Professor usa jogo de cartas para ensinar conceitos de geografia - PORVIR
Crédito: Keith Christian Armada/Unsplash

Diário de Inovações

Professor usa jogo de cartas para ensinar conceitos de geografia

Em vez dos números, os alunos do professor Thiago Ribeiro encontram nas cartas do UNO GeoPopulação conceitos como migrações, expectativa de vida e desigualdade

por Thiago Ribeiro de Carvalho ilustração relógio 4 de maio de 2022

Ensinar conceitos sobre população para alunos do ensino fundamental e médio pode ser um desafio. Meus parceiros de trabalho, também conhecidos como alunos, têm um jogo de cartas preferido, chamado UNO. Sabendo disso, resolvi adaptá-lo para o tema que precisávamos trabalhar nas aulas de geografia. 

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Como construir um deck de cartas completamente novo? Eu já havia feito adaptações, mas de forma manual. E, para um jogo com mais de 100 cartas, seria um pouco mais complicado. Ainda bem que hoje em dia existem muitas plataformas digitais que nos ajudam nessa empreitada. Em uma visita ao FAB Lab do sistema Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), no Rio de Janeiro (RJ), fui apresentado ao NanDeck, um software gratuito, disponível online. Este programa lê uma planilha de Excel e consegue transformá-la em um conjunto de cartas inteiro. Apesar de ser em inglês, não é tão complicado de usar. A gente só precisa criar um fundo e padronizar as imagens que vão aparecer nas cartas.  

Feito isto, o próximo passo foi criar o design do jogo e pensar no desenho das cartas. A ideia era fazê-las de um jeito que fossem atrativas e que fizessem referência ao jogo original. Nesta fase, eu utilizei o Canva para criar as cartas nas cores azul, vermelho, amarelo e verde, iguais às do UNO convencional. Além delas, também criei as cartas coringas na cor preta. 

Eu imprimi as cartas em papel fotográfico e o jogo estava pronto para ser usado! Assim nasceu o UNOGeo População. 

Clique aqui para fazer o download do jogo

E como ficou o jogo? O objetivo ainda é o mesmo: ficar com apenas uma carta na mão. Contudo, em vez dos números, o que se lê nas cartas são conceitos de geografia como setores da economia, expectativa de vida, desigualdade social, migrações pendulares, sazonais e taxas de natalidade, fecundidade e mortalidade, conceitos que abordamos no 7º ano e no 2º ano do ensino médio.

Um exemplo: as cartas com números trazem uma definição de população relativa, o que elas representam e uma breve definição. Já com as cartas de ação conhecidas do jogo original como Reverter, Comprar +4 ou escolher uma cor, também foram adaptadas com diferentes conceitos. 

Como a migração pendular é um movimento de ida e volta, eu a associei ela ao reverter o jogo; a “Compra +4” virou a carta da taxa de natalidade; a taxa de mortalidade está representada pela carta que impede o próximo jogador de jogar; “Compra +2” se tornou a “Taxa de Fecundidade”; a que possibilita escolher uma nova cor para a rodada, virou a pirâmide etária e a “Troca de Mão” está representada pelo “Êxodo Rural”. Todas elas trazem uma definição dos conceitos, mantendo os efeitos das cartas de ação originais. 

Esse tipo de jogo possibilita que outras regras sejam criadas. Recentemente, me disseram que poderíamos brincar da seguinte forma: quando o estudante recebe uma carta de ação como o “Compra +4”, caso ele saiba o conceito de Taxa de Natalidade, deixa de cumprir a punição, e assim por diante com as demais cartas do jogo. 

Cada vez mais percebo que meus parceiros de trabalho gostam de jogos. Vejo que é uma forma de fazer com que aprendam em grupo, a interação acaba sendo muito boa. 

O primeiro teste foi feito com alunos do 3º ano do ensino médio, mas o jogo foi pensado inicialmente para o 7º ano do ensino fundamental. Os estudantes gostam muito. Quando passo pelos corredores, eles às vezes me cobram para trazê-lo ou não esquecer na aula seguinte. 

Eu acredito muito na realidade da aprendizagem significativa. E quando a gente incorpora jogos ou elementos do cotidiano dos estudantes à realidade da disciplina, isso é uma forma de trazer significado. Eles conseguem fazer associações.  

Com a turma que testei o jogo, o desafio agora é fazê-la desenvolver neste bimestre atividades com jogos digitais, de tabuleiro, de cartas ou o que preferirem, de maneira que acreditem que os jogos sejam capazes de auxiliá-la no entendimento dos conceitos. A ideia é trazer a turma para dentro do processo e nutrir nos estudantes essa capacidade de construção em conjunto.


Thiago Ribeiro de Carvalho

Formado em Geografia pela UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), possui pós-graduação em educação e tecnologia pela UFSCar (Universidade Federal de São Carlos). Atua como professor de geografia nas redes estadual do RJ, municipal de Mesquita (RJ) e rede privada na Escola Modelar Cambaúba. A maior parte de sua vivência na docência se deu em escolas públicas da Baixada Fluminense (RJ).

TAGS

ensino fundamental, ensino médio, jogos

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