Professora de educação infantil recorre a 'emocionômetro' para tratar de sentimentos com as crianças - PORVIR
Crédito: SeventyFour/iStock

Diário de Inovações

Professora de educação infantil recorre a ’emocionômetro’ para tratar de sentimentos com as crianças

Atividade foi ponto de partida para alunos descobrirem como reconhecer, nomear e expressar seus sentimentos por meio de experiências lúdicas inspiradas no livro "O monstro das cores", de Anna Llenas

por Viviane Aparecida Santana Moraes ilustração relógio 16 de março de 2022

Sabemos que entender e reconhecer os próprios sentimentos não é uma tarefa fácil para os adultos. Tampouco para os pequenos que, diariamente, podem experimentar uma série de sensações como frustração, alegria, raiva ou tristeza. Nesse sentido, sobretudo nos últimos anos, a educação socioemocional conquistou espaço necessário dentro das escolas, tornando-se uma contribuição fundamental para o processo de desenvolvimento da criança em todos os aspectos.

Entretanto, mesmo com avanços em relação ao olhar para a exploração das habilidades emocionais na primeira infância, observamos que alguns paradigmas necessitam ser desconstruídos, como não poder chorar, ficar bravo ou triste. Na verdade, trata-se do contrário: uma maneira eficiente é demonstrar e compartilhar nossos próprios sentimentos, assim como respeitar e validar todos os sentimentos dos pequenos ao longo do dia.

Sendo assim, elaboramos, para a turma de 3 anos da educação infantil, o projeto “Monstro das cores e as nossas emoções”. A atividade foi ponto de partida para alunos descobrirem como reconhecer, nomear e expressar seus sentimentos por meio de experiências lúdicas inspiradas no livro “O monstro das cores”, de Anna Llenas. Na história, a autora e ilustradora catalã associa as emoções às cores e isso serve como inspiração para experiências acerca do tema.

De acordo com a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), interações e brincadeiras são eixos estruturantes para a educação infantil; dessa forma, o brincar permeia todo o nosso percurso, atribuindo maior significado para cada proposta, visto que é nos momentos de brincadeira que a criança se expressa, cria, explora e descobre mais sobre si e sobre o outro.

O projeto teve início com a confecção de um emocionômetro, recurso lúdico que auxilia as crianças a identificar suas emoções e sentimentos, sendo usado em diversos momentos para auxiliar na nomeação e o que no motivou aquele sentimento.

As emoções foram apresentadas separadamente, por cores: começamos pela alegria, já que este é um sentimento mais fácil de ser identificado pelas crianças. Para isso, contamos com o apoio de músicas, histórias, vídeos e finalizamos com uma “caixinha da alegria”, na qual as crianças guardam desenhos, fotos ou brinquedos que as deixam alegres.

Para espantar a tristeza, as crianças ouviram a história “Como espantar a tristeza”, de Roseana Murray e, a partir dessa leitura, confeccionamos uma estrela para presentear um amigo; por meio dessa proposta, aprendemos que um gesto de carinho e atenção pode deixar o dia de alguém mais feliz. Histórias sobre os medos serviram como disparadores para iniciar nossa conversa sobre esse sentimento tão difícil de lidar. Finalizamos com a confecção do “Monstro papa-medos”, que devora os medos que tanto angustiam os pequenos. A “garrafa da calma” foi o recurso utilizado para lidar com o sentimento de raiva (confira como fazê-la neste link do site Lunetas).

Finalizamos o projeto com a customização dos monstrinhos. Cada criança decorou seu próprio monstrinho, com base nas experiências vivenciadas, atribuindo cores e texturas aos seus monstros para representar seus sentimentos.

Por meio do projeto, as crianças aprenderam a perceber cada sinal que nosso corpo envia antes de um sentimento chegar. Mostrou também, que tudo bem ficar feliz, triste, com medo, raiva… é preciso apenas criar estratégias para lidar com cada um desses sentimentos.

As aprendizagens das crianças foram observadas em diferentes situações, como a apropriação de vocabulário específico em alguns momentos de conflito, por meio de falas como: “estou triste porque meu amigo não quer brincar comigo”, “estou muito bravo, porque ele pegou o meu brinquedo”, “estou feliz porque vou ao supermercado com a minha mãe”. Tais situações reafirmam a importância de planejar e incluir na rotina experiências relacionadas à educação socioemocional.


Relembre o podcast “0 a 5”, criado pelo Porvir em parceria com a Rede Nacional Primeira Infância


Viviane Aparecida Santana Moraes

Pedagoga, psicopedagoga, especialista em alfabetização e letramento. Atualmente trabalha no Colégio Franciscano Pio XII, em São Paulo, como professora de educação infantil.

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educação infantil, socioemocionais

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