 edtechs mapeadas pelo estudo, quase 70% possuem até 20 funcionários, o que indica que ainda se encontram ainda em fase de consolidação. O fechamento das escolas pode ter frustrado planos daquelas que pretendiam atuar no dia a dia presencial do ensino. Entretanto, conforme explica Tiago, é característica natural das startups a adaptação a novos cenários.

Além disso, ele reforça que todo o processo de fechamento das escolas e a busca por métodos de comunicação e ensino alternativos acelerou o processo de digitalização, para o qual as startups já estavam prontas e aguardando a compreensão global.

“Observar que o volume de investimentos em 2020 se manteve em patamares altos foi interessante, porque no início da pandemia se pensava que fundos deixariam de investir por conta da incerteza. O que aconteceu, entretanto, foi que continuaram investindo, compreendendo que apesar de essas startups terem uma necessidade muito grande de capital, muito maior é o seu potencial de atuação”, explica.

Aprendizados e casos
Escolas e universidades levaram um verdadeiro susto quando decretos no mundo todo suspenderam as aulas presenciais no início do ano. Entretanto, a experiência online desde então permitiu a compreensão de que o uso da tecnologia na educação não é algo momentâneo.

“A tecnologia será usada no âmbito do ensino em muitos momentos e, com isso, você se blinda de eventuais momentos como esse no futuro, gerando um diferencial de outros atores que não implementaram iniciativas tecnológicas. Isso nada mais é do que criar mercado potencial. Sabemos que, quando isso acontece, o investimento é algo natural, pois fundos e investidores percebem que essa necessidade surgiu no mercado e, assim, procuram startups na área para investir”, completa.

Além dos dados do ecossistema de startups focadas em educação, o estudo traz casos de edtechs que precisaram se adaptar e continuam aprimorando sua forma de atuação. Acesse a íntegra do relatório neste link.


TAGS

empreendedorismo, tecnologia

Deixe um comentário

avatar
500
  Acompanhar a discussão  
Tipo de notificação