crédito freshidea / Fotolia.com

Como Inovar

Programa oferece oficinas de engenharia a estudantes

Pró-engenharias, no Amazonas, estimula alunos do ensino médio a seguirem carreiras voltadas para tecnologia e inovação

por Fernanda Kalena ilustração relógio 18 de julho de 2014

S
Este conteúdo faz parte da
Série Engenharia

A escassez de profissionais de engenharia é uma realidade do estado do Amazonas. Para combater essa carência, em 2012, o governo do Estado lançou um programa de oficinas de engenharia para estimular estudantes que cursam o ensino médio na rede pública a seguirem carreiras acadêmica e profissional na área, chamado Pró-Engenharias (Programa Estratégico de Indução à Formação de Recursos Humanos em Engenharias no Amazonas). A iniciativa visa a preparar os alunos para ingressarem em cursos de graduação voltados para tecnologia e inovação e é tema da terceira reportagem da série do Porvir “O futuro do ensino da engenharia”, que também apresenta artigos de professores da Escola Politécnica da USP.

O programa acontece em duas frentes. A primeira turma, que começou em 2012, atendeu 40 alunos do 2º ano do ensino médio que obtiveram os melhores desempenhos nas duas primeiras etapas do processo seletivo contínuo para ingresso na Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Este ano, outros 40 alunos foram selecionados da mesma forma e mais 160 estudantes do ensino médio da escola pública Prof. Eng. Sérgio Alfredo Pessoa Figueiredo, no bairro Cidade de Deus, na zona periférica de Manaus, também foram convidados.

Um laboratório foi montado no Instituto de Educação do Amazonas, no centro de Manaus, para receber os estudantes três vezes por semana no contraturno escolar. Nessas oficinas de engenharia, são realizadas atividades orientadas em sete disciplinas: matemática, física, química, língua inglesa, filosofia e informática, com foco em práticas contextualizadas à área de engenharia. “Trabalhamos com sete disciplinas, mas o conteúdo curricular não é o das escolas. Por exemplo, nas aulas de filosofia são abordados temas de lógica. As aulas de inglês são técnicas, para o estudante aprender a ler croquis, plantas e gráficos. Todo o conteúdo é direcionado ao universo da engenharia”, explica Antônio Menezes da Costa, membro do comitê gestor do Pró-Engenharia da Seduc (Secretaria de Educação do Amazonas).

Além disso, as oficinas de engenharia estimulam a realização de visitas técnicas a sítios de construção, feiras e eventos. “Os alunos foram levados para ver a construção da Arena da Amazônia. A visita foi feita com o engenheiro responsável pela obra, que pode explicar in loco o seu trabalho e tirar as dúvidas dos estudantes”, conta Costa, que considera que este tipo de atividade instiga os alunos: “Mostrar a engenharia na prática aguça a curiosidade e incentiva os alunos a se interessarem por ela”.

Durante os dois anos de programa, cada aluno participante recebe uma bolsa mensal de R$ 190. Caso ele entre em uma graduação de engenharia, continua a receber o auxílio durante o primeiro ano de curso, e se a universidade for pública, o valor sobe para R$ 360. Após a conclusão da graduação, se o estudante quiser continuar os estudos para seguir carreira acadêmica, fazer um mestrado ou doutorado, voltam a receber o auxílio. “É um processo contínuo, pensado a longo prazo, não termina quando ele entra na universidade, é para incentiva-lo a se formar e a continuar estudando”, conta Costa, que contabiliza que 50% dos estudantes da primeira turma do programa optaram por um curso superior na área.

Mostrar a engenharia na prática aguça a curiosidade e incentiva os alunos a se interessarem por ela

Na coordenação das oficinas de engenharia, estão doutores de engenharia da Ufam  (Universidade Federal do Amazonas). Eles são auxiliados por 12 professores da rede pública de ensino e oito tutores que são estudantes universitários da área. Segundo Costa, a ideia de colocar profissionais e estudantes de engenharia envolvidos na formação dos jovens é exatamente para fazer a ponte entre eles e a universidade. Todos eles recebem bolsa de pesquisa para integrar a equipe.

Costa ressalta que o projeto ainda está na fase de experimentação e adequação, que ajustes estão sendo feitos, mas que os primeiros resultados e a aceitação estão bastante positivos. “O potencial do programa não é só incentivador, ele agrega conhecimentos que os estudantes não teriam na escola regular. Assistem a palestras, entram em contato com profissionais da área, visitam obras, usufruem do laboratório. O capital cultural deles é elevado”, completa.

O Pró-Engenharias é realizado através de uma parceria entre a Secti (Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação), a Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas), e a Seduc. Ao todo, a estimativa de investimento do governo do estado é de mais de R$ 4 milhões.


TAGS

carreira, ciências, educação mão na massa, engenharia, ensino médio, ensino superior, interdisciplinaridade, série engenharia, uso do território