A Solve for Tomorrow Latam é um programa que estimula estudantes e professores a desenvolver projetos capazes de solucionar problemas reais por meio da abordagem STEM
Dúvidas sobre a aplicação de projetos STEM (aprender ciência, tecnologia, engenharia e matemática de forma integrada) são comuns. Ela depende de tecnologia? É uma metodologia? Qual a relação com a ABP (aprendizagem baseada em projetos)? Embora STEM e abordagem por projetos não sejam a mesma coisa, ambas compartilham um objetivo em comum: colocar os estudantes no centro da aprendizagem ao desafia-los a investigar problemas reais e construir soluções que façam sentido para seu contexto.
📱Inscreva-se no canal do Porvir no WhatsApp para receber nossas novidades
Tem interesse em começar um projeto STEM na sua escola, mas ainda tem dúvidas sobre essa abordagem? Confira abaixo alguns dos principais mitos e verdades.
❌ Mito: STEM e aprendizagem baseada em projetos são a mesma coisa
STEM é uma abordagem educacional que integra ciência, tecnologia, engenharia e matemática para investigar e resolver problemas do mundo real. Já a aprendizagem baseada em projetos é uma metodologia que organiza o processo de ensino em torno de desafios ou perguntas norteadoras.
Na prática, a aprendizagem baseada em projetos costuma ser um caminho eficaz para estruturar projetos STEM, pois oferece uma diretriz para que os estudantes pesquisem, experimentem, testem ideias e construam soluções de forma colaborativa.
No projeto “Mangoplast“, estudantes que tinham pouca experiência em pesquisa científica conseguiram desenvolver um bioplástico que aproveitasse a abundância de manga da cidade onde vivem, Luque, no Paraguai. A equipe logo entendeu a importância de fazer uma investigação bem feita para iniciar a definição do projeto. A partir de experimentações, descobriram que, com a semente da fruta, água, vinagre e glicerina era possível bolsinhas de plástico para diversos fins. A iniciativa foi finalista do Solve for Tomorrow no país, em 2024. Presente em 21 países da América Latina, o programa da Samsung mobiliza comunidades escolares para elaborar, construir e sistematizar protótipos de soluções inovadoras para questões que afetam o cotidiano dos jovens e de suas comunidades. Saiba mais sobre o “Mangoplast” aqui.
✅ Verdade: projetos STEM começam com um problema real
Assim como acontece na aprendizagem baseada em projetos, um bom projeto STEM nasce de uma questão relevante para os estudantes ou para sua comunidade. Pode ser a qualidade da água do bairro, o desperdício de alimentos na escola, os impactos das mudanças climáticas ou a acessibilidade dos espaços públicos. A partir desse desafio, os estudantes investigam, formulam hipóteses, analisam informações, constroem protótipos, testam soluções e compartilham os resultados.
O projeto “Elitorre”, desenvolvido por estudantes de uma escola pública de Metapán, em El Salvador, mostra como uma primeira experiência com projetos STEM pode transformar a forma como os jovens enxergam a aprendizagem. Acostumados a um ensino mais tradicional, eles tiveram, pela primeira vez, a oportunidade de investigar um problema que fazia parte do seu cotidiano: as frequentes quedas de energia que afetam comunidades rurais da região.
A proximidade com o desafio despertou o interesse da turma desde o início, pois eles conheciam de perto as dificuldades enfrentadas por familiares e vizinhos. A partir dessa vivência, passaram a pesquisar, testar soluções e desenvolver um minigerador eólico capaz de minimizar esse problema. O projeto foi finalista do Solve for Tomorrow no país, em 2022.
A experiência fortaleceu a confiança, o senso de propósito e o protagonismo dos jovens, mostrando que eles também podem ser agentes de transformação em suas comunidades quando têm a oportunidade de aprender a partir da própria realidade. Saiba mais aqui.
❌ Mito: um projeto STEM precisa usar robótica, programação ou equipamentos sofisticados
Tecnologia não significa apenas dispositivos eletrônicos. Ela também envolve ferramentas, processos e conhecimentos utilizados para solucionar problemas. O mais importante não é o equipamento utilizado em si, mas o processo de investigação e criação.
No município de Tutóia, interior do Maranhão, uma equipe transformou cascas de coco em um combustível de alto rendimento, cilíndrico (com fôrma feita de rolo de papel higiênico) e cúbico (com fôrma de madeira). O projeto pode ser replicado por qualquer pessoa na comunidade. Basta ter o coco, ralar a casca, misturá-la com cera de vela e moldar o material. O objetivo é aproveitar um resíduo abundante na região e gerar economia para os moradores. Com um único coco seco, é possível produzir 41 unidades de combustível sólido. A solução foi finalista do Solve for Tomorrow Brasil em 2023. Saiba mais aqui.
✅ Verdade: cada escola pode construir seu próprio caminho
Não existe um modelo único para um projeto STEM ou para a aprendizagem baseada em projetos. Cada escola pode adaptar as propostas à sua realidade, considerando os recursos disponíveis, o currículo e os interesses dos estudantes. O mais importante é criar oportunidades para que eles aprendam investigando, experimentando e colaborando na busca por soluções para problemas concretos.
O projeto “Jogos digitais tradicionais sem fronteiras”, desenvolvido por estudantes da cidade de Loja, no Equador, aproveitou um conteúdo que já fazia parte das aulas de programação, a criação de jogos no Scratch, para apoiar alunos com dificuldades de aprendizagem. Os jovens desenvolveram uma coleção de jogos inspirados em brincadeiras tradicionais latino-americanas, incorporando recursos como realidade aumentada e inteligência artificial, que foram testados e aperfeiçoados com a participação de estudantes, professores, especialistas e familiares.
A escola aproveitou os recursos disponíveis, as habilidades dos estudantes e os desafios do seu contexto. O resultado foi o reconhecimento como finalista do Solve for Tomorrow no país, em 2023. Saiba mais aqui.

