O que a escola deve considerar no diálogo para a volta de aulas presenciais - PORVIR
Crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil

Coronavírus

O que a escola deve considerar no diálogo para a volta de aulas presenciais

Com a aproximação do Dia da Família, comemorado em 15 de maio, o Porvir aborda os desafios envolvidos na comunicação entre responsáveis e escolas e a importância da parceria em prol da educação

Parceria com LIV

por Vinícius de Oliveira ilustração relógio 14 de maio de 2021

Com a recente diminuição na curva de casos e de mortes pela pandemia no final de abril, escolas precisam manter espaço de diálogo com pais e responsáveis que desejam o retorno das aulas presenciais e aqueles mais receosos, que optam por manter seus filhos em casa, aprendendo com aulas remotas.

Manter o elo criado durante as aulas remotas está longe de ser uma tarefa fácil. Educadores e famílias sentem-se sobrecarregados, só que a questão é mais ampla e  envolve aspectos de saúde pública, como a vacinação dos profissionais da educação. Gestores ainda têm recebido abaixo-assinados e precisam dialogar com comitês de um lado e do outro.

Em entrevista ao Porvir, Hannah Lima, jornalista, mestra em políticas públicas, pesquisadora das consequências das questões sociais nos aspectos socioemocionais e consultora pedagógica do LIV (Laboratório Inteligência de Vida), defende que a retomada deve considerar as condições sanitárias necessárias para tal, e que a atenção principal deve recair sobre o aprendizado, com diálogos e processos de escuta dos dois lados. Confira a seguir.

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Porvir: Colocar o aprendizado em primeiro lugar é uma boa estratégia para reforçar o compromisso principal da escola para com a educação?
Hannah Lima:
A importância do aprendizado se dá pelo fato de ser um conceito amplo: aprendemos a contar, a nomear nossos sentimentos e a jogar bola. Aprendemos também a acolher um amigo, sobre a história da democracia e também a trabalhar em grupo. Então, colocar o aprendizado em primeiro lugar é reforçar a ideia de que na escola o estudante aprende não só o conteúdo programático, mas também habilidades socioemocionais essenciais para a vida em sociedade. Apesar disso, é importante levar em conta que a pandemia coloca em cena questões imperativas em termos de saúde, física e emocional, por conta do contágio e da transmissão que podem ser impeditivas e, nesse sentido, a deliberação sobre o assunto não cabe à escola ou às famílias. Ainda que seja um desafio e um trabalho a mais oferecer o ensino híbrido, esse é o momento de caminharmos dentro das possibilidades de cada um e não entrarmos em embates intransponíveis.

Porvir: Como as escolas podem lidar com a polarização entre famílias que desejam o retorno das aulas presenciais e as que querem a continuidade das aulas remotas?
Hannah:
Apesar de a pandemia ter agravado a dificuldade na tomada de certas decisões, é preciso lembrar que as escolas já lidavam com polarizações diversas e, com essa experiência, já possuem ferramentas para gerenciar uma situação inédita como a atual. Nesse sentido, o diálogo é a grande chave. Promover reuniões acolhedoras, com escuta ativa e levando em conta as necessidades das famílias é uma estratégia possível. Além disso, é importante levar em conta o que é cientificamente seguro do ponto de vista viral para a comunidade escolar, que inclui funcionários, professores, família e alunos. Dito isso, o ensino híbrido é uma realidade em algumas escolas.

Porvir: Qual é um possível tom de diálogo com as famílias que optaram por não mandar seus filhos à escola para que essas crianças e jovens não fiquem para trás em termos de aprendizado?
Hannah:
É preciso reforçar a necessidade de formação e estudos para ministrar aulas e acompanhar estudantes. Ou seja, responsáveis que não têm essa formação não serão capazes de substituir os profissionais da escola. A escolha de não mandar os filhos para a escola deve ser legitimada. O aprendizado a partir das aulas remotas pode ser muito rico quando existe um acompanhamento próximo, em uma parceria família-escola. Assim, esse canal entre educador e família precisa estar aberto e, quando a opção for por permanecer em casa, a escola deve conversar com a família para alinhar quais são as expectativas que cada um tem em relação ao ensino e como podem caminhar juntos. O que a escola espera dos adultos e o que a família espera de apoio da escola são algumas perguntas importantes para estabelecer esse diálogo.

Porvir: Durante a quarentena, a convivência com a família foi ampliada a níveis nunca antes vividos. Pensando nisso, como é possível trabalhar o tema família em sala de aula para que o vínculo não se perca com a retomada das aulas presenciais?
Hannah: O vínculo familiar deve ser algo trabalhado em qualquer contexto e sua continuidade na possível retomada das aulas presenciais deve seguir esse mesmo princípio. Além disso, tal continuidade pode ser uma construção conjunta, levando em conta os desejos, necessidades e ideias da comunidade escolar, que sempre deve incluir as famílias.

Porvir: Existem práticas e estratégias a serem usadas para reforçar a importância da continuidade desse vínculo construído e/ou reforçado entre pais/responsáveis e filhos durante a pandemia?
Hannah: A estratégia primordial é a criação e a manutenção da ideia de uma comunidade escolar que tem como agentes também as famílias. Com essa cultura estabelecida, a família é constantemente convidada a fazer cada vez mais parte do ambiente escolar, seja virtual ou não. Com essa participação, a escola passa a ser um ambiente não só dos filhos, mas também dos pais, mães e responsáveis.

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engajamento familiar, socioemocionais

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