Professora usa videogame para ensinar história - PORVIR
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Diário de Inovações

Professora usa videogame para ensinar história

Em Americana (SP), Marili Bassini organizou um estudo de períodos históricos retratados em jogos eletrônicos famosos entre os alunos

por Marili Bassini ilustração relógio 28 de outubro de 2015

Eu já participei de vários programas de formação de professores dentro da Unicamp. Sempre discuti a questão do que fazer de diferente na educação com o Fernando Arantes e a Miriam Oliveira, que são meus parceiros e coordenam o grupo de Projetos Especiais para Inovação Educacional. A partir disso, resolvi tentar algumas experiências na disciplina de história com os meus alunos de ensino médio. Para criar um projeto, sempre tinha aquele pensamento de aproximar a prática da realidade deles.

Observando o interesse dos alunos por jogos, eu comecei a perceber que eles tinham um fundamento histórico que poderia ser explorado em sala de aula de uma forma diferenciada, incentivando os estudantes a pesquisarem sobre o período tratado no jogo.

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Como eu também gosto muito de jogos e estamos em um momento privilegiado graças à variedade de títulos disponível no mercado, eu propus aos alunos que estudassem o conteúdo e a partir deles, na sequência, montassem vídeos.

Logo no início, eles já sugeriram vários jogos que poderiam ser utilizados no trabalho (Revolução Francesa em Assassin’s Creed, Segunda Guerra Mundial em Mundial em Battlefield 2). A única obrigatoriedade era o fundamento histórico. Depois de jogar em casa, tinham que trazer para mim uma lista de pontos que tinham observado no jogo, como arquitetura e figurino dos personagens.

Eu orientava a pesquisa a partir dos pontos que chamavam a atenção deles, indicando sites e temas de estudo. Eu também passava fontes na internet que não tinham informações fidedignas. Assim, eles aprenderam a refinar a busca. A primeira pergunta que fazem agora é “mas quem escreveu”? Depois de um tempo, esse processo ficou natural, e eles aprenderam a questionar a informação.

Para finalizar, nós fizemos um dia de apresentações, com uma banca de professores para avaliar o contexto histórico, a metodologia de pesquisa e a forma como apresentaram o jogo no vídeo. Nesse dia, aconteceu uma coisa que eu nunca tinha visto em 20 anos de profissão. Quatro grupos de alunos (dentre os 18 que estavam apresentando) me procuraram e pediram para tirar o trabalho deles da apresentação, alegando que queriam refazê-lo, já que tinha ficado inferior aos outros que estavam sendo exibidos. Por essa capacidade de autoavaliação, eu achei que o processo todo já tinha dado certo.

Só pelo fato do projeto envolver jogos, os alunos já têm um olhar diferente. Um deles veio me falar: “Professora, eu espero há cinco anos para fazer um trabalho assim”. A leitura e interpretação de texto melhorou muito; a própria espacialidade melhorou, eles já conseguem montar na cabeça uma sequência histórica e entender que um fato está ligado ao outro. Além disso, eles passaram a olhar para o jogo de forma diferente, questionando algumas coisas que antes passavam desapercebidas.

Veja o vídeo do projeto:


Marili Bassini

Marili Bassini é graduada em história com mestrado em história cultural e doutorado em educação (fase final). É professora há 20 anos, com experiência em todos os níveis de aprendizagem. Atualmente, atua no ensino médio e no ensino superior.

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ensino médio, jogos, tecnologia

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Diana BorgesFlávia FRANCISCO DAS CHAGAS RAMALHAESMarcelo BispoRed B Quem acabou de comentar
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Flávia
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Flávia

Não tem como não se apaixonar por história, por ler e escrever com a professora Marili. Ela inspira conhecer e aprender. Estou cansada de ouvir os professores dizerem que os alunos mudaram (óbvio… Ninguém entra duas vezes num mesmo rio.) e continuarem com metodologias de décadas passadas. Parabéns professora Marili. Você me inspira! Sou fã! Que tal um café e uma partida de video game? ? Abraço!

Marcelo Francisco
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Marcelo Francisco

Isso sim é inovação! !!Parabéns Marili

Red B
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Red B

Meus parabéns, muita gente advoga o uso de jogos, inclusive na literatura técnica de educação, mas ainda temos poucos casos de emprego efetivo. Um estudo de como foi o emprego e seu impacto seria algo muito interessante. Um jogo que acredito ter um ótimo potencial didático é o ThisWarofMine, o jogo de guerra mais pacifista que eu já vi. https://teclogos.wordpress.com/2015/02/11/this-war-of-mine/

FRANCISCO DAS CHAGAS RAMALHAES
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FRANCISCO DAS CHAGAS RAMALHAES

Parabéns a Professora MARILI BASSINI pelo excelente trabalho utilizando-se da tecnologia. Meu filho é aluno desta professora que conseguiu transformar a turma do colegial em verdadeiros apaixonados pela história…Ela consegue envolver as turmas de maneira clara, didática e participativa. Parabéns a professora pelo excelente trabalho.

Marcelo Bispo
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Marcelo Bispo

Olá professora Marili Bassini tudo bem, meu nome é Marcelo Barbosa, sou Coordenador do Laboratório de Currículo do curso de Programação de Jogos Digitais em nível Técnico no Centro Paula Souza, neste sentido gostaria de conhecer se possível quais conteúdos e quais séries do Ensino Médio foram abordadas esta prática, eu gostaria de indicar para os responsáveis da disciplina no Ensino Médio do Centro Paula Souza, tendo em vista que estamos desenvolvendo o ETIM(Ensino Técnico… Ler mais »

Carlos Estela
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Carlos Estela

Me gustaría compartir una anécdota… trabajo como editor en una plataforma virtual del Ministerio de Educación de Perú y la semana pasada la Oficina de Prensa del Ministerio censuró un contenido que proponía trabajar con Assasin`s Creed en la asignatura de Historia. Solo quería felicitarlos por no tener estas limitaciones tan medievales que les permiten diseñar estrategias efectivas e innovadoras. Saludos de Perú

Jeffrey H. Costa
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Jeffrey H. Costa

Show de bola! Parabéns à Profa. Marili e a todos que a apoiaram. Me lembra meu amigo, Prof. Marcelo Almeida Magalhães, grande incentivador do uso inovador de tecnologias em sala de aula. Uma das sugestões dele é criar jogos no Kahoot.it. Tanto nós criando jogos para os alunos, como propondo que eles criem jogos sobre determinado tema.

Diana Borges
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Diana Borges

Parabéns professora pela iniciativa e inovação, todas as escolas deveriam usar metodologias Ativas, sem dúvida é muito mais interessante aprender buscando o conhecimento do que apenas passivamente receber o conhecimento.

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