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Inovações em Educação

O que jovens pensam sobre igualdade de gênero?

Estudo da Fundação SM com a participação de brasileiros discute machismo, feminismo, violência de gênero e mercado de trabalho

por Redação ilustração relógio 14 de março de 2022

O estudo “Perspectivas sobre a igualdade de gênero, o feminismo, a violência de gênero e as relações afetivo-sexuais”, realizado pela Fundação SM, por meio do Observatório da Juventude na Ibero-América, aponta que 88% dos jovens desejam uma maior presença da educação em igualdade de gênero nas escolas, o que constata o poder transformador que a juventude concede à educação.

A pesquisa contou com a participação de 1.592 jovens (na Espanha, no Chile, no México e no Brasil), entre 14 e 29 anos, por ocasião do Dia Internacional da Mulher. No Brasil, foram 400 entrevistas, em formato online, entre os dias 7 e 11 de fevereiro de 2022. A margem de erro é de 4,9%. O objetivo do trabalho foi ouvir jovens sobre os debates presentes na sociedade com relação à igualdade de gênero e ao feminismo para então oferecer às escolas e às entidades educacionais dados importantes e atuais, capazes de melhorar a tomada de decisão para melhoria da educação para a infância e a juventude.

Um bom ponto de partida: para 92% dos entrevistados, a igualdade de gênero deve ser igualmente importante para homens e mulheres. No entanto, 30% dos garotos pensam que as mulheres, sob o pretexto de igualdade, pretendem ter mais poder do que os homens.

Por isso, Mariana Franco, responsável pela Fundação SM no Brasil, reforçou a importância das escolas e universidades para fomentar uma formação em valores que promovam uma visão mais próxima da realidade. “O fato de 92% dos entrevistados considerarem a violência de gênero um problema grave na sociedade nos mostra o quanto essa questão é estrutural no Brasil, que precisa de mobilização de muitos setores – inclusive da Educação – para que haja uma mudança efetiva”, pondera.

Machismo e feminismo 

Ao serem perguntados se eram machistas ou feministas, 64% não se consideram nem um, nem outro. No caso dos homens, o índice vai a 80% e fica em 50% entre as mulheres. Só que 46% das garotas se consideram feministas em comparação com apenas 11% dos garotos.

Violência de gênero  

O estudo coloca como preocupante o fato de que tenha se enraizado no discurso dos jovens a ideia de que há́ mulheres que se aproveitam das leis contra a violência de gênero para fazer falsas acusações contra os homens, tanto por eles (68%) quanto por elas (55%).

Relações afetivo-sexuais 

Em relação às relações afetivo-sexuais, 37% dos garotos pensam que é mais apropriado que os homens tomem a iniciativa sexual, em comparação com 20% das garotas.

Em maior proporção do que elas, eles também manifestam que as mulheres precisam de um(a) parceiro(a) mais do que os homens para se sentirem realizadas(os).

Panorama ibero-americano 

O Brasil é o país com a menor porcentagem (22%) de jovens que concordam com a afirmação: “As mulheres, sob o pretexto de igualdade de gênero, pretendem ter mais poder do que os homens.” Na Espanha e no Chile, respectivamente, 35% e 34% dos entrevistados concordam com a afirmação, enquanto no México, 29%.

Os jovens dos quatro países concordam que “as pessoas devem preencher as vagas de trabalho com base em seus méritos, sem diferenciar homens e mulheres” (Brasil, 90%; México, 89%; Chile, 88%; Espanha, 83%). Com relação à questão “as mulheres são forçadas a se esforçar mais do que os homens para provar que merecem suas posições de responsabilidade”, os mexicanos são os que menos concordam com a afirmação (46%), enquanto o Brasil é o país com mais jovens que acreditam que há desigualdade de gênero no mercado de trabalho e discordam da frase (73%).

Leia o relatório do Observatório da Juventude na Ibero-América (PDF).


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gênero, pesquisas

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