Diferenciar, individualizar e personalizar o ensino - PORVIR
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Inovações em Educação

Diferenciar, individualizar e personalizar o ensino

Pesquisadoras norte-americanas definem os três conceitos que, apesar de parecerem ser a mesma coisa, não são

por Patrícia Gomes ilustração relógio 22 de agosto de 2012

Muito se tem falado que os alunos aprendem de formas diferentes. Que o modelo formatado para educação de massa está em xeque. Que os currículos precisam ser reformulados. Que os professores devem entender as demandas específicas dos estudantes. É aí que as palavras diferenciação, individualização e personalização do ensino viram questão de ordem, mesmo que esses conceitos não estejam claros para os educadores e, no fundo, pareçam a mesma coisa. A dupla de especialistas Barbara Bray e Kathleen McClashey, pioneiras na capacitação para uso do universo digital em sala de aula, percebeu a confusão e resolveu dar uma mãozinha.

“Sabíamos que a terminologia era confusa e resolvemos ajudar”, diz Barbara, que trabalha com tecnologias educacionais desde a década de 90. Ela e Kathleen, que preside a EdTech Associates, uma organização que ajuda estudantes e escolas a serem mais bem sucedidos com tecnologia, montaram uma tabela explicando a diferença entre os três termos. O Povir resumiu, traduziu e ilustrou. Confira.

Individualização do ensino

Começa com a necessidade específica de um aluno dentro de um grupo. O professor é capaz de identificá-la e, a partir dela, propor atividades que façam sentido para aquele aluno. Tecnologias e atenção do docente são voltadas para uma necessidade de uma pessoa. As avaliações do aprendizado tentam medir se, com todos os recursos investidos, o aluno aprendeu ou não. “Aqui, o professor dirige o aluno, que é dependente”, diz Kathleen.

Diferenciação

Já a diferenciação parte de um grupo de alunos com objetivos em comum. As atividades são voltadas a satisfazer as expectativas de cada grupo e, portanto, o professor terá em sala times de estudantes envolvidos em tarefas diferentes, que ele concebeu e orientou. Neste tipo de aprendizagem, é preciso construir uma relação de confiança entre as partes, para que o professor possa exercer sua liderança com o apoio dos alunos. A avaliação aqui é usada para facilitar a aprendizagem, uma vez que os feedbacks dados pelos professores ajudam os alunos a avançarem na construção do conhecimento.

Personalização

Nesta abordagem, o processo começa com um aluno, suas habilidades, sonhos e dificuldades. Ele reconhece, em sala, colegas com interesses, paixões e aspirações semelhantes e tem autonomia para fazer o design de seu aprendizado: escolhe o que estudar, de que forma, com que ferramentas e com qual grupo. No ensino personalizado, as habilidades e competências dos estudantes são valorizadas. Por isso, as avaliações são baseadas naquilo que o aluno domina e o aluno pode ser convidado a expressar o que sabe por meio de um portfólio. “O professor é apenas um facilitador e o aluno é mais responsável pelo que aprende”, diz Barbara.

Parece difícil preparar um ambiente de educação personalizada em sala de aula? A dupla preparou um passo a passo, em inglês, para ajudar o professor interessado em promover a personalização do ensino. As educadoras também organizaram um blog em que discutem o tema com pessoas de todo o mundo.

Regiany Silva / Porvir

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avaliação, personalização, plataformas adaptativas

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aparecida ferradeira
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aparecida ferradeira

Seria maravilhoso se as turmas não estivem superlotadas!

Marilza Odorize Veiga
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Marilza Odorize Veiga

O problema da educação não está em sua metodologia e formação do professor ou valorização apenas.
A gravidade maior e que ninguém estuda, questiona ou tenta mudar são as salas super lotadas, onde o aluno é apenas um número, cada um com uma realidade e diversidade cultural muito ampla.
O investimento por ´parte do governo Federal acontece, mas infelizmente as prefeituras não repassam como deveriam às escolas.

Estanismar Santos
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Estanismar Santos

Com liberação do acesso à escola, sabia se que deveria construir mais escolas, contratar mais professores e aumentar os recursos pedagógicos para o ensino e aprendizagem. O resultado do ensino de massa homogeneizado, traz graves dificuldades no aprendizado e interfere no desenvolvimento da autonomia do indivíduo, que são, entre si, diferentes em muitos aspectos. A regência do professor é prejudicada, sem os recursos específicos para atender as diferentes demandadas de uma sala superlotada com comportamentos… Ler mais »

Clarissa Bezerra
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Clarissa Bezerra

Não ficou clara a diferença entre diferenciação e personalização, a meu ver, no seu artigo. Soa como se personalização fosse sinônimo de trabalho individual, e diferenciação, de trabalho em grupo. O componente de avaliação ilustrado no infográfico também não foi explicado no artigo: avaliação DO, PARA e COMO aprendizado. Estou lendo um artigo na ASCD que diz que diferenciação é personalização. Obrigada! http://www.ascd.org/publications/books/100216/chapters/Understanding-Differentiated-Instruction@-Building-a-Foundation-for-Leadership.aspx

LANE
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LANE

Em escola particulares é possível e efetivo essa metodologia SIM.

Em escolas públicas esses recursos( espaço/ laboratório etc), são mais escassos falta quase tudo. O governo foca em alguma escolas de ensino médio que darão o ” numero” do Enem. O professores são verdadeiros “guerreiros”, “malabarista” tentando passar um conteúdo de qualidade onde praticamente mau tem espaço fisico para passar conteudo.

Alessandra
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Alessandra

Acredito nestes conceitos e que visam tanto o processo de ensino quanto a aprendizagem. Porém, requer sintonia de ambas as partes e interesse de ambos pelo processo.

Silvia
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Silvia

Bom dia. Sou professora de escola pública e a realidade é muito triste. As estruturas são precárias. Chove nas salas. Faltam carteiras, mesas, as vezes até giz; portanto, se há negligência com o básico( por parte do governo ) é porque a educação não se tornou prioridade em nosso país. Acompanho colegas que lecionam em escolas particulares e percebo que utilizam ferramentas tecnolôgicas em suas aulas, laboratórios, material específico, computadores potentes. Sinto falta de espaços… Ler mais »

Barbara Carvalho dos Santos
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Barbara Carvalho dos Santos

Sou graduanda em pedagogia e percebo que a realidade é bastante complicada e fora da teoria. Falta muito material para se trabalhar e ter uma condição para ensinar e aprender com qualidade, as estruturas são precárias e desestimulante para o aluno e principalmente para o professor.