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Diário de Inovações

Professora conta como teve que se reinventar para aulas a distância no fundamental 1

Como é ter que aprender ferramentas novas quando o planejamento, a metodologia e a interação com os alunos não são mais os mesmos

por Simone Lassala ilustração relógio 26 de março de 2020

Eu sou professora de matemática e de ciências e leciono para o quarto e quinto anos do ensino fundamental 1. Desde que as aulas foram suspensas por causa dos riscos do coronavírus, tive que passar a dar aula a distância e tenho trabalhado mais intensamente para planejar e realizar as atividades do que no modo presencial. A questão é que nós, professores, estamos aprendendo ferramentas novas ao mesmo tempo que temos que implementá-las durante as aulas online.

É um momento interessante, bastante desafiador, de muito trabalho e de emoções inclusive. O que eu tenho feito é buscar alternativas que para mim funcionam melhor para que eu me sinta segura. Então, uma das ferramentas que uma colega sugeriu foi a ferramenta de gravação de vídeo do Google chamada Screencastify, que tem uma cara institucional, mas funciona bem para exemplificar assuntos complexos para que o aluno tenha uma videoaula em casa. Entre as tarefas que já criei estão dois vídeos para fazer uma retomada das estratégias de cálculo de divisão, a estimativa e o algoritmo tradicional.

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Agora, o colégio está implementando o Zoom (ferramenta de videoconferência), mas ainda é difícil mediar a conversa com uma criança, já que não tem essa autonomia. Eu tenho me desafiado todos os dias. A carga horária tem ficado ainda maior por conta dessa intensidade de estudos também. Outra coisa é que tenho trocado muitas experiências com outros professores, o que no dia a dia dentro da escola é muito difícil acontecer. Não temos esse tempo para conversar e entender as estratégias de cada um, o que funciona melhor. Se for olhar para toda a situação, isso com certeza é um ponto positivo.

Se o vídeo é uma maneira de passar a explicação de maneira mais clara, também é necessário abrir um canal de comunicação com o aluno durante esse período em que ele está em casa. Pelo ClassApp ele recebe um roteiro de atividades e também pode manifestar dúvidas sobre o que não ficou claro no vídeo ou nas atividades. A única questão é que no fundamental 1, em geral, não é o aluno que acessa a plataforma e os pais é que fazem a mediação. Às vezes isso dificulta porque os pais também estão trabalhando de maneira remota, e precisam orientar os filhos e ainda fazer essa mediação com o professor. Os pais não tinham esse papel até agora e há necessidade em fazer isso no momento. Por isso pensamos, inclusive, na seleção das atividades e nas orientações, já que do outro lado há pais, mães, familiares que, por vezes, desconhecem o trabalho pedagógico.

Para este período, a escola produziu ainda gabaritos que são entregues aos pais para facilitar a correção dos exercícios. Por outro lado, é fato que não temos respostas prontas para muitas coisas e é preciso pensar alternativas a todo momento. É uma situação em que, além das alternativas, é preciso muita troca com os colegas de trabalho, especialmente com a coordenação, que precisa alinhar todos os procedimentos.

O retorno à sala de aula, quando tudo passar, deve ser também de trabalho intenso, algumas dúvidas certamente vão ficar para esse momento. À distância não é possível ter 100% de visão sobre como as coisas estão caminhando com os alunos, mas acredito que será possível cumprir o currículo que estávamos prevendo para essa época do ano.


Simone Lassala

É formada em pedagogia e tem mestrado em educação pela PUC-SP. É aluna no curso de psicopedagogia e atua como professora há quase 20 anos. Neste tempo, dedicou-se especialmente ao ensino fundamental 1, atuando em colégios da capital e do interior de São Paulo.

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autonomia, coronavírus, engajamento familiar, ensino fundamental, tecnologia