Qual o papel da educação socioemocional nos anos iniciais do ensino fundamental? - PORVIR
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Inovações em Educação

Qual o papel da educação socioemocional nos anos iniciais do ensino fundamental?

Participação de família e amigos contribui no desenvolvimento de habilidades socioemocionais de crianças nessa etapa do ensino

Parceria com LIV

por Ruam Oliveira ilustração relógio 12 de novembro de 2021

Quando uma confusa menina chamada Alice chegou no país das maravilhas, lhe fizeram uma pergunta: Quem é você? E ela então respondeu que pela manhã sabia quem era, mas mudou tantas vezes desde que ingressou naquele mundo, que já não sabia responder ao certo.

Aprender a falar sobre os sentimentos desde cedo, dar nome àquilo que se sente, é uma habilidade importante e que deve ser incentivada nos dias de hoje. Considerando as competências para o século 21, aspectos socioemocionais estão cada vez mais na pauta de discussões. E na escola não deve ser diferente.

Com adolescentes que estão no ensino médio pode ser um pouco mais fácil disparar o assunto, mas, como falar com crianças que estão nos anos iniciais do ensino fundamental? Aquelas que acabaram de sair do ensino infantil e estão apenas conhecendo as palavras?


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De acordo com o artigo “Por que a educação socioemocional é importante nos anos iniciais do Ensino Fundamental?“, escrito pelo LIV (Laboratório Inteligência de Vida), apesar de as crianças ainda estarem construindo consciência sobre seus sentimentos e aspectos socioemocionais, já são capazes de nomear e reconhecer sentimentos como frustração, animação, ciúme ou arrependimento.

Pode parecer uma etapa confusa – e de fato às vezes ela é mesmo e é natural que assim seja –, mas cada vez mais escola, família e outros indivíduos que fazem parte da vida da criança precisam estar atentos não só para o lado cognitivo, como também para o lado emocional.

Alguns estudiosos e setores da sociedade chamam essas habilidades de soft skills, que são aquelas que envolvem os sentimentos, capacitação de comunicação, e aspectos sociais. Não apenas para o mundo do trabalho, mas para a vida em sociedade, cada vez mais saber reconhecer os próprios sentimentos é parte da rotina da maioria das pessoas.

Uma escola que se preocupa com a educação de estudantes não deve deixar para fora do currículo esse aspecto

Ainda citando o artigo de LIV, a instituição afirma que essas competências são tão importantes quanto as habilidades cognitivas, pois melhoram o aprendizado e o desempenho sob condições desafiadoras, que exigem empatia, pensamento crítico, criatividade e perseverança, mas nem sempre são valorizadas ou sequer trabalhadas na escola de modo organizado, intencional e sistemático”.

Ao longo de sua jornada pelo país das maravilhas, Alice sabe reconhecer seu lado mais imaginativo, percebe a importância da imaginação e, também, reconhece quando está triste ou animada. Ensinar a nomear esses sentimentos pode ser algo que aparece no currículo.

A essa capacidade de dar nome às emoções pessoais e dos outros e geri-las, dá-se o nome de Inteligência Emocional. O psicólogo e jornalista Daniel Goleman, um dos principais pensadores contemporâneos nessa área, aponta que a inteligência emocional é capaz de promover maior empatia pelo próximo, diminuir níveis de ansiedade e estresse, trazer maior clareza nos objetivos de vida e tomada de decisão, além de aspectos mais práticos como melhoria na gestão de tempo e comprometimento com metas, por exemplo.

Uma escola que se preocupa com a educação de estudantes não deve deixar para fora do currículo esse aspecto. Há formas de incentivo ao desenvolvimento socioemocional já reconhecidas, como a via lúdica, por exemplo, quando se trata de trabalhar com crianças nos anos iniciais do ensino fundamental.

Não só a escola, como também a família tem um papel importante nesse desenvolvimento da inteligência emocional.

Olhando para propostas mais lúdicas de trabalho, as rodas de conversa, leituras de histórias, músicas ou brincadeiras, são caminhos interessantes para abordar a questão.  É válido ressaltar que, em todo caso, o ideal é reforçar a ideia de que não existe certo e errado, bom e ruim quando o assunto é falar sobre o que se sente.

Daniel aponta que, apesar de poder ser aprendida e desenvolvida, a inteligência emocional é algo que precisa ser exercitado todos os dias. Ou seja, estimular as crianças a ter conhecimento a respeito do que sentem, seja em relação aos próprios impulsos e fraquezas ou a como lidar com esses sentimentos.

Alice entrou e saiu do país das maravilhas com uma grande capacidade de reconhecer seus sentimentos. No entanto, essa habilidade foi fortalecida a cada vez que se deparava com alguém diferente, seja o chapeleiro maluco, seja o coelho sempre atrasado. Os indivíduos aos quais as crianças têm acesso podem também impactar positivamente na forma como enxergam e nomeiam aquilo que sentem.

Não só a escola, como também a família tem um papel importante nesse desenvolvimento da inteligência emocional. Em outras palavras, tanto a escola, quanto família e amigos, podem contribuir para o desenvolvimento socioemocional das crianças, garantindo que seja uma aprendizagem global que as prepare para o viver contemporâneo.

 

Dicas de conteúdos para saber mais sobre habilidades socioemocionais e como desenvolvê-las:

E-book:  O cuidado de si e a conquista da autonomia: uma reflexão para famílias

Video: Relação entre escola e família: revendo conquistas e desafios

Artigo: Como fortalecer o vínculo entre a família na pandemia?

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competências para o século 21, socioemocionais

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