Planeje sua aula levando em conta a experiência do estudante - PORVIR
Crédito: Tero Vesalainen/iStockPhoto

Como Inovar

Planeje sua aula levando em conta a experiência do estudante

Com as interações mais difíceis durante as aulas remotas, saiba como melhorar a acessibilidade dos conteúdos e dos exercícios levando em conta a maneira com que os alunos interagem com dispositivos e plataformas

por Sarah Kesty, para o Edutopia ilustração relógio 14 de agosto de 2020

Você já passou pela situação de reler um texto e descobrir que havia esquecido de colocar algumas informações ou achado que o leitor entendia tudo o que você queria dizer? Nos últimos meses, não estar fisicamente em sala de aula física me colocou diante do desafio de melhorar a experiência do estudante.

Eu escrevi orientações e criei exercícios que faziam sentido na minha cabeça de professora, mas que deixavam de fora componentes importantes e não eram compreendidos por meus alunos. Para resolver isso, comecei fazer alguns testes para garantir que meus recursos didáticos e experiências de aprendizagem fossem fáceis de usar e acessíveis para todos os meus alunos.

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Essa prática foi simples, mas muito valiosa. Como a volta às aulas incluirá o ensino remoto de um jeito ou de outro, é mais importante do que nunca levar a perspectiva do aluno em consideração.

Abaixo, cito alguns métodos que descobri para avaliar a experiência do aluno de forma eficiente.

Escreva planos de aula – e deixe-os descansar por 24 horas
Ao criar materiais para aula, adoto um ciclo de rascunho e revisão que permite algum tempo entre as versões. Voltar depois de algum tempo permite que meu cérebro abandone suposições e encontre as partes que não fazem sentido.

Quando releio o que escrevi, descubro que avancei cedo demais ou que mencionei um recurso sem colocar o link. Outros erros comuns são mais bobos: erros ortográficos, omissões de palavras e frases muito longas. Ensino os alunos a editar e revisar – e esta é minha oportunidade de praticar o que digo para eles.

Outro jeitinho que encontrei é escrever as orientações em um parágrafo (ao invés de passo a passo), com todos os detalhes primeiro. Na parte final, condenso as etapas menores a partir de ações. Dessa forma, eles são capazes de compreender a ideia geral por meio de orações mais longas, enquanto o passo a passo torna a atividade mais acessível e fácil de ser completada. Isso é particularmente útil para alunos com dificuldade de aprendizagem ou problemas de memória de curto prazo.

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Treine para adotar a perspectiva do estudante
Depois de trabalhar a precisão e a clareza dos meus textos, em seguida eu faço o login como um aluno faria e tento executar o que vou pedir a eles mais tarde. Eu geralmente realizo essa a tarefa usando um tablet, já que esse é o dispositivo que a maioria dos meus alunos usa. Pelo mesmo motivo, também vale a pena tentar completar, ou pelo menos acessar, um conteúdo pelo celular de vez em quando.

Alguns pontos importantes que acompanho quando faço o exercício como um aluno são: Quantas vezes preciso inserir uma senha? Quantas vezes devo mudar de tela ou recurso? Preciso usar minha memória de curto prazo? É fácil acessar as funcionalidades para usuário com deficiência, como botões de leitura em voz alta e vocalização de texto?

Fazer isso foi muito esclarecedor para mim. Depois de sentir a frustração de alternar entre telas, por exemplo, decidi fazer um vídeo com instruções sobre como usar o modo de tela dividida. Este exercício também me ensinou que permitir aos alunos concluir todas as partes de uma lição em um único documento, incluindo caixas de texto nas quais eles podem digitar respostas ou inserir fotos ou capturas de tela de seu trabalho, resulta em mais trabalhos completos.

Simplifique os formatos
Adotar uma novidade é uma ótima maneira de chamar a atenção dos alunos, mas aprendi que, durante o ensino remoto, é melhor criar aulas que cheguem sempre da mesma forma, como um HyperDoc (veja vídeo) – mesmo que tragam novo conteúdo ou diferentes tipos de atividades complementares. O feedback (retorno) inicial de meus alunos revelou que eles desistiam de terminar o trabalho não por falta de compreensão ou motivação, mas pela frustração em ter que adotar ou alternar entre plataformas.

Além disso, passei a acreditar que é melhor que as escolas  consigam que todos os professores usem a mesma plataforma de aprendizagem (como Google, Microsoft ou Canvas). Nesta retomada das aulas, a primeira tarefa dos alunos será criar um guia individual com senhas, endereços de sites, plataformas e regras para entregar os exercícios de cada aula.

Tente pensar como alguém que não é professor
O semestre passado destacou a importância da conexão entre a família e a escola. Agora, como avaliação, planejo que um não-educador, como meu marido, resolva alguns testes antecipadamente para dizer se fazem sentido. Quem não é da área de educação pode perceber jargões e partes confusas que facilitam a nossa revisão. Posso até criar um banco de recursos (vídeos orientadores para acessar plataformas, sobre como manter as senhas à mão, etc.) para as famílias, já que pais e mães vão ser meus copilotos.

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* Publicado originalmente em Edutopia e traduzido mediante autorização
© Edutopia.org; George Lucas Educational Foundation


TAGS

aprendizagem baseada em projetos, formação continuada

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